Emancipação Política do Brasil (parte II): Os Conflitos pela Independência e o Reconhecimento Externo

Os conflitos pela independência

AS lutas, no Brasil, não tiveram a mesma intensidade que as da América Espanhola; em algumas províncias, contudo, as armas foram necessárias para efetivar a independência.

Essas lutas foram mais violentas no Norte e Nordeste, com destaque para Bahia, Maranhão, Piauí e Grão-Pará. Na maioria desses conflitos, o Brasil recebeu ajuda de tropas inglesas. No Grão-Pará, a luta foi liderada pelo mercenário inglês John Grenfell. Pensando que a região estava a favor dos portugueses, as tropas enviadas por D. Pedro prenderam e mataram centenas de pessoas por engano. O caso mais triste foi o episódio em que Grenfell prendeu 300 pessoas no porão de um navio e mandou jogar cal virgem sobre elas, que morreram todas asfixiadas. Em 1823, todas as tropas portuguesas haviam sido vencidas; faltava então conquistar o reconhecimento dos outros países.

Na província Cisplatina, as tropas portuguesas foram expulsas com a ajuda do almirante inglês lord Cochrane. Dando início, aos conflitos que levariam à emancipação daquela província e ao surgimento do Uruguai.

O reconhecimento externo

O primeiro país a reconhecer a independência do Brasil foram os Estados Unidos. “A América para os americanos” era o lema da doutrina Monroe, que apoiava qualquer luta pela emancipação em nosso continente. Contudo, a real intenção dos americanos era poder comercializar diretamente com a América sem a intervenção das metrópoles europeias.

Portugal só reconheceu a nossa independência e 1825, quando impôs as seguintes condições ao Brasil: pagar uma indenização de 2 milhões de libras e conceder a D. João VI o título de Imperador do Brasil.

O Brasil não tinha todo o dinheiro necessário para o pagamento dessa imensa indenização, por isso foi preciso tomar emprestado dinheiro da Inglaterra, ou seja, nosso país já nasceu com uma grande dívida externa.

Os países latino-americanos relutaram em reconhecer o novo país, pois discordavam da sua forma de governo. Todavia, com a importância do Brasil na região, aos poucos foram reconhecendo nossa independência.

A Inglaterra, por sua vez, para reconhecer a independência do Brasil exigiu a renovação do tratado de Comércio e Navegação de 1810, segundo o qual continuava a pagar menores taxas para colocar seus produtos no mercado brasileiro.

É importante lembrar que, mesmo com a independência, a situação social no Brasil continuou a mesma. Nada mudou: os escravos continuaram escravos, os pobres continuavam pobres e os ricos mantiveram-se no poder.

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
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Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

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