As Revoltas Nativistas do Brasil Colonial

Após o início do ciclo do ouro, Portugal consegue uma maior dominação e controle de sua colônia na América, controlando os grandes polos de atividade econômica: a Capitania de Pernambuco e a Capitania de Minas Gerais. Passa então a cobrar impostos abusivos sobre a extração de ouro realizada por colonos brasileiros (como o quinto), garante um monopólio português de produtos manufaturados, proibindo a produção dos mesmos na colônia – produtos esses que apenas a elite da época teria acesso – além de imporem um rígido controle, através de leis e medidas que favoreciam os comerciantes portugueses.  Todos esses fatores somados tiveram como resultado o que ficou conhecido como: as Revoltas Nativistas.

O termo “Revoltas Nativistas” vem para denominar um grupo de movimentos locais que, graças à indignação perante o controle Português abusivo sobre a colônia, acaba sucumbindo, desde o século XVII ao século XVII, em revoltas. O ponto em comum que liga todos esses movimentos nada mais é que o nativismo, ou seja, o sentimento de apego profundo pelo lugar em que se nasce, abrangendo escravos, homens livres e comerciantes. Os interesses portugueses, como a cobrança de impostos, muitas vezes se chocavam com o dos nativos, que passam a querer redigir suas próprias regras, e acabam até em alguns momentos se aliando a outros povos europeus como os holandeses e espanhóis, junto à tentativa da instituição de governos alternativos com autonomia política. Mesmo assim, nenhum desses movimentos tinha como objetivo revolucionar sua estrutura social, o sistema escravocrata, por exemplo, não seria alterado, e a grande mudança seria na autonomia socioeconômica dos colonos.

É importante salientar que de fato essas revoltas, motins e conspirações revelam a indignação dos colonos perante o controle da metrópole e uma busca por autonomia, mas são todos movimentos regionais, sem nenhuma noção de unidade nacional, já que a ideia de Brasil como nação é posterior, e nesse momento as ideias do povo na colônia nem sequer entravam em debate nos meios intelectuais. Romantizar essas histórias e coloca-las como uma luta patriótica em busca de autonomia politica para a “nação brasileira”, como fazem até hoje os livros didáticos, não é nada além de um equívoco.

Principais Revoltas Nativistas:

  • Revolta de Beckman (1684): liderada pelos irmãos Tomás e Manuel Beckman, na cidade de São Luís do Maranhão, exigia melhorias nas relações entre Maranhão e a Coroa Portuguesa, além de fatores como a falta de mão-de-obra escrava e a falta e altos preços das mercadorias comercializadas pela Companhia Geral de Comércio do estado do Maranhão (1682). A rebelião durou cerca de um ano até ser vencida pelas tropas portuguesas em 1685.
  • Quilombo dos Palmares (1630-1694): o quilombo mais conhecido de nossa história, instalado na cerra da Barriga, atual região de Alagoas, abrigava ex-escravos fugitivos, índios e foragidos da justiça. Resistiram bravamente durante 80 anos, conseguindo derrotar aproximadamente 30 expedições militares organizadas com o objetivo de destruí-lo. Em 1678, Aires Sousa e Castro, e Ganga Zumbam, importante líder palmarino, assinaram o chamado “Acordo de 1678” ou “Acordo de Recife”, onde o governo pernambucano reconhecia a liberdade de todos os negros nascidos em Palmares e concedia a utilização dos terrenos localizados na região norte de Alagoas. O descontentamento de alguns membros do Quilombo levou ao envenenamento de Zumba, e a liderança passa a mão de Zumbi. No dia 20 de novembro 1695 Zumbi é morto e degolado pelos bandeirantes. Nessa data é comemorado o Dia da Consciência Negra, que exalta a resistência e demonstra que a hegemonia da ordem escravocrata da época é colocada em cheque graças aos indivíduos que negaram se subordinar ao status quo vigente.
  • Guerra dos Emboabas (1708-1709): os bandeirantes paulistas exigiam exclusividade na exploração das minas de ouro por eles descobertas, porém os portugueses e colonos mineiros, pejorativamente chamados pelos paulistas de “emboabas”, também queriam desfrutar dessa riqueza. O conflito ocorre então, na Capitania de Minas Gerais, pela disputa da exploração do outro entre os bandeirantes paulistas e os “emboabas”.
  • Guerra dos Mascates (1710-1711): devido à expulsão dos holandeses em 1654, os senhores de engenhou que viviam na Capitania de Pernambuco perdem seus meios de financiamento (bancos holandeses). Como tinham controle sobre a autoridade local (Câmara de Olinda), induzem o governo a aumentar os impostos sobre os comerciantes portugueses, que passam a ser chamados de “mascates”. Nada satisfeitos se rebelam contra Olinda.
  • Revolta de Vila Rica (1720): conhecida também como “Revolta Felipe de Santos”, nome de seu líder, ocorreu na Capitania de Minas Gerais, entre políticos locais e a autoridade real da Coroa Portuguesa. As causas da revolta são: a alta taxa de impostos cobrada sobre a exploração do ouro pela criação das Casas de Fundição (o quinto); a proibição da circulação do outro em pó, com punições severas para quem desrespeitasse essa imposição; e o monopólio das principais mercadorias pelos comerciantes portugueses.


Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
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Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

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