Emancipação Política do Brasil (parte I): A Regência de D. Pedro

O período Regencial de D. Pedro

Como vimos, D Pedro permitiu que seu pai levasse todo o dinheiro do Brasil para Portugal, medida que irritou profundamente o povo. Para amenizar a situação e tentar afastar a crise política e econômica, D. Pedro determinou a diminuição das despesas do governo. Baixou os impostos, igualou os salários dos soldados brasileiros ao dos portugueses. Pois, sabia que mais cedo ou mais tarde precisaria da ajuda daqueles.

Com a volta de D. João em 26 de abril de 1821, a burguesia em Portugal passou a lutar pela recolonização do Brasil. Tentava restabelecer seus antigos privilégios e o monopólio comercial que tinha com a Colônia. As Cortes Portuguesas, criadas durante a revolução do Porto e formadas para administrar o país, buscavam enfraquecer a autoridade de D. Pedro e pediam a sua volta imediata para Portugal. Com, um membro da Família Real no comando, seria quase impossível recolonizar o Brasil.

A criação dos primeiros partidos brasileiros

Os brasileiros conscientes de que a volta de D. Pedro levaria à recolonização, uniram-se e formaram o partido Brasileiro. Tal partido, apoiava o Príncipe Regente em suas atitudes contrárias a Portugal.

Outros grupos políticos também surgiram na época. O partido Português, formado por comerciantes e militares portugueses, defendia os ideais da revolução do Porto, que podiam ser traduzidos na volta do Brasil à sua condição de colônia. O partido Radical Liberal, formado por profissionais liberais, concordava com o partido Brasileiro em relação a independência do Brasil, mas era, também, a favor da abolição da escravatura e da adoção do regime republicano como forma de governo.

O partido Brasileiro organizou então um documento, com 8 mil assinaturas, pedindo a D. Pedro que ficasse no Brasil. O Príncipe recebeu o abaixo-assinado no dia 9 de janeiro de 1822 e, comovido com o pedido dos brasileiros, declarou: “Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto, diga ao povo que fico”. Esse dia, que passou a ser chamado de dia do Fico, foi um passo importante na emancipação política de nosso país.

D. Pedro, o Defensor Perpétuo do Brasil

Em maio do mesmo ano, incentivado por José Bonifácio, D. Pedro assinou um decreto. Por sua vez, esse decreto declarava que qualquer ordem vinda de Portugal só passaria a valer no Brasil se ele próprio aprovasse. Ou seja, nenhum mandamento de Lisboa seria aprovado sem o seu “Cumpra-se”. Ainda nesse mesmo mês foi organizada uma festa por membros da maçonaria e políticos brasileiros para condecorar D. Pedro como Defensor Perpétuo do Brasil.

Formou-se, pela primeira vez, um ministério para apoiar as decisões de D. Pedro. Era composto por homens do partido Brasileiro e liderado por José Bonifácio, que se destacou o grande mentor e articulador da independência. Setores políticos mais liberais já articulavam a formação de uma Assembléia Constituinte.

Em agosto, o ministério formulou um documento que dizia que o Brasil estava politicamente separado de Portugal. No entanto, continuava ligado a esse país por laços de família e pela tradição. D. Pedro assinou este documento.

Muitos, porém, discordavam das atitudes de D. Pedro, por isso ele pôs-se a tratar pessoalmente esses problemas. Viajou para São Paulo e deixou no Rio de Janeiro seu ministro Jose Bonifácio e sua mulher, Dona Leopoldina, incumbidos de resolver qualquer problema que viesse a acontecer.

As Cortes Portuguesas enviaram então ao Brasil novos despachos que anulavam todos os atos de D. Pedro e exigiam sua volta imediata. D. Leopoldina e José Bonifácio enviaram esses documentos juntos com cartas, incentivando D. Pedro a proclamar a independência.

O mensageiro, Paulo Bregaro, encontrou o Príncipe Regente, que voltava de Santos, às margens do riacho Ipiranga, nas proximidades de São Paulo. Ao receber e ler os documentos, D. Pedro não hesitou e proclamou a independência do Brasil.

O Príncipe Regente, porém foi proclamado Imperador somente em 1º de dezembro, dia em que completava 24 anos.

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
COMPARTILHE!

Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

Gostou? Deixe uma resposta!