PANTERAS NEGRAS: DESVENDANDO AS CORDAS RETORCIDAS DE RAÇA E CLASSE.

Conhecer e entender o movimento do partido das panteras negras nos EUA nos remete a um período de luta de classes intensas e a violação absoluta dos direitos humanos dos negros americanos. Um período turbulento na memória dos oprimidos pelo sistema discriminatório americano e também de característica racista e não menos fascista.

Os panteras nasceram em 01/04/1967, foi um partido negro revolucionário estadunidense, fundado em Oakland, na Califórnia, por Huey Newton e Bobby Seale, com o objetivo de patrulhar guetos negros (periferia) para proteger os residentes dos atos de brutalidade e violência da polícia americana.  Os panteras lutavam essencialmente contra atos racistas praticados pela polícia local contra a população negra.

Era um partido com inclinação marxista e com princípios e diretrizes de cunho social, político e de justiça social que pregava a proteção em diversas áreas à população negra, inclusive em termos de assistencialismo social e proteção contra atos violentos dos opressores policiais. Obviamente, tamanha inclinação política de esquerda contidos em suas diretrizes políticas, alertaram as autoridades governamentais para o movimento dos panteras e a ação do FBI nas investigações. Diversos conflitos envolvendo as principais lideranças e militantes do partido ocorreram com a polícia.

É muito importante ressaltar a participação dos jovens no partido, era de fato, a principal mola propulsora contra a intolerância governamental e a violência da polícia. Deram mais força aos atos do partido e participavam ativamente de muitas atividades para gerar fundos e concretizar as ações promovidas pelos panteras nas comunidades e nas atividades políticas in loco.

A ativista Ericka Huggins foi bastante pontual quando destacou a juventude e sua participação intensa no movimento, sobretudo no avanço e reconhecimento da cultura negra e no predomínio do garantismo de direitos humanos para os negros americanos e de todo o mundo. Acredito que, Ericka destacou com bastante propriedade essa questão, bem como a importância dos direitos civis. A contestação dos jovens é essencial para o aprimoramento de mais direitos e garantias nos movimentos sociais, sobretudo os pacíficos.

Claro que durante várias manifestações sociais daquela população, houve alguns efeitos colaterais, como assassinatos em massa, recrutamento e cooptação de alguns membros dos panteras pelo FBI, fatos isolados que repercutiram socialmente e politicamente no país e na sociedade local.

O clima de instabilidade deixou evidente que existia uma guerra velada de (in) segurança pública e um confronto entre a cultura negra e a cultura dos brancos. Não se pode deixar de mencionar que tal articulação política organizada por parte dos panteras desconcertou o Estado, as autoridades, e que a problemática, foi tratada como de responsabilidade da polícia, a força coercitiva do Estado e não como questão cultural e de gênero.

Infelizmente o Estado e autoridades americanas foram completamente apáticos em relação a um movimento tão organizado e que pedia por mais liberdade e poder de participação política engajada, bem como mais respeito aos negros. O que ocorreu de fato foi à criminalização da pobreza e a marginalização de jovens daquela comunidade.

A própria investigação conduzida pelos órgãos policiais demonstrou essa criminalização dos mais pobres, e a cultura exacerbada da vigilância e espionagem desenfreadas, preocupação excessiva com a segurança nacional. É bem notório que o partido foi duramente confundido com terroristas em potencial e com alianças com partidos comunistas em expansão. Parece que clamar por mais liberdade e direitos foi confundido com a erradicação do sistema capitalista americano e por isso a situação dos panteras se agravou, sobretudo perante a justiça criminal. Fazendo uma alusão a realidade contemporânea, essa situação permanece, basta perceber o nível de vigilância e espionagem que o governo americano investe, contra praticamente muitos países do globo, inclusive com o Brasil.

O ato de protestar é bastante legítimo e é o único capaz de ajudar no processo democrático, na garantia de liberdade de expressão e de transformar a sociedade, além de auxiliar no progresso do atendimento de direitos e assistencialismo para os grupos que mais necessitam de ser defendidos pelo Estado.

BIBLIOGRAFIA

ALEXANDER, Jeffrey C.. Ação Coletiva, Cultura e Sociedade Civil: Secularização, atualização, inversão, revisão e deslocamento do modelo clássico dos movimentos sociais. Rev. bras. Ci. Soc.,  São Paulo ,  v. 13, n. 37, June  1998 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69091998000200001&lng=en&nrm=iso>.accesson  24  Sept.  2013.  http://dx.doi.org/10.1590/S0102-69091998000200001.

 TOURAINE, A. (1994), Qu’est-ce que la democratie? Paris, Fayad.

Especialista em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça pela Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (2016). Especialista em Sociologia e Ensino de Sociologia pelo Centro Universitário Claretiano (2014), especialista em Adolescência e Juventude pela Escola de Educação, Tecnologia e Comunicação da Universidade Católica de Brasília (2013), possui especialização em Direito e Inteligência pela Universidade Católica de Brasília (2012). Graduada em Ciências Sociais através da Escola de Comunicação, Educação e Humanidades da Universidade Metodista de São Paulo (2016). É tecnóloga em Segurança e Ordem Pública pela Escola de Humanidades e Direito da Universidade Católica de Brasília (2010). Atualmente é professora de sociologia atuando no triângulo mineiro. É também acadêmica do curso de bacharelado em Direito pela Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e colaboradora colunista do blog EducaHelp na disciplina de sociologia.
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Isabôhr Mizza

Especialista em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça pela Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (2016). Especialista em Sociologia e Ensino de Sociologia pelo Centro Universitário Claretiano (2014), especialista em Adolescência e Juventude pela Escola de Educação, Tecnologia e Comunicação da Universidade Católica de Brasília (2013), possui especialização em Direito e Inteligência pela Universidade Católica de Brasília (2012). Graduada em Ciências Sociais através da Escola de Comunicação, Educação e Humanidades da Universidade Metodista de São Paulo (2016). É tecnóloga em Segurança e Ordem Pública pela Escola de Humanidades e Direito da Universidade Católica de Brasília (2010). Atualmente é professora de sociologia atuando no triângulo mineiro. É também acadêmica do curso de bacharelado em Direito pela Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e colaboradora colunista do blog EducaHelp na disciplina de sociologia.

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