A Decadência do Primeiro Império

Após a Confederação do Equador e a guerra na província Cisplatina, a popularidade de D. Pedro I estava em baixa e, para piorar a situação política, a economia não ia nada bem.

O açúcar nordestino não conseguia competir com o açúcar de beterraba produzido na Europa, e a produção nordestina de algodão também ficava atrás no preço e na qualidade do algodão americano. Somada a tudo isso, a dívida externa brasileira aumentava a cada dia em virtude dos constantes empréstimos ingleses.

Como se não bastassem todos esses problemas internos, D. João VI havia morrido em Portugal em 1826. O herdeiro legítimo seria D. Pedro, porém, acostumado com o Brasil, abdicou do trono em favor de sua filha Maria da Glória. Como ela ainda era menor, D. Pedro indicou seu irmão D. Miguel, para assumir como regente até que  Maria atingisse a maioridade.

D. Miguel, uma vez na regência de Portugal, autoproclamou-se rei, fato que revoltou D. Pedro e deu início ao conflito entre irmãos. Para mover essa guerra contra o seu irmão, D. Pedro esvaziou os cofres brasileiros, levando a economia à ruína e aumentando o descontentamento do povo. Todos esses conflitos levaram o Banco do Brasil à falência em 1829.

A morte de Líbero Badaró

O envolvimento de D. Pedro na política portuguesa aumentava a participação dos portugueses na política do Brasil. Radicais e moderados esqueceram suas rivalidades e se uniram na oposição ao Imperador. Para piorar a situação, em novembro de 1830 o jornalista Líbero Badaró, grande crítico do governo imperial, foi assassinado em São Paulo por partidários de D. Pedro. O assassinato provocou reações em todo o país. Para tentar acalmar a crise, D. Pedro viajou para Minas Gerais. Os mineiros, porém, prepararam-lhe uma recepção nada agradável. O sino das igrejas tocava o “dobre de Finados” e faixas pretas foram espalhadas por toda Ouro Preto em sinal de luto pela morte de Líbero Badaró.

Em resposta aos mineiros em 13 de julho de 1831, os portugueses do Rio de Janeiro prepararam uma festa para celebrar o retorno do Imperador. Todavia, a população e os políticos mais liberais decidiram impedir a comemoração. Os comerciantes portugueses atiraram garrafas contra os manifestantes, num conflito que ficou conhecido na história como A Noite das Garrafadas.

A “queda” do Primeiro Império

A cada dia o clima antilusitano crescia, e mais pessoas aderiam aos protestos contra os portugueses e D. Pedro. Para reconciliar-se com os brasileiros, D. Pedro nomeou um ministério composto só de brasileiros. Essa atitude, porém, não diminuiu a desaprovação do povo, e então o ministério brasileiro foi deposto e em seu lugar foram colocados outros membros, todos portugueses. Esse ministério ficou conhecido como ministério dos Marqueses.

Pressionado por todos os lados, D. Pedro I abdicou o trono na madrugada do dia 7 de abril de 1831, em favor de seu filho Pedro de Alcântara, de apenas 5 anos de idade. Partiu para Portugal com o objetivo de lutar pelo trono de seu país de origem.

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
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Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

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