Guerra do Yom Kippur (1973)

Este é o quinto texto sobre o conflito entre Israel e Palestina. Hoje abordamos a Guerra do Yom Kippur (1973) que foi a quarta guerra árabe-israelense, envolvendo o conflito entre aliança dos países árabes (Egito, a Síria e a Jordânia) contra Israel. O fim desta guerra gerou consequências econômicas como a crise do petróleo e o reconhecimento da Organização pela a Libertação da Palestina (OLP).

Para entender o que motivou o início da quarta guerra árabe-israelense é necessário ver os antecedentes desta guerra.

Antecedentes da Guerra do Yom Kippur

Com o fim da terceira guerra árabe-israelense (Guerra dos Seis Dias de 1967), Israel aumentou o seu território anexando a Península do Sinai e a Faixa de Gaza (ambos pertencentes ao Egito), a Cisjordânia e Jerusalém oriental (pertencentes a Jordânia), e as colinas de Golã (pertencente a Síria).

Buscando proteger a Península do Sinai, o governo de Tel Aviv (capital de Israel) construiu a Linha Bar-Lev, uma fortificação ligada por estradas. Esta linha protegia o Canal de Suez (pertencente ao Egito) que é uma região estratégica e de interesse antigo de Israel (lembre-se da Guerra de Suez). A Linha Bar-Lev mostrou que Israel não devolveria a península do Sinai e que estaria disposta a lutar.

Os países árabes que perderam seu território, ao perceber que não recuperaria pacificamente seus territórios, organizaram um contra-ataque militar a Israel. Este contra-ataque desencadeou a Guerra de Yom Kippur (1973).

A Guerra do Yom Kippur (1973)

No dia 6 de outubro de 1973 as forças egípcias e sírias atacaram Israel. Esta data do ataque, simboliza para Israel como a mais sagrada do calendário judaico, e chamada de Dia do Perdão (em hebraico significa Yom Kippur). Na história é discutido se de fato o ataque árabe foi uma coincidência ou intencional. Independente do fato, a guerra árabe-israelense é tomada por excessos e estratégias de guerra.

Por ser uma data sagrada, as forças de Israel foram atacadas de surpresa, tendo os soldados israelenses fora de seus postos de observação. Com o ataque surpresa, as forças egípcias recuperavam a Península do Sinai e as forças sírias reocupavam as Colinas de Golã.

Mesmo com a surpresa, o exército israelense com a superioridade de força aérea e infantaria atacou o Egito e a Síria. Nesse momento, Jordânia apoia o governo sírio e entra na guerra.

No dia 25 de outubro o conflito terminou com um cessar-fogo convocado pelas Nações Unidas e pelos países como EUA (que apoiava Israel) e da União Soviética (que apoiava os países árabes). Mesmo com o cessar-fogo, Israel negou em devolver os territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias de 1967. A Península do Sinai foi somente devolvida para o Egito em 1979 com o Acordo de Camp David, assinado entre Israel e Egito (e com a interferência do EUA).

No dia 26 março de 1979, em cerimônia na Casa Branca, é assinado o primeiro acordo de paz entre um país árabe e Israel. O acordo de Camp David foi feito entre Egito e Israel. Na foto, à esquerda Anwar Al Sadat (líder do Egito), ao centro Jimmy Carter (presidente do EUA) e à direita Menachem Begin (primeiro-ministro de Israel) selam o acordo,

Consequências da Guerra 

A principal consequência da Guerra do Yom Kippur, além do aumento da rivalidade entre árabes e judeus, foi a primeira Crise do Petróleo (1973) protagonizada pelos países árabes em retaliação à Israel.

OPEP e a Crise do Petróleo

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) foi criada em 1960 exigindo maior participação nos lucros da exploração do petróleo e é formada por vários países produtores de petróleo (maioria são países do Oriente Médio como Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes, Iraque, Irã e Kuwait). Como retaliação da não devolução dos territórios ocupados pelos israelenses, a OPEP restringiu a venda do petróleo para os países que apoiassem Israel para que devolvesse os territórios ocupados. Este embargo provocou um aumento nos preços do barril de petróleo, de US$ 12 (em 1970) para 36 US$ por barril (preço real em 1973). Este aumento derrubou bolsas de valores e contribuiu para a Crise do Petróleo. Esta foi a primeira vez que a OPEP usou como estratégia o petróleo para pressionar politicamente.

A segunda consequência (positiva para os palestinos) foi que a ONU reconhecera em 1974 a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) como defensora dos interesses palestinos.

Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e Yasser Arafat

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) foi criada em 1964 com o objetivo de criar um Estado Palestino independente. Outro objetivo era destruir Israel e recuperar o território ocupado pelos israelenses. A justificativa da OLP se baseava na recuperação do território estabelecido na Partilha da ONU, que fora descumprido pelos israelenses. Nos anos 80, parte da OLP passa a buscar uma pacificação com Israel, mas ainda buscando a criação do Estado Palestino. fonte

Yasser Arafat (1929-2004) foi um líder nacionalista palestino, que presidiu a OLP em 1960. Mais tarde, também foi líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP) – criada na Faixa de Gaza – e do partido Fatah, que ele mesmo fundou em 1959. Yasser Arafat é reconhecido como ter vivido grande parte de sua vida lutando contra Israel e pela autodeterminação dos palestinos. Em 1993, ocorre o Acordo de Oslo, entre Israel (liderado pelo primeiro ministro  Itzhak Rabin) e a OLP (liderado pelo Yasser Arafat) que se reconhece mutuamente e que Israel cede autonomia a Faixa Gaza e Jericó para os palestinos. Pelo feito no Acordo de Oslo, Yasser Arafat e Itzhak Rabin, recebem o prêmio Nobel da Paz em 1994, por seus esforços em estabelecer a paz no Oriente Médio.fonte.

Em 13 de setembro de 1993, o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin (à esquerda), o líder palestino Yasser Arafat (à direita) e o presidente dos EUA, Bill Clinton (ao centro), assinam o Acordo de Oslo.

Com o reconhecimento da ONU, a palestina passa a ter uma organização política reconhecida no cenário mundial possibilitando acordos políticos entre judeus e palestinos com a intenção de evitar novos conflitos armados. Em 1981, Yasser Arafat foi recebido em Madrid (Espanha) como chefe de Estado pela primeira vez por uma nação europeia (fonte).

Infelizmente, mesmo com o reconhecimento da OLP e dos esforços de Yasser Arafat, a paz entre palestinos e israelenses nunca existiu, estendendo a guerra até hoje.

Na próxima semana

Na próxima semana tratamos sobre a Intifada que foi uma reação popular da palestina contra Israel.

Leia mais: aqui no Educa help foi publicado um especial com textos sobre o Conflito entre Israel e Palestina, destacando a origem do conflito entre judeus e palestinos para compreender os problemas presentes até hoje na região, confira os demais textos acessando aqui.

Saiba mais

Livros

PARKER, Philip. O nascimento de Israel. In: ______. Guia ilustrado Zahar: História Mundial. Tradução: Maria Alice Máximo. Rio de Janeiro: ZAHAR, 2011. p.384.

SAID, Edward. A questão da Palestina. São Paulo: Editora Unesp, 2012.

VISENTINI, Paulo Fagundes. A Guerra Fria, a ONU e a Pax Americana (1945-1961).  In: Manual do candidato: história mundial contemporânea (1776-1991): da independência dos Estados Unidos ao colapso da União Soviética. . 3ª edição. Brasília: FUNAG, 2012. 283p.

Livros didáticos sobre o conflito (PH, Objetivo e Anglo).

Sites sobre Guerra do Yom Kippur, OLP e Yasser Arafat

ALTMAN, Max. Hoje na História: 2004 – Morre Yasser Arafat, Nobel da Paz e líder da resistência palestina. Opera Mundi. 11 de novembro de 2013. Disponível em: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/historia/32353/hoje+na+historia+2004+-+morre+yasser+arafat+nobel+da+paz+e+lider+da+resistencia+palestina.shtml

ESCOLA BRITANNICA. Organização para a Libertação da Palestina. Disponível em: http://escola.britannica.com.br/levels/fundamental/article/Organiza%C3%A7%C3%A3o-para-a-Liberta%C3%A7%C3%A3o-da-Palestina/482147

FRAZÃO, Dilva. Biografia de Yasser Arafat. EBIOGRAFIA. 31 de julho de 2012. Disponível em https://www.ebiografia.com/yasser_arafat/

HIJO, Marvin Edgar Rios Guerra. Yom Kippur: Uma Derrota Vitoriosa. RICRI.v.3, N.5. 2015. pp.112-123.

PINTO, Tales. Guerra do Yom Kippur e a Crise do Petróleo. História do mundo. Disponível em: http://historiadomundo.uol.com.br/idade-contemporanea/guerra-do-yom-kippur-e-a-crise-do-petroleo.htm

SEU HISTORY. Começa a Guerra do Yom Kippur. Disponível em https://seuhistory.com/hoje-na-historia/comeca-guerra-do-yom-kippur

SEU HISTORY. Morre o Líder Palestino Yasser Arafat. Disponível em https://seuhistory.com/hoje-na-historia/morre-o-lider-palestino-yasser-arafat

SOUSA, Rainer. GUERRA DO YOM KIPPUR. BRASIL ESCOLA. Disponível em: http://guerras.brasilescola.uol.com.br/seculo-xx/guerra-yom-kippur.htm

Sites sobre Guerra dos Seis Dias 

AFP. Há 50 anos começava a Guerra dos Seis Dias. ISTOÉ. 02 de junho de 2017. Disponível em: http://istoe.com.br/ha-50-anos-comecava-a-guerra-dos-seis-dias/

CONIB. Em 29 de novembro de 1947, ONU aprovou a Partilha da Palestina. Os judeus a aceitaram; os árabes, não. CONIB. 27 de novembro de 2015. Disponível em: http://www.conib.org.br/noticias/3094/em-29-de-novembro-de-1947-onu-aprovou-a-partilha-da-palestina-os-judeus-a-aceitaram-os-rabes-no

FERNANDES, Claudio. Guerra dos Seis Dias. História do mundo. Disponível em: http://historiadomundo.uol.com.br/idade-contemporanea/guerra-dos-seis-dias.htm

MARCOS JUNIOR. Guerra dos Seis Dias – Resumo sobre suas causas. ESTUDO PRATICO. Atualizado em 29 de setembro de 2016. Disponível em: https://www.estudopratico.com.br/guerra-dos-seis-dias-resumo-sobre-suas-causas/

NERDOLOGIA. A Guerra dos Seis Dias. Duração de 8 min e 57 segundos. Disponível em : https://www.youtube.com/watch?v=ptTZKSpZn14

Graduado e mestre em Geografia pela Unesp, campus de Presidente Prudente (SP). É atualmente professor de geografia em escolas particulares e públicas e professor de geopolítica em cursinho preparatório para vestibular. Escreve no Geografia no Vestibular e no Educa Help.
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Leandro Nieves

Graduado e mestre em Geografia pela Unesp, campus de Presidente Prudente (SP). É atualmente professor de geografia em escolas particulares e públicas e professor de geopolítica em cursinho preparatório para vestibular. Escreve no Geografia no Vestibular e no Educa Help.

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