A Idade Média Oriental – O Império Bizantino

Como vimos, o imperador romano Constantino havia transferido, em 324, a capital do Império para Bizâncio, antiga cidade grega. Teodósio, em 395, dividiu o império Romano em duas partes. A ocidental com sede em Milão, e a oriental, com sede na antiga Bizâncio, que passou então a ser chamada de Constantinopla.

Com ondas de invasões bárbaras, a parte ocidental do Império se ruralizou, chegando ao fim em 476. O lado oriental, porém, apesar de ser constantemente ameaçado por bárbaros, como os hunos e os eslavos, manteve-se urbano com o poder centralizado. Do século V em diante, o império Romano do Oriente passou a ser chamado de império Bizantino, tendo como língua oficial o grego.

As atividades econômicas foram fundamentais para a estruturação de um governo despótico, com poderes centralizados. O comércio e a manufatura eram, na maioria das vezes, monopólio do Estado. Estado que, centralizava a produção, enriquecendo-se e subordinando toda a população do Império.

A estrutura social das cidades era composta por uma aristocracia formada por grandes proprietários, altos funcionários e membros da corte. Encontravam-se também artesãos, comerciantes, grande quantidade de trabalhadores livres e alguns escravos. No campo, havia grandes latifúndios pertencentes aos dinastas, aqueles que recebiam a propriedade por herança, e aos altos funcionários, que recebiam a propriedade por serviços prestados ao governo e aos mosteiros.

O imperador tinha grandes poderes e governava de forma autoritária e despótica. Ele controlava a administração pública, o exército, e até a igreja, chegando a ser considerado representante de Deus. Por essas características, esse governo foi chamado de cesaropapismo, isto é, com autoridades de César e Papa. É importante lembrar que a religião cristã teve papel fundamental na coesão do Império. A unificação de costumes, crenças e ritos garantiam a centralização.

O governo de Justiniano

O mais ilustre e importante imperador bizantino foi Justiniano (527-565). Em suas mãos, o Império alcançou seu apogeu administrativo e cultural.

Entre os principais feitos de Justiniano, podemos apontar:.

  • O combate à corrupção na gigantesca burocracia, necessária para a administração do Império.
  • A tentativa de reconstruir o antigo império Romano, empreendendo uma série de conquistas de territórios, com expedições que chegaram até a península Ibérica e o norte da África. Contudo, boa parte dessas conquistas foi efêmera, devido à expansão árabe do século VIII.
  • A criação do Corpus Juris Civilis ou Código Justiniano, organizando as leis romanas em três partes. Digesto (conjunto de leis romanas); Institutas (princípios fundamentais do Direito Romano) e  Novelas (novas leis incorporadas por Justiniano).

No campo cultural, Justiniano ordenou a construção de uma das grandes obras arquitetônicas do período, a igreja de Santa Sofia, que consolidava o estilo bizantino e simbolizava o poder do Estado ligado à Igreja.

As campanhas militares e a burocracia estatal geravam pesados impostos sobre o povo, o que fez nascer algumas revoltas pelo Império. A mais famosa foi a Revolta de Nike (em gr. niké = vitória), causada pela miséria e insatisfação do povo com o governo.

 A decadência do Império

Com a morte de Justiniano (565), revoltas e invasões se alastraram pelo Império. Movimentos separatistas surgiam por toda parte, cada dia mais intensos, portanto mais difícil de serem contidos. Os árabes iniciavam sua expansão, as cidades italianas cresciam economicamente e se tornavam rivais dos bizantinos. Até os cristãos, com as Cruzadas, tinham intenção de tomar Constantinopla. O Império entrou em um longo período de decadência e crise que, foi estabilizada durante o governo de Basílio II, no século X.

O império Bizantino conseguiu manter-se até 1453, quando foi invadido e dominado definitivamente pelos turcos otomanos.

O domínio turco causou algumas consequências importantes para a civilização ocidental. Muitos sábios fugiram para as cidades italianas, levando com eles elementos da cultura clássica greco-romana, preservada em Constantinopla. O comércio entre a Europa e a Ásia foi afetado por essa invasão, acelerando a busca por uma nova rota para o Oriente, à procura das especiarias.

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
COMPARTILHE!

Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

Gostou? Deixe uma resposta!