Projeções cartográficas e as distorções

Continuando o assunto sobre cartografia, temos hoje o tema: projeções cartográficas.

Os subtemas do post são:

  • A origem a função da projeção cartográfica,
  • Os tipos de projeções mais usadas e suas diferenças.
  • Distorção do mapa

Mesmo que o mapa existisse desde a Antiguidade, foi somente no período das Grandes Navegações (século XVI) que buscou a necessidade de criar mapas com perfeições para uso da navegação.

1. Projeção Cartográfica

A projeção cartográfica é uma solução matemática para representar o máximo possível de perfeição a superfície terrestre sobre um plano (mapa).

O desafio é conseguir representar perfeitamente a Terra, que é uma superfície esférica, em um plano (mapa). Um detalhe que não pode ser esquecido é que a Terra é um objeto 3D (altura, largura e comprimento), enquanto o plano é 2D (altura e largura). Devido a essa desproporção, qualquer projeção da superfície terrestre sofrerá distorção.

Portanto, ao representar a Terra deve-se pensar na melhor estratégia para definir a região que irá distorcer. Sendo que, a escolha dependerá da finalidade do mapa. Por exemplo, se o motivo do mapa for para navegação, a projeção precisará manter corretamente as distâncias entre os pontos, já que a intenção é garantir a precisão na navegação.

A distorção no planisfério pode ser na “extensão” (alargamento) ou “contração” (encolhimento) das formas do continente.

Existe três tipos básicos de projeções: cilíndrica, cônica e azimutais.

A) Cilíndrica

Projeção usada na representação de planisférios. A distorção dessa projeção ocorre nas áreas de altas latitudes, mas conserva as proporções das superfícies próximas ao Equador.

Os paralelos são retos e horizontais e os meridianos são retos e verticais, e ambos formam ângulos retos.

B) Cônica

O globo terrestre é projetado em um cone tangente para depois ser planificado. Apresenta deformação na base e no vértice do cone, tendo regiões menores. A finalidade dessa projeção é representar regiões de latitudes médias.

O meridiano é radial (parte do mesmo centro) e o paralelo é círculos concêntrico (tem o mesmo centro).

C) Azimutal

Elaborada por uma tangente sobre a esfera terrestre, podendo o plano ser centrado em um ponto no Equador, nos polos ou em outro ponto. A deformação ocorre nas áreas mais afastadas da tangência, tendo menos na área central. Essa projeção tem três tipos de modalidades: oblíqua, polar e equatorial.

A oblíqua pode partir de qualquer parte do globo.

Na polar a área representada mostra só um hemisfério, sendo os meridianos convergentes e os paralelos concêntricos.

 Esta projeção azimutal polar é encontrada no emblema oficial da Organizações das Nações Unidas (ONU), uma organização supranacional com o objetivo de estabelecer a paz mundial, cuja intenção é de não valorizar nenhuma região no seu emblema.

Bandeira da ONU com a projeção azimutal polar

A projeção azimutal equatorial tem o plano tangente entre a esfera está no Equador.

 

2) Projeções mais usadas

A) Projeção de Mercator

Mesmo que o mapa existisse desde a Antiguidade, foi somente no período das Grandes Navegações (século XVI) que buscou a necessidade de criar mapas com perfeições para uso da navegação.

Nesse contexto, surge Gerhard Mercator (1512-1594), que elabora a projeção cilíndrica em 1569 que veio a ser a mais conhecida projeção. Inclusive é a projeção utilizada oficialmente no Brasil.

O tipo dessa projeção é cilíndrico e conforme (mantêm os ângulos).

Nesta projeção é ampliada a área do hemisfério Norte, tendo o centro a Europa (eurocentrismo), e sendo precisa nas formas, ocorrendo distorções nas dimensões dos continentes. Quanto mais afastado da região da Linha do Equador mais distorcido fica a região.

B) Projeção de Peters

 

Esta projeção foi criada pelo alemão Arno Peters, em 1973, e procura representar mais fielmente as áreas do oceano e continentes. Por isso, o tipo dessa projeção é cilíndrica e equivalente.

 Nessa projeção a distorção é pelo achatamento no sentido leste-oeste e um alongamento norte-sul, tendo a África e América do Sul alongadas.

É importante explicar que a projeção de Peters foi criada com o objetivo de debater a projeção de Mercator, que privilegia a Europa. No mapa de Peters, a região valorizada é os países do Terceiro Mundo.

Comparando as duas projeções

Veja no mapa acima como o Brasil está diferente na projeção de Mercator e Peters.

O verdadeiro tamanho dos países

Circula na internet um vídeo do Incrível com o título “Como os mapas muitas vezes distorcem o verdadeiro tamanho dos países”. Nesse mapa, que utiliza a projeção de Mercator, as regiões mais afastadas da Linha do Equador são distorcidas. No vídeo é explicado de forma didática as distorções.

Elementos do mapa e escala

Graduado e mestre em Geografia pela Unesp, campus de Presidente Prudente (SP). É atualmente professor de geografia em escolas particulares e públicas e professor de geopolítica em cursinho preparatório para vestibular. Escreve no Geografia no Vestibular e no Educa Help.
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Leandro Nieves

Graduado e mestre em Geografia pela Unesp, campus de Presidente Prudente (SP). É atualmente professor de geografia em escolas particulares e públicas e professor de geopolítica em cursinho preparatório para vestibular. Escreve no Geografia no Vestibular e no Educa Help.

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