Linha Internacional de Data

Semana passada comentamos sobre os fusos horários, que nos serve como medida para determinar as horas em diferentes lugares do mundo. Para determinar o fuso horário, utilizamos o meridiano de Greenwich, que é a referência para identificar as regiões mais adiantadas (leste) ou atrasadas (mais oeste).

Hoje veremos sobre a Linha Internacional de Data (LID) ou Linha Internacional deMudança de Data. A LDT é localizada no extremo oeste e leste, separando ocontinente americano da Oceania e da Ásia, e sua função é determinar o começo de um novo dia e estabelecer um calendário oficial.

A LID busca determinar as datas, identificando qual região está mais adiantada ou atrasada em relação ao dia. A referência para determinar o LID é o antimeridiano, ou como também é conhecida, meridiano oposto a Greenwich. Lembrando que o meridiano de Greenwich é 0º, enquanto o meridiano oposto é 180º.

A LID foi criada em 1884, no mesmo momento em que se criaria os fusos horários, e que se determinaria o meridiano de Greenwich como determinante no fuso horário e o antimeridiano como determinante na data do calendário.

A LID serve como linha teórica que mostra o começo de um novo dia. Por exemplo, quando se atravessa o antimeridano de leste para oeste, praticamente, “volta-se” um dia. Se atravessar o meridiano oposto (180º) no sentido contrário, como de oeste para leste, avança-se um dia. A lógica é a mesma do fuso horário (porém o fuso usa o meridiano principal como referência, o Greenwich), cuja região situada na parte leste é mais adiantada e a região a oeste está mais atrasada.

Dois fatos interessantes merecem destaque sobre a LID

Primeiro fato: a Linha internacional de data não corta nenhum país

O primeiro fato é que a região situada como antimeridiano (180º) no Oceano Pacífico, separando o continente americano do continente da Oceania e da Ásia, seria muito confuso se cortasse um país ou seus limites. Por isso o LID tem uma linha prática contornando as regiões.

Um exemplo interessante é que a ilhas de Samoa e Tonga, distanciadas somente a 900 km, tem uma diferença de aproximadamente um dia em sua hora oficial.

Segundo fato: a questão de Samoa e seu salto no tempo

A LID só não é mais problemática, pois a região situada em 180º fica no trecho do Oceano Pacífico é pouco habitada e composta por várias ilhas. Contudo, um fato muito interessante aconteceu em 2011, quando a ilha Samoa abalou os noticiários e confundiu os leitores com a notícia de que pretendia alterar sua posição na linha internacional de data, tendo um salto no tempo.

Confira um trecho da notícia na revista época no dia 12 de maio de 2011 (leia aqui).

As ilhas Samoa, no Oceano Pacífico, pretendem mudar seu fuso horário para estimular a economia. A partir de 29 de dezembro, Samoa deverá “saltar” no tempo e considerar que está a oeste da Linha Internacional de Mudança de Data, traçado imaginário que delimita os dias do calendário. Quem está a leste da linha fecha o ciclo de 24 horas, e vice-versa. Hoje, Samoa vive 21 horas atrasada em relação à Austrália. Com a mudança, o governo quer facilitar as relações econômicas com Ásia e Oceania.

 No jornal o Globo do dia 29 de fevereiro de 2011 (leia na íntegra)

Samoa é o último dos territórios a fechar cada dia. Isso a coloca a 18 horas de Pequim, 11 de Madri e cinco de Nova York. Desafiando os deuses e correndo o risco de irritá-los, segundo o aviso de religiosos, essa mudança pretende colocá-la entre os primeiros a saudar os novos dias. A ilha saltará do dia 29 para o dia 31 de dezembro e ficará três horas a frente de Sydney. Os 193 mil samoanos perderão a sexta-feira, dia 30, enquanto dormem. Um lance similar ao que se experimenta quando se cruza a Linha Internacional da Data, mas sem sair da cama.

Antes da mudança, Samoa se localizava na parte ocidental, próxima ao fuso da ilha de Taiti e Havaí e sendo guiada pela costa californiana dos Estados Unidos. Agora com a mudança, Samoa se localizará na parte oriental tendo como referência a China.

Ainda de acordo com a matéria da Globo, a justificativa para a mudança é no sentido econômico e geopolítico, justamente pela influência do mercado asiático que é mais interessante do que o mercado norte-americano. Os maiores parceiros de Samoa é Austrália, Nova Zelândia e China. Leia:

[…] Esse é mais um exemplo de como os Estados Unidos estão perdendo sua influência no mundo. Quando se definiu o traçado em 1884, Samoa estava no lado oriental da linha. Oito anos depois, optou por passar ao lado americano, para facilitar o comércio com a maior potência do planeta. Agora, pesa o fato de sua posição fazer perder dois dias de negócio com Austrália, Nova Zelândia e China.

“Perderão o 30 de dezembro de 2011, mas ganharão grandes oportunidades para fazer negócio”, assinala um artigo publicado no “Diário do Povo”, jornal oficial do Partido Comunista chinês, que não ignora o poder que o país está ganhando no sul do Pacífico.

  Considerações 

A LID serve como linha teórica que mostra o começo de um novo dia e é muito importante para a navegação e aviação. O trecho da LID está localizado no “meridiano oposto” a 180º de longitude, no Oceano Pacífico.

A região mais próxima ao ocidente está mais atrasada (lembrar dos fusos horários) e as mais ao oriente está mais adiantada.

 

 

 

Graduado e mestre em Geografia pela Unesp, campus de Presidente Prudente (SP). É atualmente professor de geografia em escolas particulares e públicas e professor de geopolítica em cursinho preparatório para vestibular. Escreve no Geografia no Vestibular e no Educa Help.
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Leandro Nieves

Graduado e mestre em Geografia pela Unesp, campus de Presidente Prudente (SP). É atualmente professor de geografia em escolas particulares e públicas e professor de geopolítica em cursinho preparatório para vestibular. Escreve no Geografia no Vestibular e no Educa Help.

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