ESCOLA SOCIOLÓGICA FRANCESA CLÁSSICA (PARTE I): O POSITIVISMO DE AUGUSTE COMTE

Antes de qualquer coisa, faz-se necessário apontar que o positivismo, como corrente filosófica de conhecimento é caracterizada pelo rigor científico do método, ou seja, o Homem (sujeito) utiliza-se de uma lógica racional, metodológica e científica para interpretar os fenômenos apresentados pelo meio natural e/ou social. Outra característica do positivismo é, através do “método racional científico”, fazer projeções futuras e modelos racionais a serem usados. Essa corrente de pensamento, principalmente, surgiu a partir de estudos, no século XVI, de Francis Bacon (1561-1626) e René Descartes (1596-1650).

Sendo assim, Auguste Comte (1798-1857) se apropria desse modelo de “método científico”, basicamente criado e estruturado para as ciências naturais (ditas duras), aplicando-o e adaptando-o aos fenômenos da sociedade (Não podemos esquecer que a Sociologia não existia, até então, como ciência). Com isso, Comte procurava criar um “rigor metodológico racional” para a nova ciência que ia surgir no século XIX, denominada por Comte de “Física social”. Uma das características do positivismo de Auguste Comte é a divisão em “estados de desenvolvimento das sociedades”, nos quais todas as sociedades mundiais de alguma forma eram organizadas, respeitando uma crescente evolução. São três: Estado primitivo (organização social precária), Estado teológico (organização social e política através da religião) e Estado positivo/racional e científico (organização social e política pela razão humana e criação das leis). Outra característica do seu positivismo, estando ligada diretamente com ela, é a definição do “progresso social e humano através da ordem”. Ou seja, as sociedades somente conseguem evoluir e chegar ao estado racional e positivo, que na época dele a Europa era o continente que estava mais próxima disso, se tiver “ordem e progresso”, um dependente do outro.

Importante ressaltar que esse é o lema da bandeira brasileira criada a partir de proclamação da república em 1889, motivada por pessoas afinadas com essa concepção de pensamento. Agora, em 2016, com a presença definitiva de Michel Temer na presidência da república, a frase “ordem e progresso” tornou-se “mantra nacional”, identificando o seu governo provisório caracterizado por polêmicas e aprovação a “toque de caixa” de medidas de austeridade, na visão do governo e de seus apoiadores, necessárias para o Brasil voltar a crescer e, consequentemente, se desenvolver. Novamente a “ordem e o progresso”…

 

No próximo post abordarei a contribuição do francês Émile Durkheim. Aguardem!!

 

INDICAÇÕES DE LEITURA (OBRAS DO PRÓPRIO PENSADOR)

– Curso de Filosofia Positiva;

– Discurso sobre o espírito positivo.

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.
COMPARTILHE!

Kassiano César de Souza Baptista

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.

Gostou? Deixe uma resposta!