O que é filosofia?

Amigas e amigos filósofas(os), nesta semana veremos como alguns filósofos tentaram responder uma das questões mais profundas da filosofia, a saber: O que é filosofia?

Essa questão torna-se de grande importância quando pensamos em suas implicações. Como pudemos ver no texto Discussões Sobre a Filosofia e o Racismo Epistêmico, existe uma questão sobre onde a filosofia surgiu. Neste caso, perguntar-nos sobre o que seja a filosofia faz-se necessário.

“Trata-se de um fato curioso de nosso tempo que subsistam dúvidas sempre que a expressão Filosofia Africana é utilizada. O mesmo não acontece quando se fala de filosofias presumivelmente “normais”, como a filosofia ocidental. Esta incerteza concernente à existência da Filosofia Africana inclui referências a filosofias historicamente aparentadas, como a Filosofia Aborígene ou a Latino-americana.” (RAMOSE, 2011)

Para Platão, a filosofia tem como ponto de partida o espanto. Sob o efeito deste espanto, a filosofia se volta para questões fundamentais. Segundo o filósofo sul-africano Mogobe Ramose, “sabe-se bem que, etimologicamente, filosofia significa amor à sabedoria.” A expressão amor à sabedoria pode ser entendida como uma relação com o saber em eterna construção. Nenhuma relação de amor é igual uma à outra, e uma mesma relação de amor está sempre se construindo. A base dessa relação com o saber está na pergunta filosófica, no questionamento que surge com o espanto.

“Filosofia é essencialmente uma atividade reflexiva. Filosofar é refletir sobre a experiência humana para responder algumas questões fundamentais a seu respeito. Quando o ser humano reflete buscando a si mesmo ou o mundo que o cerca, ele está tomado pelo ‘espanto’ e essas questões fundamentais surgem na sua mente.”(OMOREGBE, 1998)

Junto com o amor vem o desejo. Para Omoregbe e Ramose, tal desejo faz parte da natureza humana, bem como as questões que partem dele. A filosofia faz parte da experiência humana. Neste sentido, afirmar que um povo não seria capaz de fazer filosofia é negar sua condição humana. “O ser humano tem um forte desejo de saber, ele é curioso por natureza; apesar do seu conhecimento ser tão limitado que ele sequer conheça a si mesmo. Ele não sabe porque existe e não possui respostas sobre questões básicas a respeito de si mesmo.” (OMOREGBE, 1998)

O filósofo Bertrand Russel também aponta o questionamento como base para a filosofia. Junto com o questionamento, um rigor.

“[…] pois a filosofia é simplesmente a tentativa de responder a estas questões fundamentais, não de uma forma descuidada e dogmática, como fazemos na vida cotidiana e mesmo nas ciências, mas de uma maneira crítica, após examinar tudo o que torna estas questões intrincadas, e após compreender tudo o que há de vago e confuso no fundo de nossas ideias habituais.” (RUSSEL, 2005)

Observemos que a definição acima aponta um contraste entre o pensar filosófico e as nossas ideias habituais. Pensar nossas ideias habituais de uma forma crítica é justamente uma forma de demonstrar um espanto em relação a elas.

Na tentativa de diferenciar a filosofia de outras formas de conhecimento, alguns filósofos tentam submeter a filosofia a um determinado método, a uma forma específica de argumentação. Neste ponto, o filósofo brasileiro Renato Noguera nos ajuda ao dizer que os conceitos inventados pela filosofia só existem em função de problemas específicos. Desta maneira, diferentes culturas e diferentes épocas produziriam conceitos diferentes, questionamentos diferentes e até mesmo métodos diferentes de responder a essas questões.

“A experiência humana é o chão inescapável para o começo da marcha rumo à sabedoria. Onde quer que haja um ser humano, há também a experiência humana. Todos os seres humanos adquiriram, e continuam a adquirir sabedoria ao longo de diferentes rotas nutridas pela experiência e nela fundadas. Neste sentido, a filosofia existe em todo lugar. Ela seria onipresente e pluriversal, presentando diferentes faces e fases decorrentes de experiências humanas particulares.” (RAMOSE, 2011)

Revisão: Luisa Moyses.

Referências Bibliográficas:

Russel, Bertrand. Os Problemas da Filosofia. trad. Jaimir Conte, Florianópolis, 2005.

Renato Noguera. Denegrindo a Filosofia: o pensamento como coreografia, Griot – Revista de Filosofia, Amargosa, Bahia – Brasil, v.4, n.2, dezembro/2011.

RAMOSE, M. B. Ensaios Filosóficos, Volume IV – outubro/2011

Omoregbe: African Philosophy: Yesterday and Today in African Philosophy: an Anthology Emmanuel Chukwudi Eze, Massachusetts/Oxford, Blac Publishers, 19998.

Sejam muito bem-vindas(os)! Meu nome é Rodrigo Castilho e tenho 22 anos. Sou movida por conhecer coisas novas e pelo desejo de ver um mundo com mais igualdade, representatividade e aceitação da diversidade. Como graduanda em filosofia e colunista do EducaHelp, felicito a todas e todos que são amigas(os) do saber [filósofas(os)].
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Rodrigo Castilho

Sejam muito bem-vindas(os)! Meu nome é Rodrigo Castilho e tenho 22 anos. Sou movida por conhecer coisas novas e pelo desejo de ver um mundo com mais igualdade, representatividade e aceitação da diversidade. Como graduanda em filosofia e colunista do EducaHelp, felicito a todas e todos que são amigas(os) do saber [filósofas(os)].

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