Intifadas: da rebeldia da população palestina ao conflito sem fim

O sexto texto tratamos sobre a Intifada que foi uma reação popular da palestina contra Israel. Ao todo são três Intifadas na Palestina: a primeira ocorreu em 1987-1993, a segunda entre 2000-2005 e a terceira iniciou em 2015.

“Intifada” produzido por Alfandraftsman via Pinterects

Significado da intifada

 Intifada significa em geral revolta. Porém a palavra é ligada a insurreição popular dos palestinos contra o governo de Israel. A esta intifada na Palestina é também chamada de “Guerra das Pedras”, por justamente a população palestina usar como armas as pedras contra os militares israelenses.

Primeira intifada – População palestina arremessando pedras contra militares israelenses

Ao todo são três Intifadas na Palestina: a primeira ocorreu em 1987 até 1993, a segunda entre 2000-2005 e a terceira começou em 2008 e se estende até hoje.

Primeira intifada (1987-1993)

A primeira intifada começou em 9 de dezembro de 1987 quando a população civil palestina, usando apenas paus e pedras, se revoltou contra a opressão dos israelenses. Os militares israelenses, ao contrário dos palestinos (que não usavam armas letais), contra-atacaram com tudo. A intifada e, bem como, a repressão israelense continuaram até 1993.

A Memória Globo relembra estes conflitos:

Em janeiro de 1988, tropas de Israel reprimiram uma manifestação próxima a Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém (o terceiro local mais sagrado do islamismo), matando 30 palestinos.

Em 16 de abril de 1988 houve protesto que terminou com 12 palestinos mortos por forças de Israel, ao protestarem pelo assassinado do dirigente da OLP exilado na Tunísia.

No dia 15 de novembro de 1988, a proclamação simbólica da independência palestina, durante um congresso da OLP na Argélia, foi reconhecida por 14 países, mas rejeitada por Israel e os EUA. Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, civis palestinos tentaram comemorar, mas as festas foram i impedidas por policiais israelenses.

No dia 8 de outubro de 1990, soldados israelenses mataram 21 e feriram 150 palestinos, sendo chamado internacionalmente de Banho de Sangue. No Memória Globo é noticiado sobre o Banho de Sangue: fonte

“De Londres, o repórter Pedro Bial informava que a então URSS, a Comunidade Europeia e até os EUA, tradicionais aliados de Israel, condenaram o uso da força para reprimir os protestos de palestinos desarmados, chamando o confronto de “banho de sangue”. No dia seguinte, o papa João Paulo II se uniria à condenação. Houve protestos ainda na Inglaterra, no Líbano e na Jordânia. A partir de então, o governo de Yitzhak Shamir orientaria seus soldados a usar balas de borracha e gás lacrimogêneo caso os manifestantes não portassem armas de fogo”

http://memoriaglobo.globo.com/programas/jornalismo/coberturas/intifada/banhos-de-sangue.htm .

Vídeo da Memória Globo sobre a Intifada de 1987

Edward Said, no livro “A questão da Palestina”, afirma que ação foi coordenada pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Porém,  mesmo que a ação tenha sido organizada pela OLP, a rebeldia do povo palestino mostrou o quanto ela estava saturada pelo abusos de forças israelenses. Essa revolta durou até 13 de setembro de 1993 com o cessar-fogo através do histórico Acordo de Paz de Oslo.

O Acordo de Oslo e suas consequências

Aperto de mão histórico entre o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin (à esquerda) e o líder palestino Yasser Arafat (à direita). Ao centro, o presidente dos EUA, Bill Clinton (ao centro) responsável pelo acordo histórico entre judeus e palestinos.

Em 13 de setembro de 1993, o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin (à esquerda), o líder palestino Yasser Arafat (à direita) e o presidente dos EUA, Bill Clinton (ao centro), assinam o Acordo de Oslo. Segundo DW, o presidente norte-americano Bill Clinton teve de praticamente forçar que o premier de Israel (Rabin) apertasse a mão de Arafat. E ainda, segundo DW, Rabin diz o seguinte sobre o acordo com a palestina: “Esta assinatura não é fácil para mim. Nem para mim mesmo, como soldado na guerra de Israel, nem para o povo israelense, ou o povo judeu na diáspora, que agora nos observam num misto de esperança e ceticismo”. Rabin foi acusado de trair a pátria com a assinatura do Acordo de Oslo (fonte).

Com o acordo, foi permitido a criação da Autoridade Palestina (ou Autoridade Nacional Palestina – ANP) comandada por Yasser Arafat na Faixa de Gaza e na Cisjordânia (regiões determinadas aos palestinos desde a Guerra dos Seis Dias). E ainda, o acordo determinou a devolução gradual para a palestina do território ocupado por Israel (Faixa de Gaza e Jericó da Cisjordânia). “Israel e palestinos resolveram que a maioria dos territórios ocupados durante a Guerra dos Seis Dias a oeste do Rio Jordão seria devolvida aos palestinos e que estes organizariam uma administração própria. Para os palestinos, era como a proclamação de um Estado próprio” (fonte).

Este acordo foi visto mundialmente como histórico e relevante para a paz entre judeus e palestinos. Por exemplo, a DW se refere ao Acordo de Oslo como “Tanto em Washington como no Oriente Médio, ainda predominava uma certa euforia, pois havia a crença de que a paz estaria próxima” (fonte).

Contudo, o Acordo de Oslo não teve sucesso. No ano de 1995, o líder de Israel (Rabin) foi assassinado por um judeu extremista que não concordava com o Acordo de Oslo. Rabin também era acusado de trair a pátria com a assinatura do Acordo de Oslo (fonte).

Binyamin Netanyahu,primeiro-ministro israelense.

Após o assassinato de Rabin, Shimon Peres assumi o governo israelense reafirmando o compromisso com a paz. A situação muda com a eleição de Binyamin Netanyahu, (em 1996) quando aprovou em 1997 a construção de novos assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental.

Até 2000, Israel devolveu 90% da Faixa de Gaza e 60% da Cisjordânia. E ainda, o maior problema é que Israel atualmente nega a devolução de Jerusalém Ocidental para a Palestina e que atualmente o terrorismo por parte de Hamas coloca a resolução do conflito numa situação difícil.

Diante do insucesso do Acordo de Paz de Oslo, outras revoltas populares (também chamadas de Intifada) foram realizadas.

Segunda Intifada (2000-2005)

Como o Acordo de Oslo (1993) não foi efetivado, os palestinos se incomodam na demora na devolução das terras e iniciaram ataques contra Israel. Novamente, o EUA interfere na guerra entre judeus a palestino e promove um novo acordo chamado de Acordo de Camp David (2000).

Novo acordo de Camp David 2000. Na foto ao lado esquerdo Ehud Barak (Israel), ao centro Bill Clinton (EUA) e a direita Yasser Arafat (ANP/OLP). Infelizmente, este acordo não teve sucesso e o seu fracasso resultou na Segunda Intifada.

No acordo os palestinos buscaram reverter o território perdido em 1967 e o “direito de retornar” dos refugiados palestinos. Porém, este acordo não foi bem sucedido e não se chegou a um acordo. Este fracasso resultou na Segunda Intifada, sendo igualmente um conjunto de protestos de palestinos contra Israel e uso de forças desproporcionais (população palestina com pedras e paus e exército israelense com armas de fogo).

Em 2004 falece Yasser Arafat e com sua morte o grupo Hamas consegue maior popularidade. Com ascensão do Hamas, o grupo inicia ataques terroristas contra Israel.

Bandeira do Hamas. O nome Hamas significa Movimento de Resistência Islâmica e é um grupo terrorista de muçulmanos. Em 2007, o Hamas elegeu a maioria de seus parlamentares e passa a comandar a Faixa de Gaza. Com ascensão de Hamas, o conflito na região foi aumentado.

Terceira Intifada (2008 – atualmente)

Com o não cumprimento do Acordo de Oslo e o aumento da repressão israelense, a população palestina inicia a terceira intifada em 2008, tendo protestos dos palestinos e aumento de repressão israelense. 

A terceira intifada tomou uma nova proporção, dificultando o possível fim da guerra e a paz entre palestinos e judeus.  De um lado, o governo israelense em busca da defesa de seus territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias aumentou a repressão contra os palestinos.

Para se ter uma ideia do aumento da repressão leia o trecho abaixo:

Em 16 de setembro [de 2015], após a morte de um judeu de 64 anos por ataque cardíaco depois de seu carro ser alvejado por uma pedra e bater num poste, Netanyahu [primeiro-ministro de Israel] endureceu as penas contra ataques de pedras, mesmo  por menores, a ponto de praticamente equipará-los a assassinatos e dias depois autorizou soldados a usar armas letais contra os que as atirarem, enquanto o governo tratava de bloquear a promoção de juízes considerados lenientes para com os palestinos.

(COSTA, Antonio Luiz M.C. O começo da Terceira Intifada. Carta Capital. 11 de outubro de 2015. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/internacional/o-comeco-da-terceira-intifada-9408.html)

Por outro lado,  a palestina (com ascensão do Hamas) que quer recuperar os territórios ocupados pelos israelenses, aumenta seus contra-ataques a Israel por meio do terrorismo como ataque de foguetes e até suicidas. Mesmo com a pressão internacional o conflito parece não ter fim.


Na próxima semana

Para encerrar o especial do Conflito entre Palestina e Israel publicaremos o sétimo texto, com o título “O terrorismo na Faixa de Gaza: ascensão de Hamas e o conflito sem fim”. Nesse texto destacaremos a ascensão do movimento islâmico Hamas na Faixa de Gaza e o recrudescimento dos conflitos na Palestina.

Saiba mais: aqui no Educa help foi publicado um especial com textos sobre o Conflito entre Israel e Palestina, destacando a origem do conflito entre judeus e palestinos para compreender os problemas presentes até hoje na região, confira os demais textos acessando aqui.

 Saiba mais

Livros

PARKER, Philip. O nascimento de Israel. In: ______. Guia ilustrado Zahar: História Mundial. Tradução: Maria Alice Máximo. Rio de Janeiro: ZAHAR, 2011. p.384.

SAID, Edward. A questão da Palestina. São Paulo: Editora Unesp, 2012.

VISENTINI, Paulo Fagundes. A Guerra Fria, a ONU e a Pax Americana (1945-1961).  In: Manual do candidato: história mundial contemporânea (1776-1991): da independência dos Estados Unidos ao colapso da União Soviética. . 3ª edição. Brasília: FUNAG, 2012. 283p.

Livros didáticos sobre o conflito (Objetivo e Anglo).

Sites

GASPARETTO JUNIOR, Antonio. Intifada. http://www.infoescola.com/historia-oriente-medio/intifada/

SOUSA, Rainer. Intifada. BRASIL ESCOLA  http://guerras.brasilescola.uol.com.br/seculo-xx/intifada.htm

BBC Brasil. Hamas, da primeira Intifada ao atual conflito com Israel. 29 julho 2014. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/07/140729_o_que_hamas_kb

MEMORIA GLOBO. INTIFADAS. Disponível em: http://memoriaglobo.globo.com/programas/jornalismo/coberturas/intifada/sobre.htm

DW. 1993: Rabin e Arafat assinam Acordo de Oslo. Calendário Histórico. Disponível em: http://www.dw.com/pt-br/1993-rabin-e-arafat-assinam-acordo-de-oslo/a-630367

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2010/09/100902_entenda_acordos_orientemedio_rc.shtml

COSTA, Antonio Luiz M.C. O começo da Terceira Intifada. Carta Capital. 11 de outubro de 2015. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/internacional/o-comeco-da-terceira-intifada-9408.html

Graduado e mestre em Geografia pela Unesp, campus de Presidente Prudente (SP). É atualmente professor de geografia em escolas particulares e públicas e professor de geopolítica em cursinho preparatório para vestibular. Escreve no Geografia no Vestibular e no Educa Help.
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Leandro Nieves

Graduado e mestre em Geografia pela Unesp, campus de Presidente Prudente (SP). É atualmente professor de geografia em escolas particulares e públicas e professor de geopolítica em cursinho preparatório para vestibular. Escreve no Geografia no Vestibular e no Educa Help.

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