A Crise do Feudalismo e a Guerra dos Cem Anos

A crise do Feudalismo

As técnicas utilizadas nas plantações e na criação animal da idade média, mesmo tendo evoluído, não eram muito sofisticadas. Com o crescimento populacional, o campo já não dava conta de suprir as necessidades alimentícias de toda a população. Assim, entre 1315 e 1317, a Europa passou por um período escasso de alimentos, conhecido  como A Grande Fome, quando alguns milhões de pessoas morreram.

Em 1348, abateu-se sobre a Europa uma epidemia de peste bubônica, vinda, ao que tudo indica, do Oriente, chamada de Peste Negra e causada pela picada das pulgas, que transmitiam a doença dos ratos. Como sabemos, as cidades medievais não eram higiênicas. As casas de todas as camadas sociais eram infestadas de ratos e insetos, e assim a Peste Negra dizimou mais de 30% de toda a população europeia.

A Guerra dos Cem Anos

A principal guerra ocorrida durante o feudalismo foi a chamada guerra dos Cem Anos, entre entre 1337 e 1453, envolvendo França e Inglaterra. As violências iniciaram por dois motivos: a disputa pela região de Flandres e a sucessão do trono francês.

Carlos IV, rei da França, morreu sem deixar descendentes diretos (1328). Dois eram os nomes que poderiam sucedê-lo: Filipe de Valois, sobrinho de Filipe, o Belo; e Eduardo III, rei da Inglaterra e neto de Filipe, o Belo, pelo lado materno. Os nobres franceses, para não se submeterem ao poder da Inglaterra, valeram-se de uma lei medieval chamada de Lei Sálica, que dizia que a descendência do trono não poderia ser herdada pela linha materna. Assim, coroaram Filipe de Valois como rei da França. Nomeado como Filipe IV, sua coroação marca o início dos conflitos entre a França e Inglaterra.

Na realidade, não foram anos contínuos de guerra, pois se alternaram com alguns até longos períodos de aparente paz. Porém, no conjunto do tempo, efetivamente houve um total de 55 anos de guerra, da qual esses países saíram totalmente destruídos.

No primeiro momento de guerra (1337-1422), os ingleses saíram vitoriosos e impuseram, em 1360, a Paz de Brétigny, pela qual ficavam com boa parte do território francês.

A crise francesa

A França passou então por uma fase de extrema crise. A fome, a peste e a guerra tornavam a vida ainda mais penosa. Não tardou muito, e os camponeses se organizaram e lutaram por melhores condições de vida. Essas rebeliões ficaram conhecidas como jaqueries, em alusão a Jacques Bonhomme (o João Ninguém), expressão utilizada pela nobreza para denominar os camponeses. Essas revoltas foram sufocadas pela nobreza, que pôde então voltar suas atenções para a Inglaterra.

Quando Carlos V assumiu o poder da França, em 1364, os conflitos com a arquirrival Inglaterra reiniciaram-se.

Houve então período de vitorias francesas proporcionadas pela unificação de todo o exército do país. Contudo, com a morte de Carlos V, duas famílias iriam lutar pelo poder na França: os Armagnacs e os Borguinhões. Depois de muitos anos de lutas, os Armagnacs venceram, fazendo os Borguinhões aliarem-se à Inglaterra, o que favoreceu uma série de vitórias inglesas. Nessa fase, a Inglaterra impôs à França o Tratato de Troyes. Neste tratado, o rei inglês Henrique V assumiria o trono francês. A França ficou então divida em dois reinos: o norte governado por Henrique V, e no sul, reinava Carlos VII.

A partir desse momento a França uniu-se para derrotar e expulsar os ingleses. É então que surge a figura de Joana d’Arc. Dizendo-se enviada de Deus para liderar a França, fez nascer um forte sentimento nacionalista nos franceses. Com isso, a França passou a acumular vitórias e expulsou definitivamente os ingleses de seu território em 1453.

A guerra do Cem Anos teve grande valor para a história política da França, pois efetivou o poder central do rei e deu início à centralização política, característica do Estado moderno.

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
COMPARTILHE!

Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

Gostou? Deixe uma resposta!