A Civilização Grega Parte II: Período Arcaico e a formação das pólis Esparta e Atenas

O período Arcaico grego é caracterizado pelo agrupamento dos genos (organização social visto no post: A civilização Grega parte I…), ocasionando o nascimento das pólis. Veremos abaixo, dois modelos de cidades-Estado que se desenvolveram nesta época.

Esparta

A sociedade espartana era dividida em:

  • Esparciatas: Detentores do poder político-administrativo e descendentes diretos dos dórios. Segregavam-se das demais classes fazendo uso da força militar.
  • Periecos: Eram os homens livres (comerciantes e artesãos), todavia não participavam da administração ou das decisões do Estado. Nos tempos de guerra, caso necessário, teriam de cumprir com obrigações militares.
  • Hilotas: cativos de propriedade do Estado. Não gozavam de direitos políticos, no entanto eram a maior parte da população, cujo trabalho permitia aos espartanos dedicarem-se à guerra.

Intitulada como diarquia, a política espartana possuía dois reis escolhidos entre a aristocracia. A organização militar e religiosa, era uma das mais importantes fainas desses reis. A criação de leis e administração da pólis espartana era feita através da Gerúsia, “instituição” composta por 28 anciãos maiores de 60 anos, os gerontes. A Apela (formada pelos mais importantes homens espartanos maiores de 30 anos), tinha como objetivo selecionar os membros da Gerúsia e do Conselho de Éforos, além da autoridade de aprovação e veto das leis formuladas pelos gerontes. Por sua vez, o Conselho de Éforos (constituído de cinco membros),presidia as reuniões da Apela e da Gerúsia. Ademais, controlavam a vida social e econômica de toda a cidade, conservavam autonomia até mesmo para vetar leis e destituir reis. Eram os dirigentes do Estado espartano.

A educação espartana

As mulheres espartanas eram educadas apenas para “abastecer” o Estado com proles saudáveis. Ao nascer uma criança do sexo feminino, não havia nenhuma pompa especial, no entanto, quando a criança era do sexo masculino fazia-se uma festa. Na suspeita do menino possuir alguma limitação física, o mesmo era lançado do alto do monte Taigeto. Os meninos caracterizados como “fisicamente perfeitos”, ao atingir os sete anos de idade eram levados pelo Estado, à escola militar para desenvolver suas habilidades como soldado.

Completado 12 anos, os meninos eram abandonados nus e sem comida no alto de penhascos, como parte do treinamento. Aos 18 anos retornavam a pólis espartana, porém somente aos 30 anos eram considerados cidadãos com direito a voto. Ou seja, cidadãos espartanos eram apenas homens que receberam a educação espartana (esparciatas, com trinta anos ou mais). Vale lembrar, que a menina espartana também passava por um treinamento militar e muita atividade física, pois deveria estar saudável para poder gerar filhos fortes para o Estado.

Atenas

Atenas, foi uma das mais promissoras cidades-Estado grega. Detinha a liderança econômica e militar entre as pólis na região da Ática. Grande produtora de vinho, azeite e cerâmica, fazia comércio por quase toda a extensão do Mediterrâneo.

A sociedade ateniense era dividida em:
  • Eupátridas: grandes proprietários de terras, conceituados cidadãos tal como os georgói (pequenos proprietários), demiurgos (artesãos) e os thétas (camada mais pobre).
  • Metecos: estrangeiros que viviam em Atenas. Em linhas gerais, trabalhavam com o comércio e artesanato e não possuíam direitos políticos, tampouco terras.
  • Escravos: maioria da população grega. Eram propriedade particular, no entanto existia uma lei que embargava excessos e maus-tratos.

Os pequenos proprietários atenienses acabavam endividando-se, perdendo suas terras e algumas vezes chegavam a tornar-se escravos. Fatalidade que também ocorria em Esparta.

Tomando o lugar dos basileus, a aristocracia ateniense ascende ao poder, onde o Arcontado passa a ser o órgão administrativo. Essa instituição era formada por eupátridas, atilados por funções judiciais, religiosas e militares. Havia o Areópago, conselho responsável pela fiscalização dos arcontes.

O poder nas mãos da aristocracia ateniense elevava-se cada vez mais, ao subjugarem o restante da população. Frente a esses abusos, eclodiram protestos pleiteando reformas sociais. DráconSólon, foram as principais figuras dessas reformas, que visando a diminuição dos protestos, diligenciaram em modificar algumas leis. Drácon delimitou-se a imposição de leis escritas, fato de grande importância, pois dessa maneira o povo teria um parâmetro daquilo que era correto ou não. Sólon no que lhe diz respeito, encerrou a escravidão por dívida, executou uma reforma social,na qual a divisão da sociedade passava a ser a riqueza e não o nascimento. Por fim, criou a Eclésia, assembléia popular que contava com a participação do povo. Juntamente com a Eclésia, criou a Bulé ou conselho dos quatrocentos, incluso de 100 representantes de cada uma das quatro tribos da Ática.

Tirania em Atenas

Contudo, essas reformas não puseram fim às pressões. Em 560 a.C., Pisítrato, toma o poder e estabelece a tirania, centralizando o poder em suas mãos. Esse tirano distribuiu terras, concedeu crédito a pequenos produtores e investiu em obras públicas, gestando emprego para o povo. Dado o seu falecimento em 527 a.C.,seus filhos Hípias e Hiparco, assumem o poder. Após o assassinato de Hiparco, Hípias inicia um governo despótico e autoritário. Descontentes com o governo de tendências populares, os eupátridas aliaram-se a Esparta e colocam fim à tirania em torno de 510 a.C. Porém mesmo com essa “jogada”, os eupátridas não conseguiram manter o poder.

Ao fim da tirania, o governo de Atenas passa a ser da família dos alcmeônidas chefiado por Clístenes. Este em sua razão, fundou um governo de base isonômica, ou seja, na igualdade dos cidadãos perante a lei.

Clístenes dividiu os residentes da cidade grega em dez tribos, formadas pelos demos, menor unidade de divisão, assim evitando a união entre as famílias eupátridas. O sistema administrativo tinha como base o demo, fazendo eclodir a democracia. A Bulé passou a ser composta por 50 homens de cada tribo, totalizando 500 indivíduos. Clístenes criou também o ostracismo, sistema de defesa desse novo governo, que exilava qualquer ameaça a democracia por um período de dez anos. As medidas tomadas por Clístenes fazem alusão ao sistema político que rege a maioria dos países do mundo, a democracia.

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
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Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

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