Opressão do Oprimido

Texto de autoria do colunista convidado Henrique Hokamura. Graduando em Dança pela Universidade Estadual de Campinas. Visa a dança como um meio em que o corpo renova sua energia e modifica o estado de presença.

Hoje iremos olhar um pouco para a própria discriminação entre os LGBTQ+. Sabemos que no decorrer desses anos houve um aumento significativo da visibilidade LG, mas as siglas BTQ+ ainda continuam sendo excluídas e em alguns casos é pelos próprios LG.
Antes de prosseguir o texto precisamos ter clareza na diferença entre discriminação e preconceito. Preconceito é quando temos a ideia de algo ou de alguém guardada na nossa cabeça e coração. Discriminação é o ato de expor, é quando colocamos pra fora essa ideia de algo ou alguém sem menos antes conhecer este algo ou alguém, criando assim em muitas das vezes um discurso de ignorância acompanhado de um ódio interno que não identificamos em nós.

Um dos principais pontos que mais me entristece no mundo da diversidade é o heteronormativismo. É como se você tivesse a liberdade de ser gay, mas você tem que respeitar um certo limite de gayzisse se não é banalizado pela própria comunidade. Um exemplo muito comum é o gay efeminado, que tem em sua maioria o jeito delicado, espontâneo e extravagante ( muitos se referem ao gay efeminado como um gay com traços femininos, mas essa é uma visão já ultrapassada pois sabemos que não é porque você é do gênero feminino ou se identifica com o gênero feminino que você precisa ser delicada ou delicado). Por tais características muitos gays os banalizam. Como se houvesse  níveis para ser gay se imagina uma linha onde em um extremo fica o feminino e no outro o masculino. Quanto mais do lado masculino você estiver, um gay mais valorizado você será, e quanto mais pro lado do feminino você estiver, um gay menos valorizado você será. É como se o gay que puxa ferro na academia fosse menos gay do que aquele que anda de salto. Sim, isso é puro machismo presente na comunidade da diversidade. Vale ressaltar que essa discriminação se acentua quando vemos palavras pejorativas para classificar o gay efeminado, como por exemplo “gay poc-poc”. Normalmente tem-se em mente que gays efeminados são vistos como pessoas engraçadas, divertidas e amigas, mas não servem para se ter um relacionamento sério pois ele “dá muita pinta”. Sim, isso é puro preconceito dentro de uma comunidade que sofre preconceito. Isso é o efeito de se estar inserido em uma sociedade que via e ainda talvez vê o homem hétero padrão como sendo o ideal, infelizmente.

Um fato importante é que os LG’s estão ganhando espaço na mídia, o que é um grande avanço visto que há algum tempo atrás não se ouvia falar nada sobre. Porém, é importante analisar qual “tipo” de gay que está no mundo midiático. Vemos em sua grande maioria o gay padrão como sendo um dos principais e o gay efeminado aquele que nos fazem rir com suas falas e jeito cômico. É como se não existisse gay gordo, gay negro, gay magro. E deixo aqui uma pergunta para você leitor, o mesmo acontece com as mulheres homossexuais ? ( não há nenhuma figura de linguagem nesta frase, é que gostaria que vocês também treinassem o olhar contra o senso comum que muita vezes passa despercebido por nós ).

Podemos observar também o preconceito sofrido pelxs transsexuais, travestis e transgeneros, que não se enquadram na sociedade heteronormativa que vivemos. É uma questão muito delicada para ser escrita por mim, então prefiro deixar para falarmos disso mais para frente, quando convidarei uma pessoa pertencente a este grupo T* para falar sobre.
Muito se fala em ser homo ou heterossexual, deixando a condição bissexual menos discutida. Esse fato provoca uma onda de preconceito pouco problematizada. De acordo com o Instituto Americano de Bissexualidade (AIB), os heterossexuais costumam ter uma visão mais negativa em relação à bissexuais que a gays. As atitudes preconceituosas são ainda maiores com os homens bissexuais, pois a crença geral desses grupos é de que a bissexualidade é uma orientação inventada, conveniente para quem quer experimentar o sexo com homens e mulheres. Ativistas do AIB também falam que a própria comunidade gay, vítima de constante preconceito, minimiza e discrimina quem é bissexual. Segundo a instituição, os homossexuais pensam, por ignorância, que os bi são confusos e indecisos quanto à sexualidade. Na verdade, a orientação desse grupo é tão verdadeira e profunda quanto qualquer outra. Os bissexuais não são gays, nem podem ser rotulados como tal. Sua sexualidade é voltada para os dois sexos, masculino e feminino, bem como seus estímulos emocionais e sexuais. Em resumo, quem é bi pode manter relacionamentos com homens e com mulheres.

Um dos fatos que deve ser observado com cuidado, já que é uma característica marcante da comunidade da diversidade, é o humor. Este é a arma de opressão mais cruel, visto que te faz rir do mal cometido ao outro. Te faz naturalizar a violência, seja ela verbal, psicológica, moral ou física.
Creio que se intolerância causa o ódio da diversidade nos heterossexuais. Já na diversidade, o humor causa o ódio da própria diversidade. Por exemplo, o termo “gay poc-poc” tem um ar cômico, mas, se analisado a fundo, é um termo totalmente preconceituoso.

Gostaria de deixar claro que se este texto possui algum termo que não agrade você, leitor que faz parte da comunidade da diversidade, por favor escreva no comentário para que possa ser corrigido.

 

Referência:


Portal Vivo Mais Saúdavel

Sejam muito bem-vindas(os)! Meu nome é Rodrigo Castilho e tenho 22 anos. Sou movida por conhecer coisas novas e pelo desejo de ver um mundo com mais igualdade, representatividade e aceitação da diversidade. Como graduanda em filosofia e colunista do EducaHelp, felicito a todas e todos que são amigas(os) do saber [filósofas(os)].
COMPARTILHE!

Rodrigo Castilho

Sejam muito bem-vindas(os)! Meu nome é Rodrigo Castilho e tenho 22 anos. Sou movida por conhecer coisas novas e pelo desejo de ver um mundo com mais igualdade, representatividade e aceitação da diversidade. Como graduanda em filosofia e colunista do EducaHelp, felicito a todas e todos que são amigas(os) do saber [filósofas(os)].

Gostou? Deixe uma resposta!