Regionalização no Brasil

Descubra os principais tipos de regionalizações no Brasil e os seus critérios estabelecidos e sua relevância na leitura geográfica. 

1.   Região e regionalização

O primeiro ponto para entender a regionalização do Brasil é lembrar do conceito de região, que significa:

Região: Território que se distingue dos demais por possuir características (clima, produção, etc.) próprias.

Dicionário Aurélio Século XXI

Portanto, regionalizar significa dividir em regiões determinadas áreas através de características semelhantes ou diferentes e delimitá-las. Quando comparamos a região sudeste sabemos que esta é diferente da região nordeste e vice e versa. Por exemplo, a região sudeste é mais industrializada enquanto a região nordeste tem como característica uma economia primária (agricultura).

Enfim, dividir o Brasil em regiões ajuda a diferenciar suas características e a buscar um melhor estudo para controle e gestão, servindo para promover o desenvolvimento econômico de uma região. Os órgãos públicos e geógrafos são os responsáveis por propor essas divisões com diferentes objetivos e critérios.

2.   Os critérios e os desafios para regionalizar

Cada tipo de regionalização é feito a partir de um único ou mais critérios. Por exemplo, pode-se dividir uma área em regiões naturais a partir do clima, do relevo ou da vegetação ou até por aspectos econômicos e ou históricos.

Listamos a seguir alguns exemplos de critérios que podem ser utilizados na divisão regional:

  • Continente
  • Ricos e pobres
  • Desenvolvidos e subdesenvolvidos
  • Culturas
  • Economia
  • Aspecto histórico
  • Recursos hídricos
  • Regiões metropolitanas

Como você pode perceber existe vários critérios, cuja escolha dependerá do objetivo e da finalidade de cada divisão regional. Além desses exemplos, existe outros milhares de critérios.

Dividir regionalmente o Brasil não é uma tarefa fácil devido a extensão territorial de 8,5 milhões de km². Essa extensão nos faz ser o maior país da América do Sul e o 5º maior no mundo.

Como consequência do nosso tamanho territorial temos, em primeiro lugar, uma variedade natural quanto ao clima, vegetação, solo, relevo. Em segundo lugar, temos uma variedade econômica devido a fatores históricos. Por exemplo, a região sudeste concentra o parque industrial e a região norte possui características de atividades extrativistas.

No aspecto demográfico também percebemos uma diferença no território brasileiro.  A região Norte, que representa 45,2% do território brasileiro, possui apenas 8% da população. Enquanto a região Sudeste, que representa apenas 10,9% do território brasileiro, possui 42,3% da população brasileira que é responsável por 56% do PIB. Ou seja, as regiões do Brasil tem marcas da desigualdade e cada região deve ter um planejamento diferenciado.

Com isso, a tarefa de regionalizar torna-se um desafio e que futuramente surgirá outras propostas de divisão regional.

3.    Principais propostas de regionalização

A seguir apresentamos as 3 principais regionalizações: a macrorregião, o complexo regional e o meio-técnico-científico-informacional.

A.   Macrorregião

A divisão por macrorregião foi organizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e é adotada como oficial do Brasil.

Nessa divisão é estabelecida uma divisão político-administrativa em 5 regiões:

  • Norte: Acre, Amazonas, Roraima, Rondônia, Amapá, Pará e Tocantins;
  • Nordeste: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia;
  • Centro-Oeste: Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul;
  • Sudeste: Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo;
  • Sul: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul;

Essa divisão político-administrativa tem o objetivo de juntar os Estados com maior semelhança a fim de facilitar sua administração e criação de políticas públicas do governo federal que estimule o desenvolvimento na região. Por exemplo,

  • Os estados que compõe a região Norte tem as mesmas características: baixa densidade demográfica, floresta amazônica, clima equatorial e principal atividade extrativa e etc. Isso também vale para as outras regiões.
  • A criação da Zona Franca de Manus (ZFM) na região Norte foi uma forma de promover o desenvolvimento nessa região. Hoje a ZFM é uma das principais fonte de renda na região.

As específicas particularidades de cada região será estudada em outro momento.

B.    Regiões geoeconômicas

Outra divisão regional foi elaborada pelo geógrafo Pedro Pinchas Geiger no ano de 1967 e é nomeada de regiões geoeconômicas ou complexos regionais.

Essa divisão estabelece três regiões: Amazônia, Nordeste e Centro-Sul.

Esta proposta tem como critério os aspectos socioeconômicos, históricos e ambientais. Nessa proposta é desconsiderada a fronteira estadual tendo os limites das regiões de Geiger cortando os estados. Por exemplo o norte de Minas Gerais e de Espírito Santo são inseridos na região nordeste. O sul do Mato Grosso e de Tocantins são inseridos no Centro-Sul. O motivo dessa desconsideração é que as divisas do estado não coincidem com as dinâmicas econômicas.

Veja as características de cada complexo regional:

1. Complexo regional Amazônia

Este complexo é relacionado principalmente a presença da Floresta Amazônica e da biodiversidade. Outros elementos são a disposição da bacia hidrográfica amazônica, concentração dos recursos minerais e extrativistas e área da expansão da faixa agrícola e o centro industrial em Manaus.

2. Complexo regional Centro-Sul

O complexo Centro-Sul junta as regiões Sul e Sudeste, concentrando a maior população, o parque industrial e os centros tecnológicos, a agricultura modernizada, predomínio do relevo de planalto e de uma variação climática: tropical típico, tropical de altitude e subtropical.

3. Complexo regional Nordeste

Este complexo é delimitado pelos problemas sociais e econômicos, o clima semi árido, a presença do polígono da seca, a faixa litorânea com maior concentração populacional e o problema da estrutura fundiária concentrada no predomínio das grandes propriedades rurais.

C. Meio-técnico-científico-informacional

Essa divisão foi criada em 1999 pelo geógrafo Milton Santos.

O critério estabelecido foi da divisão do meio-técnico-científico-informacional, que trata da diferença do grau de modernização, informação e das finanças no território brasileiro.

Essa divisão estabelece quatro regiões ou de “quatro brasis”: Amazônia, Nordeste, Centro-Oeste e Região Concentrada.

1) Amazônia

Região com baixa densidade técnica e demográfica, cuja principal atividade é extrativa.

2) Nordeste

Historicamente uma região formada pelos plantations e agricultura pouco mecanizada.

3) Centro-Oeste

Região da agricultura modernizada altamente mecanizada.

Uma mudança nessa região em relação a divisão oficial é que coloca o Estado de Tocantins (oficialmente da região Norte) na região Centro-Oeste.

4) Região Concentrada

Nessa região é onde se concentra a maior população e mais povoado, os maiores investimentos de capitais realizados por empresas multinacionais, alto desenvolvimento científico, maiores indústrias, principais portos, aeroportos, shopping centers e etc.

Considerações

Nesta aula o objetivo era demonstrar os tipos de regionalizações e seus critérios. Os exercícios de regionalização estão disponíveis aqui.

Na próxima aula o assunto será sobre a evolução da Divisão Regional do Brasil pelo IBGE.

Graduado e mestre em Geografia pela Unesp, campus de Presidente Prudente (SP). É atualmente professor de geografia em escolas particulares e públicas e professor de geopolítica em cursinho preparatório para vestibular. Escreve no Geografia no Vestibular e no Educa Help.
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Leandro Nieves

Graduado e mestre em Geografia pela Unesp, campus de Presidente Prudente (SP). É atualmente professor de geografia em escolas particulares e públicas e professor de geopolítica em cursinho preparatório para vestibular. Escreve no Geografia no Vestibular e no Educa Help.

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