A União Ibérica e as invasões holandesas

Portugal era uma das das grandes potencias europeias, no final do século XVI. Com a morte de D. João III, seu filho D. Sebastião herdaria o trono, porém tinha apenas 3 anos. D. Catarina D’ Áustria, sua avó, torna-se regente. Pressionada pela Igreja, a regente é obrigada a entregar o trono ao cardeal D. Henrique. Enquanto isso, D. Sebastião era educado pela Companhia de Jesus, concentrando-se ao celibato, militarismo e à caça.

Lutando contra os mouros no norte da África, D. Sebastião desaparece em 1578, sem deixar herdeiros é dado por morto. Em 1580, sem o apoio lusitano, Felipe II rei da Espanha, reivindica e assume o trono português esmagando as forças oposicionistas. Inicia-se a União Ibérica, período em que o mesmo rei governou Espanha e Portugal.

Devido a Reforma Religiosa, a Espanha tornou-se grande inimiga das nações contrárias ao catolicismo ou com conflitos religiosos, como a França, Holanda e Inglaterra. Fato que refletiu diretamente nas relações coloniais do Brasil, provocando a expulsão dos holandeses que participavam do comércio açucareiro no nordeste brasileiro. Ingleses e holandeses também foram proibidos de navegar pelo rio Amazonas, mais a expulsão dos franceses que viviam no Pará e Maranhão. Tais medidas resultaram em invasões holandesas na Bahia e Pernambuco, e a conquista de territórios pouco explorado pelos portugueses.

Com a União Ibérica, o tratado de Tordesilhas tornava-se nulo, uma vez que todo o território brasileiro pertencia ao mesmo rei. A nomeação de espanhóis para cargos administrativos, dificultava a permanência da soberania portuguesa.

Houve aumento nos impostos, causado pelos conflitos com as potencias europeias. Embate que ocasionou a perda de territórios portugueses, por causa dos conflitos da Espanha com a Inglaterra e Holanda. Dessa maneira, a aristocracia lusitana e alguns comerciantes passaram a sentir os efeitos da administração espanhola. Tais fatores foram determinantes para o fim da União Ibérica.

Conhecido como a Restauração Portuguesa, um grupo de nobres descontentes com a situação, tomam o poder de Portugal no dia 1º de dezembro. Dá-se início a dinastia de Bragança, inserindo D. João IV ao trono. No entanto, a Espanha não aceitou o rompimento e travou uma nova guerra com Portugal. Guerra que só acabou em 1668, com assinatura do tratado de Paz.

As invasões holandesas

A Holanda era uma província que havia se separado da Espanha em 1586. Como retaliação, o rei espanhol, Felipe II, proibiu o comércio com os holandeses e impôs um embargo econômico (Embargo Espanhol). Essa proibição impactou diretamente o Brasil (que vivia o período da União Ibérica), pois eram os holandeses que transportavam e vendiam o açúcar na Europa.

Em 1621, a Holanda cria a Companhia das Índias Ocidentais. As principais intenções dessa companhia era atacar navios espanhóis e recuperar o comércio lucrativo do açúcar. Assim, iniciam-se as invasões holandesas.

No ano de 1624, holandeses invadem a Bahia e conseguem até dominar Salvador (por pouco mais de 24 horas). Sob o comando de Diogo de Mendonça Furtado, os “homens bons” expulsam os holandeses em 1625, fazendo uso da tática de guerrilha.

Após alguns anos, utilizando 7 mil homens, 67 navios e 1000 canhões, Olinda é invadida facilmente pela Holanda. O governador Matias de Albuquerque não resiste a investida holandesa, dado o fato que desta vez os holandeses tinham apoio dos cristãos-novos (judeus convertidos). Domingos Fernandes Calabar, mestiço que habitava a região, serviu de guia para invasão. Pernambuco cai sob domínio holandês, depois de alguns meses de resistência.

Administrada por Maurício de Nassau, a Companhia das Índias Ocidentais retorna a produção açucareira e pacifica a região. Nassau, fez uso de sua capacidade administrativa e adotou algumas medidas, entre elas:

Tolerância Religiosa
(todas as religiões eram toleradas)
Concessão de Créditos
(financiamento aos senhores do engenho e melhoria das condições do mesmo)
Melhorias Urbanas
(ruas, pontes e saneamento básico)
Missão Científica e Cultural

(retratar e estudar a fauna e flora da região)

A expulsão dos holandeses

O declínio da União Ibérica e a subida ao poder da Dinastia de Bragança, em 1640, Portugal restabeleceu a amizade com a Holanda e ambos assinaram uma trégua de 10 anos. Logo após Maurício de Nassau e a Companhia das Índias Ocidentais, entram em conflito. A companhia exigia aumento dos impostos aos senhores de engenho, porém Nassau não o fez, acreditando que tal medida ocasionaria numa revolta dos pernambucanos.

Com a intensão de aumentar a demanda de escravos, Nassau ordena um ataque a Angola, região que pertencia a Portugal, contrariando o acordo de paz. Forçado a retornar para Holanda, Nassau deixa a administração do local na mão de membros da companhia.

Por falta de habilidade administrativa, os membros da Companhia das Índias Ocidentais, aumentaram consideravelmente os juros, ocasionando uma certa tensão na região. Devido a isso o conflito armado tornou-se inevitável.

Várias batalhas aconteceram, porém as mais importantes foram a de Guararapes (1648) e a da Campina da Taborda (1654). Batalhas que expulsaram definitivamente os holandeses do Brasil.

Consequências do termino do domínio holandês:

  • O acordo estabelecido entre Portugal e Holanda, em 1661, com o pagamento de indenização por parte dos portugueses e reconhecimento holandês da perda da região.
  • Holandeses passaram a produzir açúcar nas Antilhas, levando à queda o comércio açucareiro do Brasil.
  • Inglaterra assume o papel de principal parceira comercial de Portugal.

 

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.
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Lucas Valle

Londrinense, 22 anos, graduando de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da história, possui uma enorme admiração por astronomia e assuntos relacionados ao universo.

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