ETNOCENTRISMO E RELATIVISMO CULTURAL – DUAS POSTURAS SOCIAIS NO TRATAMENTO DAS CULTURAS

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A aula dessa semana é a segunda de uma série de aulas que tem como eixo central o estudo do seguinte tema: Cultura e diversidade cultural. Antes de iniciarmos, faz-se necessário salientar que nós, humanos racionais, somos os únicos seres na natureza criadores de linguagem, portanto, criadores de cultura. Todavia, não somos seres “divisíveis”, compartimentados em “caixas”, sendo “uma coisa ou outra”, como nos ensina uma tradição “cartesiana/ positivista”. Pelo contrário, somos “totais”, complexos, com idiossincrasias socioculturais e individuais. Importante destacar isso, pois ao nos relacionarmos, interagirmos com outras culturas, diferentes da nossa, estamos lidando como e com “indivíduos totais”, tendo qualidades, defeitos e, principalmente, percepções do mundo muitas vezes contraditórias. Esse esclarecimento nos ajuda a entender melhor o tema da presente aula na sua complexidade.

Nas Ciências Sociais, particularmente na Antropologia, existem basicamente duas formas, duas maneiras de nos relacionarmos com culturas diferentes: Etnocentrismo e Relativismo Cultural.

O Etnocentrismo (etno = etnia/ povo/ cultura; centrismo = centro), grosso modo, é uma postura sociocultural de interagir com a cultura diferente tendo a sua  própria cultura como referência. Em outras palavras, é quando “não nos colocamos no lugar do outro” e julgamos a sua cultura (Modos de sobrevivência) como inferior à nossa, julgando-nos superiores como povo e cultura. Essa forma de postura é preconceituosa. Exemplos de posturas etnocêntricas: Eurocentrismo e Egocentrismo. No primeiro exemplo, eurocentrismo, refere-se ao fato do povo europeu achar-se o centro do mundo “civilizado”, julgando-se, assim, superior aos outros povos do mundo, ditos como “primitivos” e “selvagens”. Essa foi a lógica do passado que perdura, em muitos aspectos, até os dias atuais. No segundo exemplo, egocentrismo, refere-se ao fato de um indivíduo particular achar-se o “centro do mundo”, como sendo o seu modo de viver e interpretar o mundo, ou seja, a sua cultura, “melhor”, “superior” aos outros indivíduos de diferentes culturas.

O Relativismo cultural é o contrário do etnocentrismo. É uma postura sociocultural de mais do que apenas de tolerância, mas de respeito com a cultura do outro, diferente da sua. Ou seja, é quando “nos colocamos no lugar do outro” antes de julgar a sua cultura, o seu modo de vida. Essa postura é combativa ao preconceito, ao compreendermos que existem vários povos no mundo e, consequentemente, várias formas de se viver em sociedade e convivermos uns com os outros.

Por fim, a aula dessa semana tem um viés político e humano explícito. Num mundo onde a intolerância e o desrespeito com a cultura do outro (Religião, Política, Música, Time de futebol, Opções de vida, etc) crescem absurdamente, lutar por uma melhor convivência entre as pessoas (Não deveria ser!), como ressaltei numa outra aula intitulada Em defesa da convivência social, é firmar uma posição relativista.

Que seja essa uma postura, uma luta de todos nós!

 

Para ler as aulas anteriores, clique no link abaixo:

Blog EducaHelp – Sociologia

Humano – O Filme (Apresenta a diversidade humana)

 

INDICAÇÕES DE LEITURA

– CUCHE, Denys. A noção de cultura nas ciências sociais. Editora Edusc.

TOMAZI, Nelson D. Sociologia para o ensino médio. Editora Saraiva.

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.
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Kassiano César de Souza Baptista

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.

7 comentários em “ETNOCENTRISMO E RELATIVISMO CULTURAL – DUAS POSTURAS SOCIAIS NO TRATAMENTO DAS CULTURAS

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