A Civilização Grega (parte III): Período Clássico

O apogeu da civilização grega dá-se durante a época que nomeamos como período clássico, com a consolidação das cidades-Estado de Esparta e Atenas. Tebas, Siracusa e Cerinto, eram outras cidades também importantes da época do esplendor grego.

Enquanto isso, na esfera política externa notava-se o ascendimento dos persas. Dominando boa parte da Ásia Menor e o mar Egeu, Dario (o imperador visto no post do Império Persa), encaminhou vários embaixadores às cidades gregas, exigindo reconhecimento e submissão persa por parte das pólis. Algumas cidades submeteram-se a tal domínio, ao passo que Esparta e Atenas resistiram, iniciando às Guerras Médicas.

Invasão persa

Em 490 a.C., os persas iniciam sua ofensiva e invadem a região de Maratona na Ática. Sem ajuda espartana e sendo minoria, os atenienses conseguem repelir a civilização persa da região. Seguidamente, uma tentativa de apoderação persa aconteceu mais ao sul, onde novamente foram expulsos por Atenas. O triunfo ateniense deve-se principalmente aos hoplitas, cidadãos de Atenas que armavam-se por conta própria. Por conta desses embates, as cidades gregaé formularam um acordo para derrotar o inimigo em comum. Tal aliança era liderada por Atenas, Corinto e Esparta (esta ultima também liderava a Liga do Peloponeso).

Durante anos, Xerxes, o novo imperador persa preparou-se uma vingança. Cientes do perigo, os gregos também se fortaleceram. Espartanos precaviam-se cada vez mais com melhores soldados, enquanto Atenas construía os trirremes, barcos céleres que transportavam hoplitas fortemente armados. Essa “segunda fase” da guerra ficou marcada pela nobre batalha das Termópilas (nome do desfiladeiro onde ocorreu a luta), ocasião em que um grupo de aproximadamente trezentos soldados espartanos, liderados por Leônidas, fizeram frente ao exército persa. Contudo, após um tempo foram derrotados permitindo o controle pérsico na região, comitantemente ao saqueamento de Atenas.

Após as batalhas de Salamina, Plateia e Mícale, os gregos sagraram-se vencedores e muitas cidades gregas da Ásia Menor e no mar Egeu, libertaram-se dos persas, aproximando-se de Atenas, que por consequência não agradou os espartanos. Atenas, passou a liderar uma confederação de cidades para se fortalecerem em caso de luta, uma vez que não estavam livres da ameaça persa. Essa conjunção de cidades, ficou conhecida como a Liga de Delos.

As reformas democráticas atenienses

Cada dia mais fortalecida, Atenas e sua esquadra dominavam o Mediterrâneo fazendo muitas cidades curvarem-se perante a sua hegemonia. Efialtes, o novo líder ateniense, efetuou algumas mudanças políticas que favoreciam o povo, como o aumento do poder da Bulé, diminuindo a autoridade do areópago (post em: A civilização grega parte II).

Péricles (461 – 429 a.C.) o novo líder ateniense, reforçou as reformas democráticas, permitindo a entrada de pequenos proprietários no Arcontado, aumentou o poder da Eclésia, além de determinar que os membros da Bulé fossem sorteados entre todos os cidadãos. Criou também uma pequena remuneração (mistoforia) para que os homens pobres pudessem participar da administração pública.

Esse momento é considerado o ápice de Atenas, ocasião em que a administração pública se transforma. Acompanhado a metamorfose da administração pública, tem-se o desenvolvimento exacerbado da cultura, que abrangia a Filosofia, Teatro, Literatura e as artes. Século de Péricles ou Idade de Ouro de Atenas, foi como ficou conhecida essa “era” de subsequentes “mutações” na sociedade ateniense.

Vale ressaltar que este período foi também o auge do escravismo: devido a guerra, milhares de escravos foram recrutados para trabalhar na cidade. Desempenhavam diversos papéis como: lavoura, todo tipo de trabalho manual, mais artesanato e policiamento da cidade. O trabalho escravo era a causa que permitia o domínio ateniense na região da Ática. Pois desta maneira, os cidadãos ficavam ociosos, viabilizando a dedicação às artes, comércio e administração pública.

A riqueza adquirida neste período financiou obras de embelezamento e proteção da cidade. Podemos citar como exemplo, o Parthenon, templo da deusa Atena e as grandes muralhas que cercavam a cidade. O poderio ateniense não agradava as demais pólis, principalmente Esparta, que estava a frente da Liga do Peloponeso.

Esparta x Atenas

A guerra tornou-se irremisível, e em 431 a.C. Esparta intervém num pequeno conflito entre Corinto (sua aliada) e Atenas. Este episódio marca o início da guerra, que desta vez, envolve as demais cidades-Estado da localidade.

Estava em jogo a independência das cidades submetidas a Atenas e o domínio naval que possuíam sobre o Mediterrâneo. Oscilavam-se vitórias de ambos os lados, até que em 421 a.C., as duas cidades assinaram a Paz de Niceas. No entanto, a guerra recomeçou e a pólis espartana assistida financeiramente pelos persas, consegue cercar a cidade de Atenas. Esta acaba rendendo-se, chegando ao fim a democracia ateniense. Apoiados por Esparta, ascendia ao poder os aristocratas.

Esparta consagrou-se vitoriosa, porém a real “campeã” foi a Pérsia, que vingou-se com a ruína de Atenas e da maior parte da Grécia. A cidade ateniense tentou uma reação aproximadamente em 387 a.C., mas as duas pólis assinaram um acordo de paz. Nesse momento, outra cidade-Estado ganhava espaço: Tebas. Aos poucos a cidade de Tebas aumentava seus domínios, ocasionando mais uma vez o descontentamento de Esparta. Os espartanos fazem um ataque a Beócia (região onde localizava-se Tebas). Em 317 a.C., Esparta foi derrotada pelo exército tebano, dando início à hegemonia tebana.

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
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Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

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