A Unificação e Expansão dos Árabes

A península Arábica, localizada entre o mar Vermelho, o oceano Índico e o golfo Pérsico, na Ásia ocidental, é ocupada em sua grande maioria – quase 80% – por desertos. Mesmo com condições climáticas desfavoráveis, a região já servia de passagem para tribos há mais de mil anos antes de Cristo.

Os árabes, habitantes da região, organizavam-se em tribos. Muitas vezes eram rivais, que se dividiam em dois grupos:.

  • Árabes do deserto ou beduínos: nômades que viviam em busca de oásis para alimentar seus rebanhos
  • Árabes da cidade: sedentários que habitavam o Sul e Sudeste da península Arábica, onde as condições favoreciam o plantio e criação de animais.

O fator cultura que unia todas essas tribos dentro do mesmo povo era a língua.

As cidades árabes que mais prosperavam eram aquelas que estavam próximas às rotas comerciais. Essas cidades, com o tempo, para se proteger e atrair as tribos vizinhas, criaram as “casas de Deus”. As “casas de Deus” eram templos utilizados para a adoração dos deuses de cada tribo.

As duas cidades que mais se destacaram foram Meca e Yatreb. Em Meca foi construída em volta de um meteorito a Caaba. A Caaba era uma “casa de Deus” que atraia milhares de pessoas que enriqueciam a cidade. Acreditava-se que esse meteorito havia caído do céu, lançado por Deus.

As cidades eram habitadas por artesãos e comerciantes que participavam das caravanas de camelos que levavam mercadorias do Oriente até o mar Mediterrâneo.

Esse período em que os árabes não tinham unidade política e ainda eram politeístas ficou conhecido como Arabia pré-islâmica.

A Unificação dos árabes

Cada tribo tinha duas ocupações, e as diferenças religiosas só os afastavam uns dos outros, acentuando suas particularidades culturais.

Meca, no século VII, era governada pelos coraixitas, tribo de comerciantes. Tinham o controle do comércio e das caravanas. Nessa tribo nasceu Maomé (Muhammad), que desde a infância participava do comercio de caravanas. Essas longas viagens lhe proporcionaram contato com as religiões monoteístas da época – o judaísmo e o cristianismo e na Pérsia o masdeísmo. Aos poucos, Maomé foi desenvolvendo e pregando uma nova religião monoteísta. Ao casar com uma viúva rica de Meca, em 610, pôde dedicar-se somente à pregação e à difusão dessa nova religião: o islamismo.

Maomé passou a atacar tudo que representava uma afronta à nova religião. A Caaba foi um dos seus focos de protesto, pois ela servia ao culto politeísta e, segundo o islamismo, havia somente um Deus, Alá. Essa condenação da Caaba colocava em risco o poder da aristocracia da cidade de Meca, que passou a hostilizá-lo e a persegui-lo. Por causa desse conflito, Maomé fugiu para Yatreb, em 620, fato que ficou conhecido como Hégira e marca o início do calendário muçulmano.

Em 630, apoiado por forte exército que organizara em Medina, Maomé dominou Meca. Dessa vez manteve o culto à Caaba e tornou a peregrinação a Meca um dos preceitos de sua religião, o que fez a aristocracia e o povo da cidade aderirem ao monoteísmo islâmico.

Quando Maomé morreu, em 632, todos os árabes se encontravam unificados sob a mesma religião; contudo, um novo conflito surgia: quem iria herdar o domínio da religião islâmica?

Após a morte de Maomé

Os dois homens que lutavam pelo poder eram Abu Bakr, sogro de Maomé, e o profeta Ali, primo e genro de Maomé. Realizou-se então, uma assembleia para definir o novo patriarca dos árabes. A escolha caiu sobre Abu Bakr, que se tornou o primeiro califa muçulmano. A partir daí houve uma cisão entre os muçulmanos, pois aqueles que apoiavam Abu Bakr passaram a ser conhecidos como sunitas. Além do Alcorão, seguiam o Sunna, livro de ditos e atos de Maomé. Já os xiitas, seguidores de Ali (Shi’at Ali), acreditavam apenas o Alcorão, que trazia a verdade sobre Alá.

Motivados pela escassez de terras e pelo crescimento populacional, os árabes iniciaram sua expansão. Invadiram as terras do Império Bizantino e do Império Persa, chegando a dominar também a Síria, a Palestina e o Egito.

Com  a subida ao poder da família dos Omíadas, os árabes expandiram ainda mais seu território. Em 711, atravessaram o estreito de Gibraltar e invadiram a península Ibérica, onde permaneceram por sete séculos. Essa expansão só foi contida em 732 na batalha de Poitiers, quando os francos derrotaram os árabes e não permitiram seu avanço sobre o resto da Europa.

Fatores que facilitaram a expansão árabe:.

  • As rivalidades tribais foram deixadas para trás, com a ideia da guerra santa (jihad).
  • As conquistas eram financiadas pelas grandes cidades árabes, pois proporcionavam grandes riquezas.
  • Os árabes respeitavam os costumes e as crenças dos povos conquistados.

A dinastia Omíada foi derrubada em 750, quando o poder foi assumido pelos Abássidas, dando início à decadência do império Islâmico. Os califas mantiveram o poder religioso, mas o poder político foi delegado ao vizir. Surgiram califados, emirados e principados independentes, esfacelando o poder e facilitando a conquista dessas regiões por outros povos.

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
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Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

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