O Período Joanino (parte II): A Revolução Pernambucana e do Porto

A revolução Pernambucana

Os impostos castigavam todos os brasileiros desde os tempos da Colônia e, para manter a Corte e todo o novo aparato burocrático do Brasil, D. João não hesitava em aumentá-los. O Nordeste, agroexportador que era, estava muito suscetível às flutuações dos preços na Europa, e seus principais produtos, algodão e açúcar, estavam em baixa. A situação piorou com a seca de 1816, que prejudicou as exportações e a alimentação dos nordestinos. Estava montado o palco da revolução que formou o primeiro governo brasileiro.

Toda a população de Recife estava descontente com o governo. Em 1817, tomou o poder, depondo o governador Caetano Pinto Miranda Montenegro e estabelecendo um governo provisório. Os revoltosos, entre os quais se encontravam desde proprietários de terra até homens livres pobres, contavam com grande participação da Igreja.

O novo governo pernambucano foi formado por representantes da elite da região. Sua intenção era estabelecer um governo republicano, apoiado em bases iluministas – liberdade de imprensa, liberdade religiosa e liberdade de expressão – que seriam fundamentadas por uma constituição já em processo de elaboração. O movimento contou com a adesão da Paraíba e do Rio Grande do Norte, mas a repressão já era organizada no Rio de Janeiro.

O movimento não era coeso, porém, no que se refere à participação dos escravos. Os proprietários de terras, por exemplo, eram contra qualquer medida de levasse os revoltosos nessa direção, já os mais radicais adotavam a perspectiva abolicionista, dividindo o movimento.

A repressão foi violenta: no dia 18 de maio de 1817, os insurretos foram obrigados a se render. Os líderes foram executados, e mais de cem participantes foram presos, entre eles Frei Caneca, que, mais tarde, voltaria à cena política.

A revolução do Porto

Com a saída das tropas napoleônicas, Portugal encontrava-se em crise, acentuada pela abertura dos portos no Brasil. A riqueza do nosso país já não passava por Portugal, ia direto para os países que comercializavam com o Brasil, principalmente a Inglaterra.

Nesse momento, os portugueses eram governados por uma junta governativa liderada pelo inglês lord Beresford, que não media esforços para beneficiar seu país nas transações comerciais.

As rebeliões não tardaram a acontecer, e em agosto de 1820 a cidade do Porto foi abalada por uma dessas agitações. Dois meses depois, aproveitando a onda de descontentamento, rebeldes tomaram a cidade, dando início à revolução Liberal do Porto. Entre as suas exigências encontravam-se:

  • a retirada de Beresford do poder;
  • o retorno imediato de D. João para Portugal;
  • a recolonização do Brasil;
  • uma nova Constituição para Portugal.

A junta governativa foi retirada do poder e um governo provisório formou-se, dando início a Assembleia Constituinte.

No Brasil, D. João VI pensou em enviar o seu filho Pedro a Portugal como forma de amenizar a situação. D. Pedro, porém, nem chegou a embarcar, por causa dos protestos da população brasileira. Os portugueses exigiam o imediato retorno de D. João, que não teve saída quando ameaçaram coroar outro rei em Portugal. Em 1821, D. João retornou ao seu país, mas antes nomeou seu filho D. Pedro príncipe regente do Brasil. Sua última medida foi esvaziar os cofres brasileiros, levando toda a riqueza da Coroa para Portugal.

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
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Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

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