O Ciclo do Ouro no Brasil

No princípio da colonização do Brasil, Portugal utilizou-se fortemente da exploração da cana-de-açúcar e mão de obra escrava como fonte de renda. Com o cultivo da mesma nas ilhas do atlântico sob domínio holandês, com um açúcar de boa qualidade e mais barato suprindo o mercado europeu, Portugal perde sua importante fonte de renda e começa um incentivo à população de buscar novas fontes de riqueza.

Contando com incentivo da coroa portuguesa várias expedições partem para o interior da colônia – as bandeiras, lideradas pelos famosos Bandeirantes, é o exemplo mais icônico dessas expedições; Com o anuncio de Castro Caldas, então governador do Rio de Janeiro (1695-1697), sobre a descoberta de uma grande quantidade de ouro pelos paulistas, um numero imenso de pessoas partem para o interior de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Milhares de pessoas chegam a partir de Portugal em direção ao Brasil, fazendo com que em 1720 D. João V criasse uma lei que proibia a emigração de portugueses do noroeste do país, assim como autorizações especiais para certos casos.

Começa então a primeira “Corrida do Ouro” da história moderna. Com seu auge durante o séc. XVIII, a população passa de 300 mil habitantes (que possuía em 1690) para cerca de 2 milhões que agora residiam na colônia.

A exploração do ouro foi de tal importância que movimentou o eixo político-econômico da região nordeste da colônia para a região sul-sudeste. Com a crise açucareira no nordeste, a capital do império na colônia, que antes era Salvador, agora passa a ser no Rio de Janeiro. É nesse período que vários povoados são fundados, como as Vilas de São João Del Rei, Vila Real de Sabará e Vila Rica de Ouro Preto, atual Ouro Preto, entre outras.

Além disso, a exploração aurífera e a formação desses povoados possibilitaram um enorme crescimento demográfico, com o estabelecimento de um mercado interno, já que os produtos agora não eram apenas para exportação, criando assim uma necessidade de produção de alimentos interna que pudesse suprir as necessidades dos residentes.

O lucro da coroa portuguesa nesse período vinha da cobrança de impostos. Durante todo o Ciclo do Ouro esses impostos foram cobrados de três maneiras:
• A primeira delas era conhecida como “O Quinto”, na qual 20% (um quinto) de todo ouro era exigido e enviado para a metrópole. Esse processo acontecia nas Casas de Fundição, onde o ouro era derretido e transformado em barras, além de receber o selo da coroa portuguesa.
A Capitação era uma taxa, que prevaleceu dentre o período de 1734 a 1750, cobrada sobre escravos e pessoas livres, além de se aplicar às lojas, vendas e todo tipo de comércio.
• E por fim, com o frequente não pagamento integral do quinto, a coroa estabeleceu A Derrama, que nada mais era que o confisco de bens e objetos de ouro para que a meta estipulada pela metrópole fosse atingida.

Essas constantes cobranças de impostos e a fiscalização e repressão portuguesa tiveram como resultado várias revoltas populares. Com ideias contrárias ao modo de funcionamento das Casas de Fundição tivemos a Revolta de Felipe de Santos. Além da própria Inconfidência Mineira, que se tornou símbolo de resistência Brasileira. Liderada por Tiradentes, com o objetivo de conseguir a independência do Brasil, livrando-se do controle da metrópole, e infelizmente foi descoberta e reprimida antes de apresentar resultados. Mas isso é assunto para outro artigo…

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
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Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

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