A ABSTRAÇÃO DO MUNDO MODERNO (PARTE 1): O ESTADO POLÍTICO

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A vida moderna ocidental é uma construção social e histórica. Ela organiza-se numa divisão entre: Estado político (ideal e abstrato) e Sociedade civil burguesa (real e concreta). Essa “dupla vida” é a essência e o alicerce do mundo moderno. Não podemos pensar a vida social e as relações humanas cotidianas fora desse eixo, pois a economia, política e cultura são pautadas e orbitam em torno de tal ambiguidade.

Grandes pensadores modernos se debruçaram sobre o fenômeno (a relação entre Estado e Sociedade civil capitalista), cada qual a seu modo representando determinados interesses reais concretos e limitados pelas circunstâncias históricas que viviam, abordando a dialética dessa relação, suas contradições e as formas nas quais se estruturam. Eis os principais: Maquiavel, Hobbes, Locke, Montesquieu, Rousseau, Kant, Federalistas (Hamilton, Madison e Jay), Tocqueville, Hegel, Marx, Weber e Gramsci.

O que há de comum entre eles (por uma questão didática) é o fato de que tanto o Estado quanto a Sociedade civil moderna não podem ser pensados separadamente, ambos fazem parte de um mesmo processo histórico: o advento e a consolidação hegemônica e ideológica da sociedade capitalista. Na esfera política com o Estado-nação unificado sob um território determinado. Na esfera econômica e social com a Sociedade civil burguesa. Por outro lado, a esfera da cultura é importantíssima nesse momento para “enlaçar” ideologicamente os indivíduos sob as “identidades nacionais”. Basta lembrarmos que é nesse período (século XIX) que a cultura começa a ser pesquisada pela Ciência social recém-surgida e, posteriormente, pela Antropologia particularmente.

Com isso, por que o “Estado-nação político é uma abstração do mundo moderno”? Pelo fato do mesmo representar um “ideal de igualdade jurídica e política” (Daí refiro-me aos ideais democráticos ocidentais) diante de uma sociedade “concreta” capitalista que se estrutura e organiza pela “desigualdade concreta”. É no âmbito da sociedade que a vida material concreta é produzida e reproduzida em todas as suas contradições sociais e econômicas. É ela o terreno no qual a vida social concreta acontece.

 

INDICAÇÕES DE LEITURA

– HEGEL, F. Princípios da filosofia do direito;

– MARX, K. Crítica da filosofia do direito de Hegel;

– MARX, K. Sobre a questão judaica;

– WEFFORT, F. Os clássicos da política Volumes 1 e 2.

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.
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Kassiano César de Souza Baptista

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.

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