TRANSFORMAÇÕES NO TRABALHO NA SOCIEDADE CAPITALISTA

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A aula dessa semana tem como objetivo traçar um panorama sobre as constantes revoluções industriais pelas quais o capitalismo passa, desde o seu advento como sistema socioeconômico hegemônico no século XVIII, em contraposição ao antigo regime feudal, que tinha dentre as suas principais características intrínsecas, não o dinamismo da sua produção, mas sim o contrário, ou seja, o sistema feudal era um sistema socioeconômico estático (imóvel). Nisso reside, um dos pontos centrais da irrupção da burguesia dentro do regime feudal. Na aula da última semana, vimos o que é “trabalho e a importância dele na construção da sociabilidade humana”. Ver na disciplina de Sociologia desse blog.

CONTEXTUALIZAÇÃO

Antes de qualquer coisa, importante destacar que a produção industrial capitalista não “surgiu ao acaso”, todavia, ela é resultado de mudanças no modo de produção dentro da sociedade feudal, que veio ocorrendo com o tempo. Tais mudanças giram em torno dos seguintes processos (Para saber mais, basta pesquisar o livro de Nelson Tomazi, citado nas indicações de leitura, especificamente as pp. 40-70):

– Aprimoramento da produção, mediante técnicas de trabalho;

– Divisão do trabalho: Entre a casa e o local de trabalho; Entre trabalho intelectual e trabalho braçal; Entre campo e cidade; Entre quem produz e quem fica com a riqueza produzida; etc;

– Alta especialização da produção e da mão-de-obra.

Esses fatores, separados e em conjunto, podem ser destacados como os pilares do sistema capitalista até os dias atuais, conforme veremos adiante.

REVOLUÇÕES INDUSTRIAIS

Como citado acima, o texto da aula dessa semana tem como enfoque abordar as revoluções industriais do sistema capitalista e de como o desenvolvimento de novas tecnologias estão atreladas a elas.

  • A 1ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL foi a Grande ruptura com o antigo regime feudal, ocorrida na Europa, especificamente na Inglaterra. Essa revolução tem como marca o século XVIII, mas aprofunda-se no século XIX, com sua expansão para outros países e, também, com a revolução política francesa 1789-1799. As características dessa revolução, dentre várias, são: produção centrada nas fábricas e em cidades. Ou seja, houve durante essa revolução um enorme fluxo migratório dos campos para as cidades. Outro fato é o desenvolvimento e aprimoramento tecnológico das máquinas a carvão, que, associadas à divisão social e especialização do trabalho, aumentou consideravelmente a produção de mercadorias em um menor tempo de produção.
  • A 2º REVOLUÇÃO INDUSTRIAL (MODELO TAYLORISMO-FORDISMO) ocorre no final do século XIX e estende-se até os anos 1970, tendo como centro principal os EUA, antiga colônia inglesa. Ela aperfeiçoou a primeira revolução, dando um “salto de qualidade”, expandindo-se para o mundo todo. Qual salto? A segunda revolução industrial e tecnológica foi o momento da história capitalista, na qual teve o início da aliança oficial e permanente da Ciência com a Produção. Frederick Taylor (1856-1915) foi o grande mentor dos princípios científicos atrelados ao sistema produtivo. A indústria na qual Taylor aliou-se foi a indústria automobilística Ford, consolidando esse tipo de produção, ao ponto de considerarmos o século XX como o século do automóvel. É ele o responsável pelo controle e organização da produção das indústrias, seja pela padronização da produção, evitando perda e, assim, barateando seus produtos favorecendo o consumo por parte dos próprios funcionários; seja pelo controle de tempo e maximização da produção dos operários, conforme pode ser visto do clássico filme de Charles Chaplin, “Tempo modernos”; seja pela organização, hierarquização e divisão das funções de cada trabalhador dentro das fábricas. A segunda revolução industrial teve como desenvolvimento tecnológico as máquinas industriais, não mais movidas a carvão, mas sim movidas à energia elétrica.
  • A 3ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL (MODELO TOYOTISTA) ocorre no Japão a partir de 1970, mudando definitivamente o modo de produção capitalista. Tendo como eixo a produção automobilística, no caso a indústria Toyota, esse modelo de produção caracteriza-se, dentre outras coisas, pela Indústria robótica, ou seja, pela robotização da produção, pela substituição de mão-de-obra humana por máquinas, principalmente nas funções dentro das fábricas exercidas por trabalhos braçais. A indústria robótica, por necessitar cada vez menos de trabalho humano, expande-se para outros setores produtivos e alcança o mundo todo, por exemplo: Empresas multinacionais. A produção que antes era localizada em países, tal como na primeira e na segunda revolução industrial, agora se torna mundial, pois as “máquinas-robôs” podem ser transferidas para diversos lugares do planeta, nos quais o “custo geral da produção”, incluindo os custos com os trabalhadores sejam menores, pois, como a produção torna-se cada vez mais robotizada, cada vez menos se precisa de trabalho humano; basta “capacitar”, “treinar” os novos trabalhadores para a operacionalização e manutenção das máquinas. Nessa revolução industrial, o desenvolvimento tecnológico atrelado a ela é a própria indústria robótica, tendo o Japão como país central desse processo que logo conquistou o mundo todo.
  • A 4ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL (PRODUÇÃO CONTEMPORÂNEA) pode ser caracterizada como um desdobramento e aprofundamento da terceira revolução industrial (Indústria robótica), o que é denominado por especialistas como: “Capitalismo 2.0” ou “Ultracapitalismo”. Eu prefiro a classificação de “Capitalismo Hardcore”. O capitalismo é um sistema socioeconômico, conforme a descrição de Karl Marx, como um sistema que “revoluciona constantemente os meios de produção para a sua própria sobrevivência”. Essa marca de expansão foi a tônica das revoluções anteriores, não mais dessa, pois os limites de expansão do capital estão dados, ou seja, já alcançou todos os cantos do planeta, restando agora a “volta para dentro da produção”, que nada mais é do que a extinção de funções dentro do mundo do trabalho e, consequentemente de empregos, conforme no ensina István Mészáros. Assunto esse a ser abordado na aula da semana que vem.

CONSIDERAÇÕES

Essa aula não pretendeu esgotar o assunto, diante da sua complexidade como tal e, também, do debate envolvido acerca dele. Pelo contrário, Foi traçado um panorama das revoluções industriais para fins didáticos. Na aula da semana que vem será abordado especificamente a 4ª revolução industrial e os seus efeitos na produção e no mundo contemporâneo.

 

INDICAÇÕES DE LEITURA

– LAFARGUE, P. O direito à preguiça. Editora Claridade.

– MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. Boitempo Editorial.

– MARX, Karl. Grundrisse. Boitempo Editorial.

– MARX, Karl. O Capital. Boitempo Editorial.

– MÉSZÁROS, I. Para além do capital. Boitempo Editorial.

TOMAZI, Nelson D. Sociologia para o ensino médio. Editora Saraiva.

 

Para ler as aulas anteriores, clique abaixo:

Sociologia – EducaHelp

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.
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Kassiano César de Souza Baptista

Sociólogo formado pela FESPSP (Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo). Professor da rede estadual de ensino de São Paulo. Militante político e cultural.

3 comentários em “TRANSFORMAÇÕES NO TRABALHO NA SOCIEDADE CAPITALISTA

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