REFLEXÕES ACERCA DAS LUTAS DAS MULHERES NO BRASIL

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A princípio, como de costume, o post dessa semana seria uma abordagem sobre alguns cientistas sociais, suas principais ideias e métodos (Texto da próxima semana). No entanto, a partir da sugestão de um leitor pelo dia internacional da mulher (08/03), o presente texto tem a finalidade não de esgotar o tema em si, mesmo porque ele é inesgotável e abrange diversas possibilidades. Também não há a ambição aqui de indicar caminhos para a luta, pois esse autor parte da seguinte premissa: A luta das mulheres deve ser conduzida por elas mesmas que sentem na pele as agruras e a beleza de serem mulheres. São as mulheres as pessoas mais indicadas para saber e decidir o que é melhor para elas.

Sendo assim, o objetivo desse texto é refletir/provocar acerca da luta das mulheres dentro de uma sociedade machista como a brasileira, que no plano da aparência mostra-se como “pacífica e democrática”, afirmando-se como tolerante e aberta a tudo e a todos.

No plano da abstração jurídica, as constituições democráticas modernas (ocidentais) são unânimes em garantir um princípio: “Todas as pessoas são iguais perante a lei”. Essa “igualdade jurídica”, estabelecida na letra da lei, significou e ainda significa uma garantia dos direitos civis (liberdades individuais), século XVIII e dos direitos humanos (1948). Entretanto, sabemos e presenciamos que na prática cotidiana das relações sociais tal igualdade está longe de ser respeitada. Por outro lado, existem parcelas da população que possuem demandas particulares, específicas e não podem ser negligenciadas por detrás do pueril argumento de que “todos os cidadãos são iguais perante a lei”; essa “falsa igualdade” que mais mascara/esconde do que ajuda no entendimento e, principalmente, na resolução dos problemas. É o caso da luta das mulheres. Seus críticos utilizam-se desse frágil argumento de igualdade para desmoralizar suas reivindicações, descaracterizando o movimento.

Há também, como citado acima, um machismo preconceituoso que “mostra suas garras” diariamente, muitas vezes de forma sutil, nas relações microssociais; porém, no plano macro da sociedade muitos cidadãos (Homens e Mulheres) não enxergam e/ou fingem não enxergarem tal machismo, que somente quem sente na pele sabe os traumas individuais e sociais que ele causa.

A cultura do machismo infelizmente é presente na nossa sociedade e defendido inclusive por mulheres, as ditas “belas, recatadas e do lar”, que criticam o movimento das mulheres e, em alguns casos, denominando-o de movimento de vagabundas (Daí a criação da “marcha e movimento das vadias”). Por outro lado, existem também vertentes radicais dentro do movimento das mulheres que defendem o “ódio aos Homens” (Não é objetivo desse texto discutir sobre gênero e ideologia de gênero. É um tema para um futuro post). Penso que essa radicalidade não é o caminho, apesar de entender as razões que deram origem, pois ela mais atrapalha do que ajuda o movimento.

Por fim, me sinto desconfortável em falar da luta das mulheres, mesmo sendo um sociólogo e esse sendo um dos “ossos do ofício”. Esse desconforto é por entender e defender que a luta das mulheres são delas próprias e devem ser conduzidas pelas mesmas, pois são elas que sentem na pele as mazelas do machismo mascarado predominante na sociedade brasileira.

 

Na próxima semana a nossa “nave investigadora” deitará pouso sobre alguns cientistas sociais, suas principais ideias e métodos. Aguardem!!

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.
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Kassiano César de Souza Baptista

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.

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