O Período Joanino (parte I): A Fuga da Família Real e a Administração de D. João

Em meados de 1807, Napoleão Bonaparte dominava quase toda a Europa: o único país que investia às suas investidas era  Inglaterra. Para tentar destruí-la economicamente, foi então decretado o Bloqueio Continental, que determinava que todos os países europeus estavam proibidos de comercializar com a Inglaterra. Portugal, muito dependente do comércio com os ingleses, desrespeitou o Bloqueio, ousadia que provocou a invasão do país pelas forças francesas.

D. João príncipe regente de Portugal, atendia a algumas exigências da França enquanto negociava com a Inglaterra a fuga de toda a corte portuguesa para o Brasil. Sabendo das intenções de D. João, Napoleão reuniu suas tropas e, com um acordo com a Espanha, iniciou os preparativos para a invasão. Á Família Real só restava uma solução: fugir.

Com a iminência da invasão francesa em Portugal, o representante inglês, lord Strangord, negociou com o Príncipe Regente um acordo. A Inglaterra ajudaria na transferência da corte portuguesa para o Brasil em troca de alguns benefícios econômicos. Os portos brasileiros seriam abertos aos navios mercantes ingleses, a Inglaterra seria favorecida com taxas alfandegárias menores que as de outros países e D. João permitiria o estabelecimento de bases navais na ilha de Madeira.

Toda a corte portuguesa embarcou no dia 29 de novembro. Navios ingleses e portugueses transportavam por volta de 15 mil pessoas, nobres e altos funcionários do Estado, que levavam consigo mais da metade de toda a riqueza de Portugal.

A fuga da Família Real

A fuga da corte portuguesa foi decidida às pressas. Foram 36 navios que se abarrotaram com 15 mil pessoas. Além da Família Real, vieram os nobres e funcionários da Coroa. Então, no dia 29 de novembro de 1807, partiram de Portugal trazendo grande parte de toda a riqueza do país. Deixaram Lisboa num estado de caos, lançando o povo português à sua própria sorte. Na fuga, a rainha D. Maria, a Louca, gritava: “Não corram tanto! Vão pensar que estamos fugindo!”.

A Corte desembarcou em Salvador no dia 22 de janeiro de 1808. Seis dias depois, D. João decretava a abertura dos portos do Brasil às nações amigas. Essa medida beneficiou especialmente a Inglaterra e finalizou, definitivamente, o monopólio comercial colonial.

Um mês após a sua chegada, D João, príncipe regente, transferiu-se com sua corte para o Rio de Janeiro, onde instalou a sede do governo.

Houve grande aumento nas transações comerciais nos portos brasileiros, mas os manufaturados ingleses eram os produtos que mais chegavam a nosso país. Essa condição intensificou-se quando foi assinado o tratado de Comércio e Navegação de 1810, que estabelecia taxas alfandegárias diferenciadas para os países que comercializavam com o Brasil. A Inglaterra pagaria 15%, Portugal pagaria 16% e os demais países 24%. As taxas para os produtos portugueses só se igualaram às inglesas em 1816. A partir daí houve grande invasão de produtos ingleses no Brasil. Panos, guarda-chuvas, ferramentas e até caixões de defunto e patins de gelo, produtos que lotavam as prateleiras dos mercados brasileiros.

Foi somente com a morte de D. Maria, em 1816, que D. João se tornou rei.

A administração de D. João

É importante lembrar que, desde a assinatura do Alvará de 1785, as manufaturas estavam proibidas no Brasil. Contudo, com a chegada da Corte em 1808, foram permitidas as atividades industriais em nosso solo, mas era impossível sobreviver industrialmente em meio à avalanche de produtos ingleses que chegavam nos portos brasileiros.

D. João propiciou grandes mudanças culturais para o Brasil. Fundou o ensino superior com as escolas de Medicina na Bahia e no Rio de Janeiro, o Jardim Botânico, a Escola de Belas-Artes, a Biblioteca Nacional e a Imprensa Régia, que publicou o primeiro jornal no Brasil, a Gazeta do Rio de Janeiro.

O príncipe regente também incentivou a vinda de professores e artistas da Europa. A Missão Francesa, a mais famosa dessas visitas, contava com pintores como Jean-Baptiste Debret e August Taunay e o arquiteto Montigny.

Essas realizações favoreciam as elites coloniais, pois a intenção era tornar Rio de Janeiro mais próximo daquilo que se poderia encontrar na Europa. Não havia nenhuma preocupação em beneficiar o povo com essas obras.

Como forma de represália à França, D. João invadiu a Guiana Francesa e manteve-a ocupada até 1817. No sul do Brasil, a região do Prata era motivo de conflito entre Portugal e Espanha desde o século XVII. Aproveitando as guerras napoleônicas e o surgimento de levantes que buscavam emancipação em toda a América Espanhola, D. João ocupou o Uruguai em 1816, que foi anexado ao Brasil com o nome de Província Cisplatina.

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
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Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

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