‘Brasil Colônia’: Indústria Açucareira e Escravidão

Quando falamos de “Brasil Colônia” (termo hoje discutido, mas que não vem ao caso agora) a primeira coisa que provavelmente nos vem à mente são os engenhos de açúcar e o trabalho escravo lá existente, e é exatamente sobre isso que falaremos hoje.

Com o mercantilismo sendo a principal relação econômica, cuja qual se baseava no comercio internacional e em políticas protecionistas, as nações europeias estavam sempre em busca de novas produções e novos mercados onde poderiam venda-las. Assim nações colonizadoras tinha certa vantagem, já que suas colônias proviam matéria prima e produção para a metrópole, e ainda era um mercado onde poderiam comercializar seus produtos sem outras influências, fixado pelo chamado Pacto Colonial. Portugal, nada ingênua, também teve o intuito de explorar sua colônia. Depois da exploração do pau-brasil e a noção da escassez dos metais preciosos de fácil acesso, percebem o potencial do plantio nas ilhas e terras banhadas pelo Atlântico, e a partir do século XVI começa o processo de exploração do plantio da cana-de-açúcar.

O objetivo de Portugal era simples: transformar sua colônia num grande produtor de açúcar de modo a abastecer a demanda do mercado internacional e beneficiar-se dos lucros de sua comercialização. O Pacto Colonial fazia com que a colônia fornecesse produtos primários (baratos) e consumisse os produtos manufaturados (caros), assim propiciando-lhes acúmulo de riquezas. Se não bastassem essas vantagens garantidas pela colônia, Portugal também contou com auxilio da burguesia holandesa, que os emprestavam dinheiro e realizavam a distribuição do açúcar no mercado europeu, dinheiro esse usado principalmente na obtenção de novos escravos.

'Brasil Colônia': Indústria Açucareira e Escravidão

Agora que entendemos o contexto histórico e os fatores motivadores dessa exploração, vamos ver como era a vida na colônia.
A unidade básica das riquezas coloniais era o Engenho, que caracterizava a sociedade escravista do Brasil colonial. Os senhores do engenho e sua família viviam em construções luxuosas chamadas de Casa Grade.  A estrutura era patriarcal, o poder estava concentrado na mão dos homens, principalmente donos de terras e escravos (senhores do engenho), que decidiam a vida de seus filhos, esposas, escravos e funcionários. Esses funcionários eram homens livres, conhecidos como capatazes, assalariados pelo engenho (entre os homens livres também se encontravam artesãos, agregados e funcionários públicos), mas 99% da produção do engenho vinha da mão de obra escrava trazida da África.

'Brasil Colônia': Indústria Açucareira e Escravidão

Sendo o grupo mais numeroso, os escravos tinham péssimas condições de vida. Eram quem executava os trabalhos mais pesados, viviam em construções rusticas chamadas de senzalas (uma das áreas do engenho), sua expectativa de vida era baixa (30 a 40 anos) graças aos intensos castigos físicos sofridos e sua liberdade era inexistente, mas mesmo assim resistiram à escravidão com revoltas e fugas para a formação dos quilombos.

Além da Casa Grande, da Senzala e do local de plantação da cana, no engenho também encontrávamos outras instalações, como a moenda, a casa das caldeiras e a casa de purgar, que executavam os procedimentos necessários antes do açúcar partir para a Europa (onde sofria mais processos de refinamento).

A exploração do açúcar restringiu a economia, impedindo a formação de novas classes sociais que não estivessem ligadas à produção agrícola e aos senhores do engenho. A ascensão social era inexistente, o que garantia ainda mais o poder da metrópole sobre a colônia.

Nos fica explicito então que a fazenda açucareira vai muito além de uma simples forma de exploração da colônia, como nos mostra Gilberto Freyre em “Casa-Grande e Senzala”, o engenho proporciona um complexo sistema de relações sociais, com hábitos e costumes próprios, que trouxeram consigo muitos aspectos culturais da sociedade brasileira.

Na segunda metade do século XVII inicia-se o declínio do comércio do açúcar da colônia brasileira. Graças a concorrência do açúcar das Antilhas, que ironicamente também era financiado pelos holandeses, Portugal teve de buscar novas formas de explorar sua colônia. Agora indo mais a fundo em busca de ouro e diamantes, dá inicio a uma nova era econômica.

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
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Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

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