O terrorismo na Faixa de Gaza: ascensão de Hamas e o conflito sem fim

Este é o último texto sobre o Conflito entre Israel e Palestina e o assunto de hoje é sobre “O terrorismo na Faixa de Gaza: ascensão de Hamas e o conflito sem fim”.

Nesse texto abordamos a ascensão do movimento islâmico Hamas na Faixa de Gaza e o recrudescimento dos conflitos na Palestina.

Sobre o Hamas

Bandeira do Hamas

A palavra Hamas significa em árabe Movimento de Resistência Islâmica. O grupo foi criado em 1987 após a Primeira Intifada contra a ocupação israelense na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Este grupo é o responsável pelos atos de terrorismo.

O nascimento de Hamas – e ascensão do terrorismo – é consequência da negação de Israel em devolver os territórios palestinos ocupados após a Guerra dos Seis Dias (1967) e do enrijecimento da relação entre palestinos e israelenses.

O Muro da Cisjordânia

Com o aumento de ataques de homem-bomba e após a Segunda Intifada (2002-2005), foi erguido um muro de 8 metros na fronteira entre Cisjordânia e Israel e na cidade de Jerusalém, dificultando a peregrinação dos muçulmanos para o muro das lamentações.  Naturalmente, o muro erguido aumentou as tensões sociais entre palestinos e israelenses, sendo que os palestinos não concordam com o muro e os israelenses o justificam por conta dos ataques terroristas.

Veja o Muro da Cisjordânia

Ascensão de Hamas

Fatah – Partido nacionalista fundado em 1959 pelo palestino Yasser Arafat.

No ano de 2006, Israel decide desocupar a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. E nas eleições parlamentares da Palestina em 2006, o Hamas conseguiu colocar 76 de 132 assentos no governo. Já a oposição de Hamas, o grupo Fatah (Movimento de Libertação Nacional da Palestina), conseguiu apenas 43 cadeiras.

Com a vitória no parlamento, o Hamas passa a comandar a Faixa de Gaza, enquanto Fatah comanda a Cisjordânia. Antes, quem comandava a Faixa de Gaza e a Cisjordânia era a Autoridade Nacional da Palestina.

Com ascensão de Hamas em 2006, surge a rivalidade e o conflito com o Fatah. Naturalmente, com Hamas é aumentado a tensão com Israel por conta do extremismo desse grupo.

Onda de violência na Faixa de Gaza

O conflito sem fim

A comunidade internacional e países como Canadá, os EUA, o Japão e o próprio bloco econômico da União Europeia consideram o Hamas como um grupo terrorista tendo sanções econômicas a Faixa de Gaza. Por outro lado, Catar e Turquia consideram Hamas como um movimento de resistência legítimo.

O Hamas, por sua vez, não reconhece a legitimidade da comunidade internacional e não aceita as condições impostas como reconhecer o Estado de Israel como legítimo, nem aceitar os acordos propostos e de renunciar à violência.

Desde o início da Terceira Intifada em 2008, aumentou os ataques entre Hamas e os israelenses tendo diversas manchetes sobre a guerra.

A pedido do Conselho de Segurança da ONU em 2014, foi feito um cessar-fogo entre Hamas e Israel. Contudo, a situação entre os dois jamais foi e nem será de paz até que se resolva por completo as desavenças. Por exemplo, um ano após o cessar-fogo, Israel bombardeou posições militares do Hamas na Faixa de Gaza (fonte).

Para resolver o conflito por completo, Israel exige que Hamas deponha suas armas, enquanto, Hamas exige o fim de Israel e a devolução dos territórios palestinos ocupados – ambas exigências são consideradas improváveis de acontecer.

Um novo patamar do conflito: a construção de um muro subterrâneo

No dia 27 de março de 2017, Israel anuncia a pretensão de construir o muro subterrâneo ao redor de Gaza para evitar túneis erguidos por Hamas. O projeto do muro subterrâneo é chamado de “Obstáculo” e estima a construção de um muro de 65 quilômetros de extensão, desde o Mar Mediterrâneo no norte da Faixa até a passagem de Kerem Shalom, no sul, onde confluem as fronteiras de Israel, Gaza e Egito. O governo israelense espera tê-lo pronto até 2019.

Considerações finais e um resumo sobre o conflito:

  • O movimento sionista foi importante para concretizar a volta dos judeus para a Palestina;
  • A Palestina foi massivamente ocupada ao longo da história por descendentes de muçulmanos;
  • O Plano da Partilha da Palestina (1947) divide o território da palestina entre árabe e judeu.
  • Com a criação do Estado de Israel surge o conflito com a Liga Árabe;
  • Guerra dos seis dias (1967): Israel tomou terras de três países árabes (Egito, Cisjordânia e Síria) alegando defender-se de um ataque iminente. Os palestinos buscam até hoje retomar o território perdido;
  • Mesmo com os esforços em estabelecer a paz entre judeus e palestinos, o fim da guerra parece longe, pois Israel não pretende devolver os territórios anexados.
  • Como o acordo de Camp David não é cumprido, que previa a devolução lenta e gradual dos territórios palestinos ocupados, a população palestina inicia espontaneamente as Intifadas, – revolta popular contra a repressão de Israel.
  • Yasser Arafat, figura palestina importante para resolução do conflito de forma pacífica, falece em 2004.
  • Em 2006, Israel decide desocupar a Faixa de Gaza. No mesmo ano, o Hamas consegue eleger maioria no governo da Palestina e inicia o extremismo com o terrorismo na Faixa de Gaza. O conflito entre palestinos e israelenses aumenta.
  • Israel exige que Hamas deponha suas armas, enquanto, Hamas exige o fim de Israel e a devolução dos territórios palestinos ocupados – ambas exigências são consideradas improváveis de acontecer.
  • No ano de 2014 é feito um cessar-fogo entre Israel e Hamas. Contudo, o acordo não garante a paz na região tendo conflitos posteriormente.
  • É anunciado em 2017 por Israel a construção de um muro subterrâneo para evitar passagem de militantes do Hamas.

O conflito entre Palestina e Israel está longe de cessar por completo. Até que se resolva por completo as desavenças do conflito  a tensão na Faixa de Gaza irá permanecer tendo inúmeras mortes. Israel exige que Hamas deponha suas armas, enquanto, o Hamas exige o fim de Israel e a devolução dos territórios palestinos ocupados – ambas exigências são consideradas improváveis de acontecer.

 Saiba mais

No Educa help publicamos um especial com 7 textos para entender o Conflito entre Israel e Palestina, destacando a origem do conflito entre judeus e palestinos para compreender os problemas presentes até hoje na região, confira os demais textos acessando aqui.

Livros

PARKER, Philip. O nascimento de Israel. In: ______. Guia ilustrado Zahar: História Mundial. Tradução: Maria Alice Máximo. Rio de Janeiro: ZAHAR, 2011. p.384.

SAID, Edward. A questão da Palestina. São Paulo: Editora Unesp, 2012.

VISENTINI, Paulo Fagundes. A Guerra Fria, a ONU e a Pax Americana (1945-1961).  In: Manual do candidato: história mundial contemporânea (1776-1991): da independência dos Estados Unidos ao colapso da União Soviética. . 3ª edição. Brasília: FUNAG, 2012. 283p.

Livros didáticos sobre o conflito (Objetivo e Anglo).

Sites

 

ARAÚJO, Cecília. Israel x Palestina: dos dois lados do muro. Veja. 31 de março de 2012. Disponível em: http://veja.abril.com.br/mundo/israel-x-palestina-dos-dois-lados-do-muro/

ARAÚJO, Felipe. Hamas. Infoescola. Disponível em: http://www.infoescola.com/islamismo/hamas/

Graduado e mestre em Geografia pela Unesp, campus de Presidente Prudente (SP). É atualmente professor de geografia em escolas particulares e públicas e professor de geopolítica em cursinho preparatório para vestibular. Escreve no Geografia no Vestibular e no Educa Help.
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Leandro Nieves

Graduado e mestre em Geografia pela Unesp, campus de Presidente Prudente (SP). É atualmente professor de geografia em escolas particulares e públicas e professor de geopolítica em cursinho preparatório para vestibular. Escreve no Geografia no Vestibular e no Educa Help.

3 comentários em “O terrorismo na Faixa de Gaza: ascensão de Hamas e o conflito sem fim

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