Química Verde – O tema é quente!

A química verde é um assunto relativamente novo e pouco abordado nos vestibulares e Enem.
Contudo, esse assunto é A CARA DO ENEM e foi cobrado nos anos de 2013 e de 2015, sendo que em 2015 essa questão derrubou muita gente sabida, inclusive professores.

Mas o que é a química verde?

Também chamada de química sustentável, essa é a área da química e engenharia química destinada ao desenho, desenvolvimento e implementação de produtos e processos que minimizem o uso e a geração de substâncias perigosas, tóxicas, etc.
Historicamente, esse tema ‘química vs ambiente’ foi primeiramente discutido em 1962 por Rachel Carson em seu livro primavera silenciosa em 1962. Neste fala-se sobre o efeito devastador que certas substâncias causam no ecossistema. O livro serviu como um alarme para a comunidade cientifica tanto que em 1969 o congresso americano reconheceu a gravidade do problema e em 1970 criou a Agência de Proteção Ambiental (EPA) destinada à proteção do ambiente e à saúde humana.

Já na década de noventa, o conceito de preservação da natureza começou a sair do mundo etéreo das ideias e passou, timidamente, a ser colocado em prática. Essa década é marcada pela acelerada aceitação do conceito de prevenção da poluição e também pelo estabelecimento da química verde como um legitimo campo cientifico. Nos anos 2000, o Instituto de Química Verde tornou-se parte da Sociedade Americana de Química (ACS), a maior sociedade de química do mundo!

A química verde conta com alguns princípios desenvolvidos por Paul Anastas e John Warner, esses enfatizam o que pode ser feito para tornar um processo mais verde, conforme listado abaixo:

1- Prevenção → deve-se focar na prevenção da formação de resíduo, em vez de trata-lo ou limpá-lo;

2- Economia de átomos  deve-se procurar desenhar metodologias em que todos os átomos dos materiais de partida sejam incorporados no produto final (portanto, prevenir resíduos, de novo!);

3- Síntese de produtos menos perigosos  sempre que possível deve-se focar em produzir substâncias que causem menor dano à saúde e ambiente;

4- Desenho de produtos seguros  os produtos químicos devem ser desenhados para atingir sua função desejada e ao mesmo tempo serem minimamente tóxicos;

5- Solventes e auxiliares mais seguros  deve-se evitar ao máximo o uso de solventes e auxiliares, e quando utilizadas, estas substâncias devem ser inócuas;

6- Busca pela eficiência na utilização da energia  deve-se, sempre que possível, preferir fontes energéticas com menos impacto ambiental, os processos químicos devem, preferencialmente, ser conduzidos à temperatura e à pressão ambientes;

7- Uso de fontes renováveis de matéria prima  deve-se preferir/escolher matérias-primas de fontes renováveis;

8- Evitar a formação de derivados  deve-se evitar a formação desnecessária de derivados, pois estes passos requerem uso de reagentes adicionais e podem gerar resíduos;

9- Catálises  reagentes catalíticos (quanto mais seletivo melhor) são superiores aos reagentes estequiométricos;

10- Desenhados para degradar  as substâncias químicas devem ser desenhadas de modo que, ao final de sua função, estas se fragmentem em produtos de degradação inócuos e não persistam no ambiente;

11- Análise em tempo real para a prevenção de poluição  deve-se desenvolver metodologias analíticas que permitam o monitoramento, em tempo real, do processo e previna a formação de substâncias nocivas; e

12- Química intrinsecamente segura para a prevenção de acidentes  as substâncias e seu modo de uso devem ser escolhidos de modo a minimizar potencias acidentes, incluindo vazamentos, explosões e incêndios.

Dessa forma, a química verde tenta focar em alguns pontos principais que podem ser resumidos como: a mínima geração de resíduos e derivados; o desenho de produtos menos perigosos e que não ameacem o ambiente e/ou a saúde humana, e que degradem facilmente sem acumular no ambiente; uso de matérias-primas e energias renováveis e a segurança monitoramento do processo.

Abaixo segue um exemplo (lindo (*_*)!) de química verde:

Assim, inicialmente, aplicar os princípios da química verde pode parecer algo muito distante da realidade. Mas o Enem e as provas em geral querem que o aluno saiba que há alternativas sustentáveis viáveis. A banca avaliadora entende que um aluno informado será, também, um profissional ciente dos princípios da química verde e poderá contribuir na busca pela química autossustentável.

Fontes:

ACS – American Chemical Society- www.acs.org

LENARDAO, Eder João et al. Green chemistry: os 12 princípios da química verde e sua inserção nas atividades de ensino e pesquisa. Quím. Nova [online]. 2003, vol.26, n.1 [cited  2016-12- 23], pp.123-129. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttextpid=S0100-40422003000100020lng==en&nrm=iso
ISSN 0100-4042.  http://dx.doi.org/10.1590/S0100-40422003000100020

Sou Farmacêutica formada pela UFMG e Mestre em Química pela mesma Instituição. Lecionei matérias relacionadas à Química para Cursos Técnicos e Superiores.
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Débora Barbosa

Sou Farmacêutica formada pela UFMG e Mestre em Química pela mesma Instituição. Lecionei matérias relacionadas à Química para Cursos Técnicos e Superiores.

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