A Igreja Medieval: Heresias e Conflitos Religiosos

Como vimos a igreja era a instituição mais importante e mais poderosa na Idade Média. Todas as outras camadas se subordinavam a ela, pois era considerada a representante direta de Deus na Terra. É importante lembrar que a Igreja unificava a sociedade europeia, que no medievo se encontrava dividida politicamente. Portanto, seu papel social era de extrema importância para a sociedade feudal.

Em todos os reinos, havia bispos e mosteiros que controlavam a educação e toda a produção cultural do período. As decisões eclesiásticas eram tomadas em Roma, onde os clérigos se reuniam em concílios. O poder da Igreja, porém, não era somente espiritual. Ela era proprietária de grande quantidade de terras, pois, além de recebê-las como doação, seus principais integrantes provinham de famílias ricas.

A disputa por terras lançava a Igreja em conflitos contra os príncipes e senhores feudais. Um desses principais conflitos foi a chamada Querela das Investiduras. Iniciou-se com a publicação dos “Ditados do Papa”, documento assinado em 1075 pelo papa Gregório VII. Com esse documento, o Papa não mais permitia que os príncipes nomeassem sacerdotes, afirmando ser o único que possuía tal poder. Além disso, o Papa se declarava superior a todos os soberanos da Terra, com poderes para depor qualquer imperador.

Henrique IV  x  Gregório VII

Henrique IV, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, revoltou-se por acreditar que seu poder poderia enfraquecer se não tivesse o apoio dos bispos. Esse rei se reuniu com os bispos de sua confiança para depor o Papa. Contudo Gregório VII antecipou-se e excomungou Henrique IV. Essa atitude causou grandes problemas ao imperador, já que a excomunhão o excluía totalmente da comunidade cristã. Grande parte da sua nobreza passou a não obedecer a suas ordens, forçando o Rei a ir até a Itália se desculpar com o Papa.

Temendo uma ação violenta por parte do Rei, Gregório o aguardou no castelo de Canossa, fortaleza erguida nos montes Apeninos. Um rigoroso inverno se abatia sobre a Europa e, ao chegar, o Papa fez Henrique esperar por três dias em jejum e com os pés descalços sobre a neve. Após essa punição, Gregório VII concedeu perdão a Henrique IV.

Ao voltar para Alemanha, o imperador fortaleceu novamente seu poder e, para se vingar do Papa, organizou um exército e invadiu Roma. Desta forma, Gregório VII é exilado ocasionando a nomeação de um novo Papa para o seu lugar. Clemente III foi escolhido como novo Papa, todavia, posteriormente virou-se contra o próprio Henrique IV.

Apenas 40 anos mais tarde esse conflito foi totalmente resolvido, por meio da Concordata de Worms, assinada por Henrique V e pelo papa Calixto II. A concordata definia que somente os papas poderiam nomear bispos, porém estes só entrariam nos reinos e feudos com o consentimento dos imperadores, após o juramento de fidelidade.

As reivindicações dos “hereges”

Ainda na baixa Idade Média, muitos grupos condenavam a vida de riqueza e ostentação que levavam os membros da Igreja. Entre eles podemos apontar os valdenses, os albigenses e os cátaros. Entre suas reivindicações, essas heresias condenavam a hierarquia eclesiástica, o luxo, a existência do Purgatório e até mesmo o casamento, pois o consideravam um ato de  luxúria.

Para a condenação dos hereges, era utilizado o Santo Ofício da Inquisição, criado em 1231. Esse tribunal julgava os infiéis e os condenavam às mais diversas penas. Durante uma cerimônia pública chamada de Sermão Geral, os castigos eram divulgados para o povo. Entre os castigos da Santa Inquisição, encontravam-se:

  • Excomunhão: o herege estava expulso do catolicismo.
  • Interdito: a população herética era abandonada pela Igreja.
  • Trajes: o herege era forçado a utilizar uma vestimenta que o identificava como pecador.
  • Tortura.
  • Prisão.
  • Fogueira.

A Inquisição foi utilizada como importante instrumento político da nobreza e da Igreja, que muitas vezes denunciavam comerciantes ricos, principalmente judeus para ficar com suas riquezas.

 Foi nesse período que aconteceu o Grande Cisma do Ocidente. É que, em 1309, o papa Clemente V, para se aproximar do rei francês, mudara a capital do cristianismo de Roma para Avignon, na França. Os clérigos em Roma, porém não aceitavam o poder do bispo de Avignon e nomearam outro Papa. Entre 1378 e 1417 a Igreja ficou dividida entre duas sedes. Essa situação só foi resolvida em 1418, com o Concílio de Constância, que definiu Roma como a sede definitiva da Igreja, fato que recuperou a unidade da instituição.

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
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Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

3 comentários em “A Igreja Medieval: Heresias e Conflitos Religiosos

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