A Civilização Grega (parte I): Formação e Período Homérico

Dividir alguns períodos históricos pode ser visto de maneira austera e arbitrária, porém nos permite compreender e decifrar mais facilmente o passado. Dessa maneira, a história da Grécia Antiga é dividida pela historiografia clássica em quatro principais fases:

  • PERÍODO HOMÉRICO – época em que as fontes históricas encontram-se principalmente nos poemas épicos de Homero: Ilíada e Odisseia.
  • PERÍODO ARCAICO – formação das cidades-Estado gregas, as pólis.
  • PERÍODO CLÁSSICO – zênite da cultura grega e das cidades-Estado.
  • PERÍODO HELENÍSTICO – degradação da civilização grega, com o domínio macedônio e romano.

Precedentemente a essa divisão, temos a formação da civilização grega, também conhecida como período normativo (séc XX a.C – XII a.C.). Nesse estágio, dá-se o início das migrações para a península Balcânica.

Período Formativo

A civilização grega emerge do encontro de alguns povos que migraram para a Grécia. Lá, estabeleceram relações ora harmoniosas, ora conflitantes.

Por volta de 2.000 a.C. a 1.400 a.C. dilata-se na ilha de Creta, posicionada ao sul do mar Egeu, uma civilização que já conhecia a escrita. Além da escrita tinham profundo conhecimento das artes náuticas, devido ao intenso comércio marítimo. Sua principal cidade era Cnossos, comandada por uma elite de comerciantes que viviam em grandes palácios. Dominando boa parte do Mediterrâneo Oriental e da Grécia continental, os cretenses estenderam seu poderio sob uma vasta região.

Advindos de estepes russas em busca de melhores pastagens para seu rebanho, temos os aqueus. Consolidaram-se por quase toda a localidade (por volta de 2.000 a.C.), onde o contato com os cretenses gestou a civilização creto-micênica. Cerca de 1.700 a.C., chegaram os jônios e os eólios. Foram os primeiros a se fixarem na região da Ática e fundaram a cidade de Atenas. Em seguida, ampliaram seu domínio rumo a Ásia Menor, e fundaram as cidades de Éfeso, Mileto e outras. Aproximadamente em 1.200 a.C., estabelecia-se na região do Peloponeso, os dórios. Ao destruir a civilização creto-micênica, os dórios dão início a cidade de Esparta. Vale ressaltar, que a invasão dórica não atinge a Ática (região da cidade de Atenas). Segue abaixo mapa que mostra as regiões colonizadas pelos gregos antes da guerra contra os persas.

Período Homérico

Depois da invasão dórica, a organização social grega sofre um retrocesso. Passa a organizar-se nos genos, pequenos grupos familiares. Os bens econômicos (terras, instrumentos e animais), ficavam em posse da aristocracia, comandada pelo pater. Ou melhor, a organização social grega era dividida em pequenas unidades agrícolas autossuficientes e que possuíam estrutura social. Nela os escravos trabalhavam na terra, entretanto eram protegidos pelos membros dos genos, que não os submetiam a castigos corporais. Essa organização social ainda contava com os demiurgos, artesãos que fabricavam instrumentos e armas para toda a sociedade, e os thétas, homens pobres, que muitas vezes estavam em condições piores que os escravos.

Com o aumento populacional, o certame por terras mais férteis iniciou alguns conflitos entre os genos, onde os mesmos uniam-se para própria defesa e por consequência aumentavam sua força. Dada essa união, emergem-se as fatrias. Por sua vez, as fatrias também se uniam por causa do aumento de conflitos, tornando-se tribos maiores lideradas pelo basileu (rei supremo), eleito entre a aristocracia. O desenvolvimento dessas tribos resulta no nascimento das cidades-Estado gregas, as pólis.

Estruturada, a polis converte a sociedade grega em uma nova estrutura social. Proprietários das melhores terras, a aristocracia seguia aumentando o seu poder. Custeavam os pequenos proprietários (hectemoro), pois esses não conseguiam plantar com seus próprios rendimentos. Em troca, deliberavam parte da produção aos grandes proprietários (eupátridas). Na maioria das vezes os camponeses não conseguiam quitar suas dívidas, e acabavam tornando-se escravos e perdiam suas terras.

As terras eram escassas e, quando férteis, estavam nas mãos dos eupátridas. Devido a isso, cada vez mais pequenos proprietários perdiam suas posses. Não obstante, nos séculos VIII e VII a.C., os gregos saíram em busca de terras fora da península, chegando a conquistar algumas regiões no Mediterrâneo, entre elas o sul da Itália e a Sicília, momento nomeado como a segunda diáspora grega.

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
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Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

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