A Política como Cultura

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A aula dessa semana é a terceira de uma série de aulas que tem como eixo central o estudo do seguinte tema: Cultura e diversidade cultural. Ela abordará a política como cultura e o tratamento dela dentro das Ciências sociais, principalmente na Ciência Política.

Como vimos na aula da semana anterior, a cultura pode ser entendida “como tudo aquilo que os seres humanos produzem em sociedade, uns com os outros”, para a sobrevivência de um determinado grupo social (comunidade), desde produtos materiais básicos, como um instrumento necessário para a caça, por exemplo; até elementos simbólicos mais complexos, como Arte e religião.

Por outro lado, a política na sua definição clássica mais ampla significa a “organização, administração de conflitos de interesses dentro de uma sociedade/ comunidade”. O filósofo da Grécia antiga, Aristóteles, desenvolve essa visão nos mostrando que a política é a “essência do Homem”, a “essência do ser social”, por referir-se à necessidade da convivência em grupos, própria dos humanos. Isto pode ser visto na sua famosa frase: “O Homem é um animal político [social]”.

Feita essa rápida introdução, como pensarmos a relação da política com a cultura? Nas Ciências sociais (Antropologia, Sociologia e Ciência Política) essa relação é feita pela Ciência política, basicamente. Obviamente, a Antropologia e a Sociologia também se utilizam dessa relação para as suas pesquisas, porém, é na Ciência Política que essa relação ocorre de uma forma mais sistemática. Como assim? Os cientistas políticos, na interpretação dos fenômenos próprios da política, lançam mão, cada vez mais, do elemento da cultura no estudo da relação política entre países no “jogo geopolítico global”, da forma como o Estado organiza-se e se relaciona com a sociedade civil, dos movimentos sociais e da sua organização político-partidária, da relação da sociedade com o Estado, do processo eleitoral nas democracias modernas, da construção dos direitos de cidadania, etc… Eis alguns exemplos de como a cultura é importante para um melhor entendimento acerca das “relações políticas”, de uma perspectiva mundial, e de uma forma particular no que tange a realidade brasileira.

Além daquilo que foi citado acima, costumo durante as aulas enfatizar que a “política não é uma questão de Fé”, ou seja, uma “crença messiânica” numa pessoa, ou num grupo de pessoas, capazes de solucionar, “salvar” a população das mazelas sociais, pelo contrário. Política é um conflito de interesses materiais (econômicos e sociais) antagônicos. Sempre há interesses em jogo, seja a favor de um determinado grupo social privilegiado, ou a favor de outros grupos menos privilegiados. Isso pode parecer óbvio para o leitor, mas se olharmos para a cultura política brasileira veremos o quão pensá-la dessa forma é comum e ainda permanece, em muitos aspectos, nos dias atuais. Outro exemplo é quando ouvimos pessoas afirmarem: “Ah, mas em ‘países desenvolvidos’ a política é mais organizada do que aqui”. Ou: “A política desse país é uma bagunça!” Quando elas usam essas frases, ou outras frases do mesmo gênero, não entendem que cada país tem o seu “DNA social e histórico”, tem o seu caráter cultural diferente de formação e desenvolvimento ao longo da história.

Portanto lanço um desafio à reflexão. Antes de expressar uma opinião política, reflita antes sobre a política nos termos propostos aqui, pois assim, evita-se uma entendimento superficial acerca dos conflitos políticos que enfrentamos hoje, no Brasil e no mundo.

Pensar a política como cultura nos ajuda a compreender de uma forma mais profunda o fenômeno da política, ou, “a essência do ser social”, nas palavras de Aristóteles. Tarefa de suma importância no mundo atual.

 

Para ler as aulas anteriores, clique no link abaixo:

Blog EducaHelp – Sociologia

 

INDICAÇÕES DE LEITURA

– CUCHE, Denys. A noção de cultura nas ciências sociais. Editora Edusc.

TOMAZI, Nelson D. Sociologia para o ensino médio. Editora Saraiva.

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.
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Kassiano César de Souza Baptista

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.

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