Quarta Revolução Industrial e o fim do emprego

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Na aula anterior, intitulada Transformações no trabalho na sociedade capitalista, traçamos um panorama sobre as constantes revoluções industriais pelas quais o capitalismo vem passando, desde o século XVIII até os dias atuais. Todavia, a aula dessa semana tem como objetivo contextualizar e debater o fenômeno socioeconômico mundial atual, denominado de “Quarta revolução industrial” ou “Indústria 4.0”; particularmente os seus efeitos no mundo do trabalho com a “extinção de empregos”.

A “Quarta revolução industrial” é um aprofundamento em ritmo acelerado, a partir do século XXI, da “Terceira revolução industrial” que criou a indústria robótica, tendo como país central o Japão e expandindo-se para o mundo todo. Em outras palavras, ela instituiu um novo padrão de produção, no qual “robôs” substituem mão-de-obra humana dentro do sistema produtivo. (Processo também conhecido como “automatização da produção”). Esse fenômeno, dentre outros fatores, possibilitou a reorganização da produção mundial, a “globalização” e a “mundialização” das empresas, já que a tecnologia favorece o deslocamento das “máquinas/robôs” (“Parque industrial”) para vários países, sem a dependência da classe trabalhadora de um determinado local.

Nesse sentido, a “quarta revolução” representa as abruptas transformações que estão ocorrendo no meio produtivo e na vida social contemporânea, no início do século XXI. Na reunião da “elite financeira mundial”, denominada de “Fórum econômico mundial”, de 2016 em Davos, nos Alpes suíços, teve como centro do debate o seguinte tema: “A quarta revolução industrial e a extinção de empregos”. Segundo o próprio fórum, a reunião tinha como objetivo alertar os Estados que, de acordo com suas próprias expectativas, até 2020 cinco milhões de empregos não existirão mais, diante da automatização constante da produção. Esse é o gancho para a aula dessa semana.

Como explicado na aula da semana passada, há uma imbricação entre incremento tecnológico na produção e diminuição de mão-de-obra humana. Ela é uma das tendências (leis) do dinamismo da produção capitalista, apontado por Karl Marx já no século XIX. Mesmo que não haja a “extinção de cinco milhões de empregos”, conforme apontado pelo Fórum, o fato é que existem funções dentro do sistema produtivo que não existem mais, sendo substituídas por máquinas cada vez mais “inteligentes” (Inteligência artificial). O que isso acarreta? Uma das consequências acarretadas por esse atual fenômeno produtivo é a diminuição dos empregos em escala mundial e o aumento da massa trabalhadora humana, tendo que “disputar” os poucos empregos que restarão no futuro, aumentando cada vez mais a instabilidade e a rotatividade dos trabalhadores. Sem contar a “qualidade” e/ou a “precariedade” do mundo do trabalho.

Para finalizar, é nesse contexto que entra a reforma trabalhista proposta pelo governo federal, com massivo apoio da elite financeira do país e dos investidores internacionais. Entender esse processo nos ajuda a qualificar o debate, para não cairmos na armadilha política de acusar apenas os políticos. É importante percebermos que o assunto é mais complexo e envolve o dinamismo de produção global, no qual o Brasil se insere.

Para saber mais sobre a “quarta revolução industrial” e seu impacto na vida social do “homem comum”, clique abaixo:

4ª Revolução industrial e o impacto na vida social

Fórum econômico mundial e a 4ª revolução industrial

INDICAÇÕES DE LEITURA

– LAFARGUE, P. O direito à preguiça. Editora Claridade.

– MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. Boitempo Editorial.

– MARX, Karl. Grundrisse. Boitempo Editorial.

– MARX, Karl. O Capital. Boitempo Editorial.

– MÉSZÁROS, I. Para além do capital. Boitempo Editorial.

TOMAZI, Nelson D. Sociologia para o ensino médio. Editora Saraiva.

 

Para ler as aulas anteriores, clique abaixo:

http://blog.educahelp.com/category/sociologia/

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.
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Kassiano César de Souza Baptista

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.

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