ESCOLA SOCIOLÓGICA ALEMÃ CLÁSSICA (PARTE I): OS TIPOS IDEAIS DE MAX WEBER

Nos textos das últimas duas semanas, estudamos a sociologia francesa de Auguste Comte http://blog.educahelp.com/escola-sociologica-francesa-classica-parte-i-o-positivismo-de-auguste-comte/ e de Émile Durkheim http://blog.educahelp.com/escola-sociologica-francesa-classica-parte-ii-o-funcionalismo-de-emile-durkheim/

O texto dessa semana abordará a sociologia alemã, especificamente a contribuição do sociólogo Max Weber (1864-1920) e a sua sociologia compreensiva. Qual o seu significado? Para isso, necessitar-se-á delinear as “fontes inspiradoras e contribuidoras” do seu pensamento.

No século XIX, a Alemanha ainda não era um “Estado-nação” como a conhecemos hoje (Isso somente foi ocorrer no final do século XIX), mas sim pequenos e médios “reinos”. Isso mesmo. Enquanto a França e a Inglaterra estavam se desenvolvendo industrialmente, o “Reino alemão” vivia, por assim dizer, na “contramão da história”; era um país atrasado e não unificado, como, também, a Itália. Porém, se o povo alemão não era desenvolvido no “plano material”, no “plano das ideias (filosófico)”, durante esse período, exibia os mais altos níveis em correntes de pensamento no campo da filosofia e do direito, basicamente. Uma dessas correntes, talvez a mais famosa, é conhecida como “Idealismo alemão”. Como toda corrente, ela não é apenas de um único pensador, mas sim de um grupo de pensadores que contribuíram, cada um a sua maneira, para ela. No que interessa ao pensamento de Max Weber, destacamos a colaboração do filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) nos estudos sobre o conhecimento, estritamente na relação “sujeito e objeto”, base central do processo de “conhecer”. Para Kant, todo e qualquer objeto do mundo real/concreto somente “toma forma/corpo”, existe de fato, interpretado, compreendido pelo sujeito (abstrato). Kant propõe uma releitura do conceito filosófico do “mundo das ideias” de Platão, no qual o mundo exterior é apenas uma “cópia distorcida” do mundo verdadeiro, que é o “das ideias”. Esse conceito de Kant será importante para entendermos a definição de tipos ideais dentro do pensamento de Max Weber.

Outra influência para Weber é a ascensão do “indivíduo moderno capitalista” que luta pelos seus interesses pessoais. É o “indivíduo acima da classe social” (Será mais bem enfatizado no texto sobre Karl Marx). Esse “lado individual” extremo será destacado para a definição do conceito ação social de Weber.

Essa introdução foi necessária para a explicação de alguns conceitos centrais da análise sociológica de Max Weber. Primeiro, o conceito de tipos ideais. Na definição do autor, os tipos ideais são modelos que existem a priori, servindo como “meios”, “mecanismos metodológicos” que o pesquisador usa para “compreender” a realidade social estudada. Sendo “ideal”, essas “ferramentas de análise” não devem alcançar toda a “amplitude” do objeto estudado, mas, na ótica de Weber, serem “modelos” que auxiliam o sociólogo na sua tarefa de “compreender” a sociedade. Segundo, o conceito de ação social. O autor busca compreender as motivações individuais e sociais que são levadas em consideração pelos indivíduos antes de suas “ações sociais”. São elas:

Ação social racional com relação a fins: Quando o indivíduo move a sua ação por algum fim ou um objetivo a ser alcançado, procurando racionalmente os melhores meios para atingi-lo;

Ação social racional com relação a valores: Quando as ações individuais são motivadas por algum valor ético e/ou moral. Ex.: O ditado popular “Vou trabalhar, pois o trabalho enobrece o homem”;

Ação social afetiva: Quando as ações individuais são motivadas pelas emoções. Ex.: Raiva, Ódio, Piedade, Pena, Carinho, Vingança, etc.;

Ação tradicional: Quando as ações dos indivíduos são motivadas pelo “costume”, pela “tradição” (Cultura). Ex.: Faço isso porque sempre fizeram desse jeito. Ou, porque as “coisas são assim”.

Terceiro, o conceito de tipos de dominação. Para entendê-lo, faz-se necessário conceituar como Max Weber compreende o poder. Na sua concepção, grosso modo, o “poder” pode ser definido como “imposição da vontade de uma pessoa ou de um grupo sobre a vontade dos outros”. Assim, os “tipos de dominação (obediência de um determinado grupo de pessoas) weberianos” é uma ferramenta de “tipo ideal” para compreender a relação entre “dominantes e dominados”, seja no âmbito da política, no âmbito da religião, etc… São eles:

Tradicional: É quando a dominação é exercida pelos “costumes”, pela “tradição”, enfim, pelas “tradições culturais”;

Carismática: É quando a dominação ocorre pelo “carisma pessoal” do líder, entendido como uma pessoa ou um grupo de pessoas;

Racional Legal: É a dominação que caracteriza o mundo moderno, pois ela se concretiza não em “traços pessoais de um líder” ou em “valores tradicionais”, mas sim em “princípios legais”. Ou seja, as leis de um Estado e a sua Constituição (Carta magna), exercem a dominação de natureza impessoal.

Importante salientar que, para Max Weber, esses “tipos ideais” podem existir separadamente, ou mesmo coexistir uns com os outros, dependendo da realidade social que o pesquisador social está investigando.

 

No próximo post a nossa “nave investigadora” continuará na sociologia alemã, especificamente nas contribuições do sociólogo Georg Simmel. Aguardem!!

 

INDICAÇÕES DE LEITURA (OBRAS DO PRÓPRIO PENSADOR)

– A ética protestante e o espírito do capitalismo;

– Economia e Sociedade: Vol. 1 e Vol. 2;

– Ciência e Política: Duas vocações.

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.
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Kassiano César de Souza Baptista

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.

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