Os Pré-Socráticos e o Nascimento da Filosofia Grega

A filosofia Grega é  muito conhecida por grandes nomes atenienses. Sócrates, Platão e Aristóteles são alguns de peso. Porém, seu desenvolvimento foi da periferia (colônias gregas) para o centro, concentrando-se em Atenas somente mais tarde. Seu surgimento é creditado, por muitos, aos gregos jônicos, na cidade de Mileto, atual Turquia. É importante lembrar que a filosofia grega sofreu, desde o início, muita influência de outros povos, como os Fenícios, Egípcios e Mesopotâmicos, graças à navegação e as atividades comerciais das colônias jônicas.

Sócrates

O esforço de substituir o pensamento mitológico (mithos) pelo racional (logos), como forma de entender a realidade e a verdade foi uma das bases de seu desenvolvimento. Nesse período, a cultura homérica e o pensamento mítico estavam em crise. Segundo Nietzsche: “Eles (os filósofos) e a arte ocupam o lugar do mito que está desaparecendo” (Nietzsche, 2001, p.3)

Nietzsche considera que Tales de Mileto (filósofo jônico) com a frase “a água é o princípio de todas as coisas” inaugura a filosofia grega, pois Tales se questiona sobre a origem das coisas sem o uso da imagem ou da fabulação. Portanto, os filósofos gregos ainda tinham questionamentos presentes antes nos mitos, porém seus “deuses” não eram mais pertencentes a um mundo sobrenatural.

Os primeiros protagonistas da filosofia grega são os chamados Pré-Socráticos. O termo remete à ideia de que estes filósofos vieram antes de Sócrates (o que realmente acontece na maioria dos casos). Porém, indica uma tendência de pensamento, a saber, a preocupação com a natureza (physis). Suas principais linhas de pensamento são representadas pelas escolas Jônica, Itálica, Eleática e Atomista.

Estabelecida na colônia grega Jônia (hoje Turquia), a Escola Jônica é caracterizada pela busca por um elemento primeiro, e por pensar o mundo como algo em movimento. O mundo aparente estaria em constante transformação, porém sempre fundado em princípios únicos a partir dos quais a natureza poderia ser constituída ou gerada. Os filósofos jônicos têm como nomes mais influentes: Tales de Mileto, que via a água como formadora de todas as coisas; Anaxímenes de Mileto, que propunha o ar como formador de todas as coisas; Anaximandro de Mileto, cujo elemento formador de todas as coisas era o ápeiron, aquilo que é ilimitado e que possibilita a união e separação dos diferentes corpos. Anaximandro foi talvez o primeiro a propor um modelo para o universo dentro do escopo da astronomia grega. A terra estaria no centro, e os corpos celestes formados por anéis de fogo que a circundariam. O fogo, porém, tem um papel fundamental na filosofia de outro nome importante da Escola Jônica.

Heráclito de Éfeso dizia que o fogo representava a natureza das coisas. Ele inaugurou, do ponto de vista epistêmico, o problema em torno da verdade e da mera opinião. O método para a busca da verdade é sustentado na observação. Essa característica foi inovadora em relação à tradição mítica anterior. O filósofo de Éfeso ainda propôs uma capacidade natural da alma de compreender o universo, pois ela seria afim ou semelhante ao fogo, que constitui a natureza das coisas.

Heráclito atribuia ao fogo, necessário para entender a natureza, um papel metafísico. Tal papel duplo também existe na filosofia de Pitágoras, principal filósofo da Escola Itálica. O número é o princípio fundamental das coisas. Com isso, a matemática adquiriu um papel privilegiado como instrumento de conhecimento do mundo natural. Bem como a Escola Jônica, que teve papel primordial no início da filosofia grega, de grande importância foi Pitágoras, responsável pela criação da própria palavra filosofia (amizade pela sabedoria).

A Escola Eleata, desenvolvida em Eleia, sul da Itália, discordava de um ponto importantíssimo do estudo da natureza (physis) dos filósofos Jônicos. Para os eleatas, as mudanças e transformações eram a aparência de um Ser uno, indivisível, eterno, uniforme e imutável. Seus principais nomes foram; Xenófanes de Cólofon, Parmênides de Eleia e Zenão de Eleia. Os três usavam argumentos para demonstrar que a mudança, defendida pelos jônicos, era uma ilusão.

A Escola Jônica e a Escola Eleata discordavam quanto à natureza, pois uma acreditava em um mundo constituído por um elemento que se transformava, enquanto outra em um elemento imutável, uno e eterno com transformações ilusórias. A filosofia de Empédocles surge como uma conciliação entre esses pontos de vistas. Ele não pertencia a nenhuma escola definida, pois com os Eleatas, dizia que as raízes elementares (seriam os elementos primordiais terra, água, ar e fogo) eram eternas e imutáveis, mas, com os Jônicos, dizia que as transformações da natureza eram reais. As mudanças entre os diversos fenômenos são na proporção com que as raízes compõem os diversos corpos. A força que une os elementos seria o amor ou a amizade, enquanto a que separa é o ódio ou a discórdia.

Outra alternativa foi fornecida pela Escola Atomista, com os filósofos Epícuro de Samo (341 a.C. – 270 a.C.), Leucipo de Mileto (c. 475 a.C.) e Demócrito de Abdera ( c. 460 – 3700 a.C.). Eles defendiam uma natureza composta por átomos (átomo: a = negação e tomos – divisão), aquilo que não pode ser dividido. Esses elementos, formados por uma matéria dura e indiferenciada, podiam assumir qualquer forma geométrica e interagiam por colisões aleatórias. Portanto, qualidades como cor, brilho, cheiro e textura (perceptíveis pelo sentidos) eram questões de opinião, enquanto que a realidade deveria ser conhecida através da forma, ordenamento e posição espacial dos átomos.

Os Pré-Socráticos buscaram uma forma de compreender a natureza (physis) por meio da razão (logos). Apesar de a filosofia socrático-platônica ter representado uma mudança no foco ( o homem e sua condição como principal questão), as questões e conceitos propostos pelos pré-socráticos foram assimilados de muitas formas. Por exemplo, a filosofia das quatro raízes, de Empédocles, foi assimilada por Platão e, em seguida, por Aristóteles, e vigorou durante toda a Idade Média. Já a questão do vazio, contribuição atomista, foi muito discutida por Aristóteles, que rejeitou fortemente.

Revisão: Luisa I. Moyses.

Referências:

A.J.S.Fitas. Notas sobre a «História das Ideias em Física». (cap.2).

BULHÕES, F. Nitzsche e o nascimento da filosofia grega. Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

BORNHEIM, G. A., Os filósofos pré-socraticos. Ed. Cultrix.

POLITO, A.M.M. & FILHO, O.L.S., A filosofia da natureza dos pré-socráticos.

Portal Mundo Educação: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/filosofia/presocraticos.htm

Sejam muito bem-vindas(os)! Meu nome é Rodrigo Castilho e tenho 22 anos. Sou movida por conhecer coisas novas e pelo desejo de ver um mundo com mais igualdade, representatividade e aceitação da diversidade. Como graduanda em filosofia e colunista do EducaHelp, felicito a todas e todos que são amigas(os) do saber [filósofas(os)].
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Rodrigo Castilho

Sejam muito bem-vindas(os)! Meu nome é Rodrigo Castilho e tenho 22 anos. Sou movida por conhecer coisas novas e pelo desejo de ver um mundo com mais igualdade, representatividade e aceitação da diversidade. Como graduanda em filosofia e colunista do EducaHelp, felicito a todas e todos que são amigas(os) do saber [filósofas(os)].

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