A destruição dos sonhos de milhares de estudantes – 2ª aplicação ENEM

O título deste texto está sendo divulgado por muitos estudantes que não têm concordado com o método que o ENEM utiliza (TRI) para avaliação e cálculo das notas das provas.

Vamos ao texto:

A destruição dos sonhos de milhares de estudantes – 2ª aplicação ENEM

Simulador de Notas
“O assunto a ser tratado é a segunda aplicação do Enem. Cerca de 270 mil alunos foram destinados a realizar a segunda aplicação do Enem um mês depois da primeira aplicação em novembro. A ansiedade de esperar mais um mês para a realização da avaliação já abalou os alunos, porém estes acreditavam que a isonomia do exame seria mantida, como prometeu o Ministro da Educação Mendonça Filho, o que não aconteceu.

Sem a isonomia esperada do exame, ao acessarem suas notas, que por sinal atrasaram cerca de um dia, os estudantes da segunda aplicação se depararam com médias muito inferiores aos da primeira aplicação, o que possivelmente inviabilizará o ingresso desses 271 mil estudantes nos cursos os quais se preparam o ano de 2016 todo para ingressar em 2017.

Apesar de ser um método de avaliação eficiente, o TRI precisa que alguns preceitos sejam considerados para garantir a isonomia entre exames, entre eles um espaço amostral razoavelmente igual entre aplicações.

Segundo a Teoria de Resposta ao Item (TRI) o valor de cada uma das questões varia de acordo com o percentual de acertos e erros dos estudantes naquele item. Dessa forma, o valor final da nota nas provas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias está em função da quantidade de acertos dos candidatos que realizaram a prova. Como os candidatos da primeira e segunda aplicação não são os mesmos, é óbvio e estamos lidando com um espaço amostral diferente. Considerando-se então o preceito de isonomia entre todos os candidatos, é muito importante que seja clara as implicações desse espaço amostral diferente na isonomia entre os candidatos das duas aplicações.

Um primeiro fato que podemos analisar é que, na primeira, aplicação tivemos 30% dos candidatos ausentes, no entanto, na segunda a abstenção foi de 39,68% no primeiro dia e, 41,42% no segundo dia. O que levou a esses 10% a mais abstenção na segunda aplicação? Quais as implicações disso para o espaço amostral e, consequentemente, para a isonomia entre os candidatos da primeira e da segunda aplicação? Uma hipótese é a que esses 10% eram menos compromissados com o exame e, caso tivessem o realizado, teriam baixado a proficiência da segunda aplicação acertando menos questões. Portanto, a prova valeria mais.

Analisando-se as escolas ocupadas e, consequentemente, os locais de aplicação que tiveram suas provas adiadas, pode-se perceber que ocorreram em grandes centros urbanos como por exemplo, em muitos casos, em regiões mais desenvolvidas dentro desses centros. Sabe-se que os locais de provas são definidos baseando-se na localização dos alunos, então, se os locais de provas estavam em regiões mais desenvolvidas e entendendo desenvolvimento como mais acesso a educação, seja ela pública ou privada, é de se supor que os candidatos que realizaram a prova nesses locais têm mais acesso a educação. Dessa forma, com candidatos mais capacitados, a segunda aplicação exigiria um número maior de acertos que na primeira para que se obtenha a mesma nota. Com isso, mais uma vez a isonomia do exame é quebrada e prejudica os candidatos da segunda aplicação.

Também tivemos menos treineiros na segunda aplicação. Qual é o perfil de respostas dos treineiros? Eles são menos ou mais proficientes? Ainda que alguns treineiros tenham um bom desempenho, no geral, ainda não atingiram o desempenho máximo já que ainda não cursaram o último ano do ensino médio. Dessa forma, se uma porcentagem menor de treineiros fizeram a segunda aplicação, é de se esperar que menos candidatos com menor proficiência fizeram a segunda aplicação, o que, evidentemente, implica que a proficiência dos candidatos que fizeram a segunda aplicação foi maior. E, consequentemente, com o maior número de acertos dos candidatos, o valor real da prova foi menor.

Qual é, portanto, a significância da Teoria de Resposta ao Item (T.R.I) no exame? Bem, quando utilizado para avaliar um único espaço amostral, com a mesma prova, ele é, realmente, o método mais eficaz para avaliação dos alunos. Todavia, quando utilizado para dois exames diferentes, para espaços amostrais diferentes, o método é inviável, uma vez que prejudica alguns candidatos em detrimento de outros, já que os estudantes pleiteiam uma mesma vaga com métodos avaliativos diferentes. Consideremos também, baseando-se em estatística, que quanto maior o espaço amostral de uma amostragem, maior a eficiência da técnica, portanto, a avaliação dos alunos da 1ª aplicação foi muito mais eficiente do que a da 2ª aplicação, pois apresentou um rol cerca de 30 vezes maior que o outro.
Dessa maneira, é com pesar que vemos (diante de várias evidências), alunos com desempenhos muito bons na 2ª aplicação, com notas de alunos de desempenho mediano na 1ª aplicação. Como poderiam, então, esses candidatos prejudicados pleitearem a mesma vaga com alunos que foram mais bem avaliados?

O intuito da indignação de milhares de estudantes que realizaram a prova em dezembro, é que sejam capazes de disputarem vagas com outros alunos em equidade. Esses alunos clamam por justiça, pelo direito de honrarem seus anos de estudo, sem serem prejudicados pela avaliação falha do exame. É necessário uma solução rápida, a tempo hábil de ser resolvida até o SISU, para compensar todo prejuízo trazido para todos esses alunos que abdicaram-se de várias coisas no seu cotidiano e foram prejudicados pelo descaso do Ministério da Educação. Uma sugestão, que seria facilmente resolvida (se tratado com mais atenção pelo MEC), seria uma bonificação para os estudantes que fizeram a 2ª aplicação no Sisu, como aquelas feitas em algumas universidades com bônus regionais. Acreditamos que uma bonificação seria o suficiente para suprimir todo o problema causado a esses estudantes, e os colocariam a par da disputa com os alunos da 1ª aplicação.
Nós, milhares de estudantes prejudicados pelo exame, agradecemos sua atenção e colaboração. Que isso nos traga justiça. Obrigada.”

Depoimentos

Nós encontramos esse texto em um comentário na nossa página (EducaHelp) no link do artigo O ENEM com os piores resultados. O que aconteceu?

Chegamos até a página no Facebook do Mateus Prado, especialista em ENEM, onde pudemos encontrar mais comentários que incitavam a indignação pela não igualdade da aplicação no mesmo dia das provas do ENEM 2016.

Encontramos também alguns depoimentos que explicam melhor o que o texto acima quer dizer:

Rodrigo Gervou

Ridículo o que o MEC fez com quem fez a 2ª aplicação do enem. Milhares de pessoas prejudicadas por uma incompetência de estatística básica. Acertei 145 questões de 180 e 920 na redação, amigos que fizeram a 1ª tiraram muito mais comparativamente. Um em especial tirou a mesma nota na redação e acertou 27 questões a menos, fiquei com 764, ele com 762, será que 27 questões só valem dois pontos?

Espero que façam alguma coisa a respeito, depois de sofrer 1 ano inteiro estudando dia e noite abdicando de diversas coisas apenas pra passar, descobrir uma semana antes que seu enem foi adiado para um Mês depois, ter que fazer a UERJ e o enem na mesma semana, conseguir os acertos necessários e a nota necessária na redação, ter essa sacanagem do Mec é digno de chorar.

Simulador de Notas

Eric Araujo

Pessoal, eu realizei a segunda aplicação do Enem 2016, acertei 158 questões, minha redação foi corrigida pelos professores, excelentes professores, de onde eu estudava, um me deu 980, e outro 960. Resultado, minha média do Enem ficou 768, o que não condiz nem com a quantidade de acertos, nem com a minha desenvoltura na redação. Para quem não tem muita noção do que isso significa, segue a planilha dos aprovados em medicina na ufg em 2016, com suas quantias de acertos e respectivas notas.

Percebe-se que não tem um candidato que acertou mais questões do que eu, a despeito disso, apenas quatro candidatos possuem a nota inferior a minha.

Não sou só eu que estou nessa situação, varias pessoas que fizeram a segunda aplicação estão reclamando que os acertos não estão condizentes com a média obtida, dentre eles, consegui entrar em contato com Guilherme Borges da Silva, com 151 acertos, e média final 756. Pela tabela, percebe-se que a nota do Guilherme também não condiz com sua desenvoltura na prova. Segue também uma publicação no facebook comentando a injustiça com os candidatos da segunda aplicação.

Não sei se o motivo das notas serem mais baixas apresentado pelo Matheus esta correto, mas a constatação de que as notas na primeira e na segunda aplicação foram muito diferentes para os mesmos números de acertos vem ao encontro da minha nota, e do que venho pesquisando.
Quando olhei minha nota eu já tinha percebido que a isonomia do concurso não foi cumprida, e que vai haver uma injustiça no sisu que se inicia nessa terça feira, onde alunos com notas não comparáveis vão disputar pelas mesmas vagas.

Eu já fui aprovado em medicina, na UFMS, fiz a matricula, mas perdi muitas aulas enquanto estudava para realizar o exame de 2016 visando a uma vaga mais próxima de casa ou uma faculdade melhor, e depois da realização deste, abri mão da minha vaga, acreditando na lisura do processo que eu tinha realizado, porém, a nota que eu recebi não condiz com meu desempenho e com todos os outros anos em que o tri foi aplicado. Já mandei um email pro Inep, que provavelmente não vai ser respondido, agora estou procurando um meio de entrar na justiça cobrando alguma ação do Ministério da Educação ou do Inep para que os estudantes que fizeram a segunda aplicação do Enem, como eu e o Gustavo, não sejam injustiçados com notas que não correspondam ao seu desempenho e possam concorrer pelas vagas que merecem no sisu 2017/1.

Estou publicando isso, por que estou procurando pessoas que também fizeram a segunda aplicação e perceberam que a nota esta incompatível com a quantidade de acertos, se você é um desses, me contate, e vamos correr atrás dos nossos direitos. Se você conhece alguém que fez a segunda aplicação, diga a ele que se ele se sente injustiçado, tem gente que também se sente, e que essas pessoas não vão ficar sentadas enquanto injustiças são cometidas. Diariamente no nosso país, várias pessoas são injustiçadas, e isso não muda, por que não corremos atrás dos nossos direitos, temos que mudar isso, vamos começar por aqui.

Gustavo Bednarczuk

Cara,mais um injustiçado mas creio que nada vai ser feito,rolou uma sacanagem tremenda.33 em linguagens ,627. Humanas 35 ,Cienc Nat 37 ,699 e 712 respectivamente. O que eu fui mais baixo foi mat,com 24 e me dão 709.Minha redação que eu tinha feito com o mesmo tema para meus professores,recebi 900, enquanto os corretores do Enem me deram 720! Minha média ddeveria ser um 750…mas to vendo que medicina com essa palhaçada,já era…

Anna Beatriz

Pois é! Achei que era só comigo! Fiquei indignada ao ver que tinha tirado 560 na nota de linguagens, visto que, eu tinha acertado 30 questões. Enquanto outras pessoas tiraram notas bem maiores com quantidade de acertos bem menores que as minhas. É um absurdo pra uma pessoa que estudou o ano inteiro sofrer dessa injustiça porque fez a prova da 2 aplicação.

João Alexandre dos Santos Costa

Pois é. Eu fiz a 2ª aplicação e também fui prejudicado, acertei 30 questões em linguagens e fiquei com 580, nota de pessoas que acertaram só 15 na 1 aplicação. Uma vergonha. E quando se acerta 35 questões em humanas e fica com 698, pode-se dizer o que?

 

Se você tem algum depoimento que queira compartilhar e ao mesmo tempo indagar uma resposta do nosso governo, compartilhe no comentário, isso nos dá liberdade de colocá-lo na publicação para reunir o máximo de depoimentos demonstrando o desrespeito com a segunda aplicação do ENEM 2016.

Artigo em construção! Aguardando comentários. Publique o seu texto para ele aparecer nos depoimentos.

Estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Atualmente mora em Londrina. É um dos responsáveis pela fundação do EducaHelp, plataforma de desenvolvimento de conteúdos para Pré-Vestibular.
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Lucas Montini

Estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Atualmente mora em Londrina. É um dos responsáveis pela fundação do EducaHelp, plataforma de desenvolvimento de conteúdos para Pré-Vestibular.

4 comentários em “A destruição dos sonhos de milhares de estudantes – 2ª aplicação ENEM

  • 11 de fevereiro de 2017 em 14:15
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    Este ENEM 2016 foi e está sendo um escândalo! Como o MEC e o INEP fazem isso com os candidatos? Alguém sabe de uma ação coletiva?

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  • 25 de janeiro de 2017 em 12:52
    Permalink

    Pois é. Eu fiz a 2ª aplicação e também fui prejudicado, acertei 30 questões em linguagens e fiquei com 580, nota de pessoas que acertaram só 15 na 1 aplicação. Uma vergonha. E quando se acerta 35 questões em humanas e fica com 698, pode-se dizer o que?

    Resposta
  • 23 de janeiro de 2017 em 20:52
    Permalink

    Cara,mais um injustiçado mas creio que nada vai ser feito,rolou uma sacanagem tremenda.33 em linguagens ,627. Humanas 35 ,Cienc Nat 37 ,699 e 712 respectivamente. O que eu fui mais baixo foi mat,com 24 e me dão 709.Minha redação que eu tinha feito com o mesmo tema para meus professores,recebi 900, enquanto os corretores do Enem me deram 720! Minha média ddeveria ser um 750…mas to vendo que medicina com essa palhaçada,já era…

    Resposta
  • 23 de janeiro de 2017 em 20:05
    Permalink

    Pois é! Achei que era só comigo! Fiquei indignada ao ver que tinha tirado 560 na nota de linguagens, visto que, eu tinha acertado 30 questões. Enquanto outras pessoas tiraram notas bem maiores com quantidade de acertos bem menores que as minhas. É um absurdo pra uma pessoa que estudou o ano inteiro sofrer dessa injustiça porque fez a prova da 2 aplicação.

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