Bertrand Russell: É possível conhecer?

Amigas e amigos filósofas(os), vimos no texto O que é Filosofia? que Russell a vê como questionamentos rigorosos e fundamentais. Um destes questionamentos é sobre a teoria do conhecimento, ou seja, o que é possível conhecer e como é possível conhecer. No decorrer de nossos textos analisaremos seu livro Problemas da Filosofia (do original The Problems of Philosophy). Hoje, nos focaremos no primeiro capítulo Aparência e Realidade.

Russel inicia o capítulo questionando se existe algum conhecimento no mundo que não possa ser duvidado. Veremos que a tese que levanta esse questionamento é a de que as coisas reais não são aquilo que percebemos diretamente através dos sentidos. Ao distinguir aparência (appearance) e realidade (reality), o filósofo afirma que percebemos imediatamente através de dados dos sentidos (sense data) a aparência dos objetos físicos (physical objects). Já o conhecimento sobre a realidade deve ser inferido de forma não imediata pelos dados dos sentidos.

Nosso objetivo é analisar como russell sustenta a tese de que nossas percepções imediatas fornecidas pelos dados dos sentidos são uma aparência.

O filósofo discute no primeiro capítulo da obra o que é possível ser conhecido sobre um objeto físico. Tal objeto é exterior ao observador e o conjunto de objetos físicos é chamado de matéria. Ele percebe que ao analisar-se uma determinada propriedade do objeto físico, esta varia de acordo com as condições do observador. Para cada condição é obtido um dado do sentido, propriedade imediatamente conhecida através da sensação.

Russell explora situações em que não é possível afirmar qual propriedade de um objeto físico é verdadeira quando confrontamos duas propriedades excludentes. Podemos estruturar  tal argumento da seguinte forma:

  • Premissa 1) é conhecida imediatamente a propriedade P1;
  • Premissa 2) é conhecida imediatamente a propriedade P2;
  • Premissa 3) P1 e P2 são excludentes;
  • Conclusão: Não é possível afirmar qual P é uma característica da mesa.

Ao tratar do exemplo da cor de uma mesa, os diversos exemplos apresentados levam russell a concluir que não há razão alguma para escolher uma das cores percebidas na mesa como verdadeira e as outras como falsas. O mesmo para as outras propriedades como forma e textura.

Para cada propriedade da mesa, foi percebido como os dados dos sentidos variavam de acordo com mudanças que afetavam o observador, por exemplo a posição em que a observação é feita e a forma como a luz incide sobre o objeto e chega no observador. Estruturamos a seguir o argumento utilizado para defender que as propriedades percebidas pelo observador (P) não são inerentes ao objeto observado.

  • Premissa 1) Não é possível afirmar qual P é uma característica da mesa;
  • Premissa 2) P varia conforme o observador;
  • Conclusão: P não é inerente ao objeto físico.

russell afirma que P não é inerente ao objeto físico pois as variações na observação e os dados do sentido obtidos mostram que a sensação que temos desta propriedade é algo que depende da relação entre observador, objeto físico e o ambiente da observação. Assim, russell vê como conclusão lógica que a propriedade percebida não pode ser inerente ao objeto físico.

Portanto, o que percebemos como propriedade do objeto é uma aparência. Caso o objeto físico realmente exista (o que será discutido no capítulo 2 do livro), o conhecimento sobre ele deve ser inferido levando-se em conta os diferentes dados dos sentidos, ou seja, o conhecimento não é obtido de forma imediata.

Sejam muito bem-vindas(os)! Meu nome é Rodrigo Castilho e tenho 22 anos. Sou movida por conhecer coisas novas e pelo desejo de ver um mundo com mais igualdade, representatividade e aceitação da diversidade. Como graduanda em filosofia e colunista do EducaHelp, felicito a todas e todos que são amigas(os) do saber [filósofas(os)].
COMPARTILHE!

Rodrigo Castilho

Sejam muito bem-vindas(os)! Meu nome é Rodrigo Castilho e tenho 22 anos. Sou movida por conhecer coisas novas e pelo desejo de ver um mundo com mais igualdade, representatividade e aceitação da diversidade. Como graduanda em filosofia e colunista do EducaHelp, felicito a todas e todos que são amigas(os) do saber [filósofas(os)].

Gostou? Deixe uma resposta!