A Alta Idade Média: Feudalização da Europa

Com as invasões bárbaras dos séculos IX e X, os senhores de terras, com a intenção de defender seus territórios, fortaleceram ainda mais seu poder, levando a Europa a feudalização.

A propriedade rural do feudalismo, chamada de feudo, consistia numa porção de terras comandadas por um nobre e cultivada por alguns servos.

O feudo era composto por:
  • Manso senhorial: terras de uso do senhor
  • Manso servil: terras ocupadas pelo servo
  • Terras comunais: terras de uso geral, como bosques, florestas e pastos.

A sociedade feudal era formada por três camadas sociais, chamadas de estamentos. Essa estratificação sempre foi muito rígida, por isso caracterizamos o feudalismo como uma sociedade estamental. Segundo a mentalidade da época, essa divisão era imposta por Deus, pois cada camada tinha uma responsabilidade dentro da sociedade.

Segundo o historiador francês George Duby, “na idade Média havia três classes: uma rezava, outra guerreava e outra trabalhava.” Essa frase nos elucida bem como era constituído socialmente o feudalismo.

  • Clero: era a camada mais importante, pois intermediava as relações entre os homens e Deus.
  • Nobres: eram os donos das terras e responsáveis pela guerra.
  • Servos: responsáveis pelo trabalho, eram divididos entre servos da gleba, ou seja aqueles que trabalhavam nas terras do senhor, e vilões, aqueles que viviam nas vilas. Apesar de não terem liberdade de sair das terras, legalmente não eram considerados escravos, pois não podiam ser comercializados.

A principal relação existente durante o feudalismo era estabelecida entre servos e nobres. Os servos, por estarem habitando as terras do senhor feudal, deveriam pagar tributos a ele.

Os principais tributos eram:
  • Talha: pagamento de uma porcentagem da produção servil.
  • Corveia: trabalho obrigatório, em alguns dias da semana, no manso senhorial.
  • Banalidades: taxa cobrada pelo uso de instrumentos ou bens do senhor.
  • Capitação: taxa cobrada de cada pessoa da família.
  • Mão morta: tributo pago na transferência das terras de um servo falecido para seu herdeiro.
Os laços de suserania e vassalagem

O feudalismo caracterizou-se pela ausência de poder centralizado: cada nobre determinava as leis em seu feudo. Os laços de suserania e vassalagem eram o principal motivo de união entre os nobres. Pois, por meio desses acordos ficava determinado que o nobre que receberia a terra (vassalo) deveria jurar fidelidade ao nobre que a doaria (suserano). Essa relação, herdada dos bárbaros, como vimos, era antes denominada comitatus e beneficium. Os vassalos deveriam, em troca das terras, defender militarmente seu suserano e a este, em contrapartida, também cabiam as mesmas obrigações.

Os laços entre suserano e vassalo eram firmados em duas cerimônias: a homenagem e a investidura. Na homenagem, o vassalo ajoelhava-se colocando-se a serviço do suserano e jurando-lhe fidelidade. Na investidura, o suserano entregava ao vassalo um presente como forma de confirmar os laços: podia ser um anel, uma espada ou uma lança com uma flâmula representando o feudo.

O cavaleiro

A principal figura militar feudal era o cavaleiro. Para pertencer a esse grupo era necessário ser integrante da nobreza, porque o custo das armas e da armadura era muito alto. Era o próprio cavaleiro quem pagava por seus instrumentos.

A cavalaria servia para evitar convulsões sociais dos servos, mas também era utilizada pela cristandade para atacar os infiéis. Também ocorriam muitos conflitos entre os senhores feudais, que às vezes arruinavam as plantações, por isso no século X a Igreja instituiu a Trégua de Deus, que determinava a proibição da guerra durante determinados períodos.

O poder da Igreja

Igreja era a instituição mais poderosa no medievo. Pois, o clero monopolizava o saber, além de ser o maior proprietário de terras na Europa.

Os membros da Igreja estavam divididos em alto clero (aristocracia) e baixo clero (classes mais baixas entre eles). O alto clero detinha o poder da Igreja, que tinha como sua autoridade máxima o bispo de Roma, que passou a ser intitulado papa, em 455. Havia ainda outra subdivisão dentro da Igreja: o clero secular (saeculum = mundo, em latim), a quem cabia a responsabilidade de conversão e atendimento aos fiéis. E o clero regular (submisso às regras de uma ordem religiosa), que vivia nos mosteiros e era responsável pela preservação literária e cultural.

É importante lembrar que a Igreja exercia total poder ideológico sobre a sociedade medieval. Todas as classes estavam subordinadas às vontades dos clérigos, que em seus sermões tratavam como natural a divisão social existente no feudalismo. Por isso, dizemos que o poder no medievo era teocêntrico.

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
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Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

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