Quando usar crase?

Quando usar crase?

Para começar, vamos entender o que é crase. Algumas definições não são totalmente adequadas, como por exemplo a de que a crase seria a junção de duas vogais idênticas. Esta informação não está incorreta, mas incompleta, pois é insuficiente para delimitar o que é crase.

Embora a crase seja a fusão de duas vogais idênticas, é necessário que, imprescindivelmente, uma seja preposição e outra artigo, ou inicial de pronomes demonstrativos “aquela(s), aquele(s)”, “aquilo” ou do pronome relativo “a qual (as quais)”.

A crase é, então, a fusão, contração ou união da preposição A com o artigo definido A.

Não é correto dizer que o acento grave é crase. O acento grave (`) é um sinal gráfico que apenas representa a fusão chamada crase.

Mas não é só isso. Como já falado no artigo sobre como estudar gramática, não basta saber o que é preposição e artigo, é preciso entender as situações em que se deve empregar a crase.

Existem algumas regras, porém, antes é necessário entender o conceito da fusão entre um artigo A e uma preposição A.

Vejamos os exemplos a seguir:

  • Respondeu à pergunta.
  • Respondeu a pergunta.

Primeiramente, ambos estão corretos, porém têm sentidos diferentes. Mas por que no exemplo 1 existe crase, representada pelo acento grave e no exemplo 2 não há emprego da crase?

Em primeiro lugar, vamos identificar a presença da preposição A. Para isto, analisaremos o verbo.

No exemplo 1, o verbo “responder” está sendo empregado como transitivo indireto, pois deve-se responder A uma pergunta. Sendo assim, requer a preposição A e o substantivo “pergunta” é feminino e aceita o artigo A.

Ex.: Imagine a seguinte situação:

Alguém pergunta:

Qual é o seu nome?

Alguém responde:

Meu nome é Fulano.

Neste caso, Fulano respondeu à pergunta de alguém.

No exemplo 2, o verbo responder é transitivo direto, isto é, sem preposição.

Ex.: Imagine o seguinte diálogo:

Alguém pergunta:

Qual é o seu nome?

Fulano responde:

Quem quer saber?

Neste caso, Fulano respondeu a pergunta “Quem quer saber?”, ou seja, utilizou esta pergunta como resposta.

Note que a explicação para haver crase no exemplo 1 é a presença da preposição A + o artigo A e no exemplo 2, há somente o artigo pois o objeto é ditreto.

Importante:

Existe uma estreita relação entre o uso da crase e a regência verbal, que explica a presença da preposição.

Uso da crase

Não ocorre crase:

Não ocorre crase antes de palavras masculinas, antes de verbos, de pronomes pessoais, de nomes de cidade que não utilizam o artigo feminino, antes de numerais (exceto horas), da palavra casa quando tem significado do próprio lar, da palavra terra quando tem sentido de solo e de expressões com palavras repetidas como (dia a dia) e (passo a passo).

Sempre ocorre crase:

  • Na indicação pontual de horas:

Às 15 horas partiremos.

O jantar será servido às dezenove horas.

  • Com a expressão à moda de e à maneira de:

Fala à (moda de) Gullar.

Bife à milanesa.

  • Nas expressões adverbiais femininas:

Saíram à noite.

Andava às pressas.

Estou à procura dos documentos.

  • Todas as vezes que houver o encontro e a fusão, contração ou união da preposição A com o artigo A.

 

Uma dica valiosa na hora de saber se há necessidade de crase é analisar a transitividade do verbo.

Para saber se na frase: “Vou à farmácia.” tem crase, basta saber se neste caso o verbo é transitivo direto ou indireto.

Para facilitar, substitua o termo referido por um termo no masculino. Veja no exemplo:

Para saber se na frase: “Vou a farmácia.” Tem crase, basta substituir a palavra “farmácia” por um termo no masculino, como “mercado”, por exemplo.

Se ao substituir o termo, constatar-se que também será preciso substituir o A por AO, fica evidente a presença da preposição e do artigo. Portanto, na frase “Vou à farmácia” haverá, sim, o uso da crase.

Ex.:

Vou a farmácia; (Frase duvidosa)

Vou a mercado; (Termo substituído – é necessário substituir o A por AO).

Vou ao mercado; (Termo substituído – preposição A + artigo O).

Vou à farmácia. (Preposição A+ artigo A).

O verbo “ir”, por si, é intransitivo, mas quando significar a ida de um lugar a outro, será sempre transitivo indireto, isto quer dizer que exigirá a preposição A e, se o termo seguinte for uma palavra no feminino e aceitar o artigo A, dever-se-á utilizar a crase.

Ex.:

“Vou à Bahia.”

 

Estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Atualmente mora em Londrina. É um dos responsáveis pela fundação do EducaHelp, plataforma de desenvolvimento de conteúdos para Pré-Vestibular.
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Lucas Montini

Estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Atualmente mora em Londrina. É um dos responsáveis pela fundação do EducaHelp, plataforma de desenvolvimento de conteúdos para Pré-Vestibular.

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