FUNDAMENTOS DA REFLEXÃO SOCIOLÓGICA E PENSAMENTO DE AUGUSTO COMTE

Primeiramente, ao se pensar acerca da existência do sociólogo e matemático Augusto Comte, é muito comum associar seus trabalhos e pesquisas acadêmicas, aos primórdios da própria ciência social permeada pelo meio político. A sociologia foi descoberta e (re) descoberta por este cientista de grande notoriedade. Comte em suas linhas de raciocínio, bem como teses, mostrava-se bastante polêmico, controverso e possuía concepções científicas bastante antagônicas dos principais nomes em âmbito científico de sua época.

Nesse sentido, a proposição da chamada física social, que correlaciona às leis imutáveis do universo e que a certo modo, segundo sua concepção, sequer depende exclusivamente dos seres humanos, mas que de acordo com a matéria da física em si, possui leis imutáveis, o sistema social, no caso, a sociedade de algum modo, muito se assemelha a esta física, só que de maneira menos quântica e sim de características sociais. Destarte, para Comte, a ordem representava à obediência as ditas leis sociais, desse modo, sustentava a tese de que se cada indivíduo cumprisse o seu dever social, isto permitiria superar o estado de desordem, superando as revoluções causadas à época.

O pensamento positivista de alguma forma reflete a questão da física social, justamente porque visa às relações imutáveis e fenômenos físicos, elucida a correlação entre tais vertentes e orienta no sentido da pesquisa e da análise particularizada, mas não necessariamente empírica de fatos, acontecimentos ou fenômenos.

Destarte, evidencia-se que o pensamento positivista ressalta acerca da investigação da realidade, bem como da utilidade e determinismo, da verdade. De modo que, no campo político e no social, a espiritualidade representa os sapientes, já os cientistas de poder material ficam a cargo do controle efetivo de grandes indústrias. O que demonstra um ponto de vista conservador do pensamento de Comte e bastante despreocupação de mudanças do quadro social de sua época.

Augusto Comte, também defendeu, sobre a classificação das ciências, o seu desenvolvimento ser diferenciado e que dificilmente haveria a compreensão plena de todos os seus fenômenos e objetos particularizados, nesse caso, utiliza-se a classificação das ciências como em maior ou menor simplicidade de compreensão e entendimento. Os de maior complexidade estabelecem a matemática, física, química, astronomia, biologia e sociologia. Nesse sentido, a sociologia seria a ciência que complementaria totalmente o entendimento e compreensão das demais ciências.

Posterior a esta concepção conclusiva do pensador, deu-se origem acerca da distinção dos termos de estática e dinâmica sociais. A primeira pode ser entendida como as condições constantes da sociedade; já a segunda como as leis de seu progressivo desenvolvimento. De modo que, a estática representa a ordem e a dinâmica o progresso social. Então, de acordo com sua concepção a dinâmica subordina-se à estática, na medida em que se percebe que através da ordem constrói-se o progresso e o bem–estar social, sobretudo, no que tange ao bom relacionamento entre os grupos sociais. Nesse sentido, estudar tais grupos sociais sob a ótica da transformação social resultaria no entendimento desta subordinação de Comte, na medida em que se entendesse a correlação entre a ordem e o progresso social, e sua aplicabilidade na transformação destes grupos.

Nesse sentido, os setores da sociedade brasileira que começaram a introduzir o pensamento positivista no Brasil, foram referidos à época do segundo Império, por volta de 1850 por estudiosos brasileiros que estavam na França e retornaram ao Brasil, os intelectuais políticos, da cúpula monárquica, bem como membros do Estado e também da Igreja.

Notório salientar o impacto do positivismo e sua correlação com a própria identidade brasileira, e a influência máxima de Augusto Comte em símbolos nacionais como o lema da bandeira nacional, a separação da Igreja e do Estado, casamento civil, decreto de feriados, liberdade religiosa e profissional, proibição do anonimato na imprensa, a figura emblemática gaúcha de Júlio de Castilhos no Rio Grande do Sul, representante positivista político mais consagrado. Enfim, o positivismo marcou e ainda marca grandes conquistas políticas do Brasil.

 Assim, os argumentos utilizados para o apoio do positivismo para a afirmação do determinismo social se baseiam essencialmente, quando as ciências subordinam-se ao olhar social.

Neste sentido, uma das principais contribuições de Comte para a constituição da sociologia, além é claro, do ideal positivista, pode ser atribuído ao desenvolvimento das ciências naturais de sua época, bem como um método de estudo científico para aprofundar os conhecimentos acerca da estrutura social, bem como a elucidação da física social e sua aplicabilidade na sociedade e o desenvolvimento dos poderes temporal e espiritual pelo autor.

O pensamento de Comte, bem como suas postulações e descobertas sociológicas são bem aproximadas, mas um tanto diferenciadas das de Karl Marx. Ambos os autores, se baseiam no progresso moral, Comte enfatiza o acordo moral, enquanto Marx o conflito moral. Assim, a conclusão sobre o processo moral recai na análise descritiva dos diferentes tipos de dados. Marx enfatiza o humanismo secular, já Comte o senso comum religioso. Ambos recorrem as suas teorias e interpretações para propagar o conhecimento sociológico ao longo dos séculos.

É por isso que o estudo da sociologia se mostra como essencial na atualidade. É justamente essa ciência social que observa os comportamentos sociais, é que entende com mais propriedade, a estrutura social vigente nas sociedades modernas, mediante análise crítica sobre a economia, aspectos socioeconômicos, culturais e próprios inclusive do mundo político e jurídico.

(Texto produzido por Isabôhr Mizza, professora de sociologia, atuando no triângulo mineiro-MG)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COMTE, Auguste. Cours de philosophie positive. Paris: Alfred Costes Editeur, 1934.

Especialista em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça pela Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (2016). Especialista em Sociologia e Ensino de Sociologia pelo Centro Universitário Claretiano (2014), especialista em Adolescência e Juventude pela Escola de Educação, Tecnologia e Comunicação da Universidade Católica de Brasília (2013), possui especialização em Direito e Inteligência pela Universidade Católica de Brasília (2012). Graduada em Ciências Sociais através da Escola de Comunicação, Educação e Humanidades da Universidade Metodista de São Paulo (2016). É tecnóloga em Segurança e Ordem Pública pela Escola de Humanidades e Direito da Universidade Católica de Brasília (2010). Atualmente é professora de sociologia atuando no triângulo mineiro. É também acadêmica do curso de bacharelado em Direito pela Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e colaboradora colunista do blog EducaHelp na disciplina de sociologia.
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Isabôhr Mizza

Especialista em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça pela Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (2016). Especialista em Sociologia e Ensino de Sociologia pelo Centro Universitário Claretiano (2014), especialista em Adolescência e Juventude pela Escola de Educação, Tecnologia e Comunicação da Universidade Católica de Brasília (2013), possui especialização em Direito e Inteligência pela Universidade Católica de Brasília (2012). Graduada em Ciências Sociais através da Escola de Comunicação, Educação e Humanidades da Universidade Metodista de São Paulo (2016). É tecnóloga em Segurança e Ordem Pública pela Escola de Humanidades e Direito da Universidade Católica de Brasília (2010). Atualmente é professora de sociologia atuando no triângulo mineiro. É também acadêmica do curso de bacharelado em Direito pela Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e colaboradora colunista do blog EducaHelp na disciplina de sociologia.

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