A Baixa Idade Média (parte I): O renascimento Comercial e Urbano

A baixa idade Média 

Entre os séculos X e XV, a idade Média passou por grandes transformações que conduziram a sociedade para a constituição do sistema capitalista. A partir do século XI, iniciou-se um período de paz e segurança, que proporcionou acréscimo na produção de alimentos, seguido por real crescimento econômico e populacional.

As técnicas agrícolas melhoravam a cada dia, os arados convencionais foram substituídos pela charrua (que fazia sulcos mais profundos na terra). Uma nova maneira de atrelar os animais foi inventada (permitindo a utilização de cavalos) e passou a ser adotado o sistema trienal de plantio. Ou seja, havia uma rotação das terras, o que permitia que uma parte delas descansasse regularmente, aumentando a fertilidade.

O renascimento comercial e urbano

Com ou aumento populacional, as cidades, que eram pequenas, passaram a crescer vertiginosamente. Esse crescimento estava ligado à especialização do trabalho que começou a existir no campo e na cidade. Como o camponês tinha que suprir a demanda de alimentos cada vez maior, que exigia mais e mais trabalho, não lhe sobrava tempo para outras atividades. Então, o campo ficou responsável pelo fornecimento de matéria-prima e alimentos, enquanto os habitantes das cidades ficavam encarregados pelos produtos manufaturados, que eram vendidos aos camponeses.

Alguns feudos organizavam feiras que atraíam centenas de comerciantes e artesãos de várias regiões. À medida que essas feiras cresciam, aumentava também o número de pessoas que viviam ao redor e em razão delas. Era o início da formação das cidades modernas.

As cidades medievais centralizavam o comércio e as atividades artesanais. Elas geralmente surgiam dentro dos feudos, incentivadas pelo senhor feudal. Contudo, com o tempo, essas cidades foram adquirindo certa independência. Passaram a lutar pela sua independência e direito em relação aos senhores. Essa autonomia e liberdade eram conseguidas pela guerra ou pelo pagamento do direito à liberdade, o documento que declarava sua emancipação chamava-se Carta de Franquia.

Corporações de Ofício e as Guildas

Adquirida a liberdade, as cidades passavam a ser administradas por um grupo de mercadores e artesãos, associados nas chamadas corporações de ofício ou de interesses comuns, as guildas. Essas organizações regulamentavam determinadas profissões, por isso criaram regras para aqueles que pretendiam exercê-las. A união política entre artesãos e comerciantes, porém, não durou muito. Com o tempo, as cidades passaram a ser administradas por um outro grupo. Florença, por exemplo, era governada por um grupo de artesãos, já Viena e Veneza tinham no poder mercadores.

As cidades medievais

As cidades medievais eram imundas, superlotadas e barulhentas. Animais como cavalos, galinhas, cães e porcos viviam soltos pelas cidades. Apenas as ruas mais largas eram pavimentadas, todas as outras eram ora de pó ora de lama puros. Não havia água encanada, devido ao medo da contaminação por um inimigo. O esgoto corriam a céu aberto, o que aumentava o risco de doenças. Eram infestadas de ratos e todo o tipo de insetos, como as pulgas, que ajudaram a proliferar a Peste Negra. O mau cheiro beirava o insuportável. As casas eram feitas de madeira e grudadas umas às outras, o que aumentava o risco de incêndios.

As noites eram silenciosas e escuras, já que não havia iluminação pública. Ocorria nesse período, obviamente, a maior incidência de assaltos e assassinatos. Os criminosos eram punidos de várias maneiras: mutilações, torturas e enforcamentos em praça pública, para que servissem de exemplo.

Era nas cidades onde acontecia o comércio. Suas feiras atraíam multidões interessadas na compra e venda de produtos. As cidades medievais eram chamadas de burgos, e seus habitantes conhecidos como burgueses, daí o termo burguesia.

Nesse momento, a maior parte do lucro vinha da comercialização dos produtos. Assim, surgiram regiões que se tornaram centros comerciais, como no caso de Champagne, no norte da França. Flandres, na atual Bélgica, assim como algumas cidades italianas.

Os grandes comerciantes das principais cidades organizavam-se com vistas a aumentar seus lucros e garantir o monopólio comercial em certas regiões. Essas organizações ou ligas de cidades foram chamadas de hansas. A principal dessas organizações foi a Liga Hanseática, composta por cidades alemãs.

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
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Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

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